Em 3 de julho de 2026, a celebração do primeiro Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial depois da aplicação da “Lei Vini Jr.” reforçou a lembrança de que o combate ao preconceito exige ações concretas em todas as esferas da sociedade.
AP Photo/Tuane Fernandes
Aplicada pela primeira vez pela FIFA na Copa do Mundo de 2026, nova lei ainda não será adotada nas competições da UEFA
O racismo no futebol já se manifestou de inúmeras maneiras. Primeiro, como rejeição e exclusão, depois como um elemento depreciativo de capacidades físicas, estratégicas ou emocionais. Hoje o cenário é outro, mas ainda há muito o que se evoluir para uma igualdade real, duradoura e não apenas resstrita aos grandes nomes do esporte.
Imagem gerada por IA/ChatGPT
No Brasil, aprender sobre as relações raciais a partir da história do nosso esporte mais popular é uma grande oportunidade para o reconhecimento não só das nossas capacidades no campo de jogo
O vínculo entre pessoas com diferentes racialidades está longe de ser um espaço livre de assimetrias.
Imagem: Envato
Relações heterossexuais entre pessoas brancas e pretas são marcadas por tensões, hierarquias e silenciamentos
Diversos atos foram realizados em São Paulo e outras 90 cidades em dezembro para protestar contra a violência de gênero. Casos expõem a insuficiência da rede de proteção e o modo como o Estado brasileiro falha em garantir o direito das mulheres à vida em nossa sociedade.
Rovena Rosa/Agência Brasil
Casos de feminicídio expõem a insuficiência imperativa da rede de proteção e o modo como o Estado brasileiro sistematicamente falha em garantir o direito elementar das mulheres à vida em nossa sociedade.
Parentes choram ao lado dos corpos de pessoas mortas na terça-feira 28 na operação policial na favela do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.
Silvia Izquierdo/AP Photo
Há quem defenda que a exposição da violência pode promover justiça. Por outro lado, pesquisas indicam que a circulação em massa de imagens de brutalidade racial banaliza o sofrimento, normaliza-o e, com isso, reforça as estruturas de dominação branca.
Ulysses Paulino de Albuquerque (à esqueda) e Rodrigo Felipe Rodrigeus do Carmo: dois professores universitários, homens pretos forjados em trajetórias distintas de resistência em suas experiências de vida como acadêmicos no Brasil: “Romper o paradigma da colonização mental é um passo fundamental para uma prática verdadeiramente antirracista, sobretudo em espaços historicamente forjados pelo elitismo — como é o caso da universidade”, afirmam.
Montagem com foto de Bruno Dias e imagem de acervo pessoal.
Políticas afirmativas como o sistema de cotas são fundamentais, mas não bastam: é preciso ampliar as vozes da população preta na produção e circulação do conhecimento científico
Estudo do Aláfia Lab, que analisou denúncias de racismo registradas entre 2011 e 2025 a partir de dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, resultou em dados alarmantes: as queixas cresceram fortemente a partir de 2020 e atingiram um recorde histórico em 2024. Entre as vítimas, como sempre, a maioria são mulheres negras.
Foto: FabrikaPhoto / Envato
Mesmo diante do aumento expressivo de registros, os números refletem apenas parte da realidade, marcada por forte subnotificação
No Brasil, o uso excessivo da força policial é responsável por milhares de mortes e pelo encarceramento em massa, atingindo de forma desproporcional a população negra. Essa letalidade, associada à política de “guerra ao crime”, é interpretada como parte de um processo de “limpeza social” voltado à eliminação de setores considerados indesejáveis.
AP Photo/Andre Penner
A violência no Brasil segue um padrão que atinge principalmente pessoas negras e pobres, constituindo um dos maiores desafios contemporâneos da justiça global
Uma praça da PM do Rio de Janeiro em ação nas ruas da capital: estudo da Faperj, ainda em andamento, demonstra que a questão do racismo não é ignorada pelos policiais militares, mas muitas vezes é despida de suas complexidades sociais e históricas - e se manifesta também entre eles, associada a casos de assédio moral e sexual dentro dos batalhões.
Imagem: ASCOM / PMERJ
Estudo da Faperj, ainda em andamento, demonstra que a questão do racismo não é ignorada pelos policiais, mas é despida de suas complexidades - e se manifesta também entre eles, muitas vezes associada a assédio moral e sexual
Nas ilustrações de Jean-Baptiste Debret e Etienne Arago, a máscara de Flandres, usada nos séculos 18 e 19 para impedir que escravizados comessem e bebessem, também simboliza a repressão histórica às línguas africanas e indígenas no Brasil.
Reprodução de imagens de domínio público
Embora oficialmente o Brasil tenha apenas o Português e a Língua Brasileira de Sinais como idiomas oficiais, dezenas de línguas indígenas e africanas seguem sendo faladas no país, sem o devido reconhecimento
“The Dying Tecumseh” (Tecumseh moribundo), uma escultura de mármore no Smithsonian American Art Museum, retrata o líder Shawnee em uma perspectiva heroica.
Frederick Pettrich, Smithsonian American Art Museum
Uma ordem executiva de Trump critica a ideia de que raça é uma invenção humana. Mas é exatamente isso que a ciência moderna apoia.
Donald Trump durante discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), dia 22 de fevereiro: crítica ao conceito de “engenharia social” é estratégia do presidente para descontinuar ações afirmativas tradicionalmente bancadas pelo governo, prejudicando grupos minorizados como homossexuais, pessoas trans, imigrantes e afrodescendentes.
AP Photo/Jose Luis Magana
Flávio Limoncic, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
A crítica à “engenharia social” sempre fez parte do repertório do conservadorismo americano para acusar políticas inclusivas de prejudicarem o chamado mérito individual. Com Trump, este ponto de vista se reforça novamente
As políticas anti-imigração foram um dos principais pontos de discussão dos candidatos republicanos.
Matt Rourke/AP Photo
Os Estados Unidos têm um longo histórico de uso indevido da genética e da biologia na política de imigração, cujos efeitos ainda são sentidos com intensidade atualmente
A ODS 18 revisa lacunas da Agenda 2030 em relação aos afrodescendentes e povos indígenas: o desenvolvimento sustentável não deve deixar ninguém para trás.
Foto disponibilizada pelos autores
Participação social foi fundamental na criação do ODS 18 da Agenda 2030, e uma das principais preocupações da Comissão Nacional para os ODS
Para evitar abusos e fraudes nas autodeclarações, e garantir a aplicação correta dos benefícios da política de reparação oferecida Lei de Cotas, a heteroidentificação mostra-se uma ferramenta eficiente e ainda necessária.
Apesar de polêmico, procedimento é fundamental para a correta aplicação da política oferecida pelo governo de reparação pelos séculos de exclusão dos negros da sociedade brasileira
Segundo o autor, a essência do projeto de categorização de cores da humanidade era estabelecer a hierarquia racial como parte de uma tentativa de defender o racismo científico e justificar a escravidão, a opressão colonial e a exploração.
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O nome África foi dado ao continente pelos exploradores, escravizadores e colonizadores europeus. Ele ignora os povos indígenas e suas realizações.
Os ambientes digitais são um dos principais canais por onde o racismo é praticado intensamente, e em formatos que desafiam os atuais modelos de controle e punição dos agressores.
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O racismo que afeta a população no Brasil e no mundo está cada vez mais presente e insidioso no ambiente digital, onde é mais difícil identificar de onde partem as ofensas.
Desde meados do século XX, alguns jornalistas brancos tentam entender a complexidade da experiência dos negros vestindo uma fantasia.
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Para a autora, acreditar que a riqueza da identidade negra pode ser compreendida por meio de um traje temporário banaliza o trauma do racismo que dura a vida inteira. Isso transforma a complexidade da vida negra em uma encenação.
Policiais em ação em favela do Rio de Janeiro: para a cientista política Jacqueline Muniz, a capacidade coercitiva de uma polícia materializa as prioridades e escolhas políticas e ideológicas de um determinado governo.
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Por trás das decisões e ações policiais nas ruas há direitos, valores e, sobretudo, políticos que deveriam delimitar a capacidade coercitiva da polícia para poder, de fato, governá‐la.
Um estudo do Pew Research Center revelou que 71% dos eleitores brancos da zona rural votaram em Trump em 2020, portanto, sua preferência em novembro será fundamental para quem retornará à Casa Branca para um segundo mandato.
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As pessoas brancas das zonas rurais há muito tempo detêm um poder desproporcional na política dos EUA. Mas as pesquisas sugerem que seu compromisso com o sistema político americano está diminuindo.