Como pessoas escravizadas viraram garantia de crédito no Brasil.
A ilustração do pintor luso-italiano Carlos Julião (1740-1811) representa a coroação de uma rainha negra na Festa de Reis, no passeio público da cidade de São João Del Rey: mulheres alforriadas compartilham histórias de vão da pobreza extrema à posses como imóveis, joias e até outras mulheres escravizadas.
Imagem: Acervo Fundação Biblioteca Nacional
A série Crioula, da editora Cosac, registra o resultado de uma pesquisa feita com testamentos e inventários de centenas de mulheres alforriadas no Rio de Janeiro e em São João del Rey entre os séculos XVIII e XIX
Nas ilustrações de Jean-Baptiste Debret e Etienne Arago, a máscara de Flandres, usada nos séculos 18 e 19 para impedir que escravizados comessem e bebessem, também simboliza a repressão histórica às línguas africanas e indígenas no Brasil.
Reprodução de imagens de domínio público
Embora oficialmente o Brasil tenha apenas o Português e a Língua Brasileira de Sinais como idiomas oficiais, dezenas de línguas indígenas e africanas seguem sendo faladas no país, sem o devido reconhecimento
Mulheres negras da ala das baianas da escola Unidos de Padre Miguel, punida no carnaval de 2025 por ter usado muitas palavras em iorubá no seu samba-enredo: castigo contradiz tradição antiga do carnaval e confronta influência poderosa e ancestral das línguas da diáspora africana no português falado no Brasil, desde o século XVII.
Foto: Marco Terranova / Riotur
Ana Angola foi capturada no reino de Ndongo e passou meses em um navio antes de viajar por terra, onde foi forçada a trabalhar nas minas de ouro de Antioquia.
Uma estátua de Jefferson Davis, o segundo a partir da esquerda, está em exibição no Statuary Hall no Capitólio, em Washington. Proprietário de escravos, Davis representou o Mississippi no Senado e na Câmara antes da Guerra Civil Americana. História da desigualdade que persiste no cenário político norte-americano guarda semelhanças com o que ocorre no Brasil.
AP Photo/Susan Walsh (arquivo)
Os pesquisadores mediram a riqueza dos legisladores e descobriram que aqueles cujos ancestrais sulistas possuíam escravos antes da abolição têm um patrimônio líquido mais alto atualmente
Segundo o autor, a essência do projeto de categorização de cores da humanidade era estabelecer a hierarquia racial como parte de uma tentativa de defender o racismo científico e justificar a escravidão, a opressão colonial e a exploração.
Ipsumpix/Corbis Historical/Getty Images
O nome África foi dado ao continente pelos exploradores, escravizadores e colonizadores europeus. Ele ignora os povos indígenas e suas realizações.
Reprodução de uma pintura de autor desconhecido, retratando a captura de escravos para o tráfico transatlântico, na África do século 19.
ASSOCIATED PRESS
Hebe Mattos, Universidade Federal Fluminense (UFF); Keila Grinberg, University of Pittsburgh; Martha Abreu, Universidade Federal Fluminense (UFF), and Monica Lima, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Recente ação do MP, que notificou o Banco do Brasil para apurar o envolvimento do banco no tráfico de escravos, reaqueceu o debate público sobre reparação e o passado escravista brasileiro.