A Pimenta Baniwa — uma mistura tradicional de pimentas secas moídas com sal — tornou-se um produto gastronômico de prestígio no Brasil e no exterior. Mas, para os Baniwa, povo indígena do Noroeste amazônico que a produz, ela é muito mais do que um alimento ou uma mercadoria.
Roberto Linsker/ Terra Virgem
A bioeconomia procura respeitar e fortalecer as relações territoriais, culturais, sociais e espirituais que a sustentam, garantindo às comunidades o direito de decidir o que produzir, em que escala e sob quais condições
Formação conhecida como Pedra Furada, símbolo do Parque Nacional da Serra da Capivara, que reúne a maior e mais antiga concentração de sítios pré-históricos da América.Estudos confirmam que a cadeia montanhosa era densamente povoada na era pré-colombiana.
Artur Warchavchik /Wikipedia
Preservar não é apenas conservar pedras, ruínas ou objetos antigos, é também salvaguardar relações entre pessoas, territórios e memórias que continuam produzindo significado no presente
Floresta de araucárias e campos de pastagem nas regiões de altitude do Sul do Brasil: lições do passado podem nos ajudar a conservar esse ecossistema antigo e em risco devido a anos de exploração madeireira, expansão agrícola e as recentes mudanças no clima.
Diego Murta/Shutterstock
Registros pré-históricos de pólen mostram que a dinâmica florestal no Sul do Brasil foi influenciada por mais do que apenas mudanças climáticas em grande escala
Numa conversa com a editora do TC Brasil Monica Tarantino, o pedagogo e intérprete Takakpe Mẽtyktire, neto de Raoni, fala sobre o legado do avô na luta pelos direitos dos povos indígenas e revela: aos 93 anos e com a saúde fragilizada, o grande líder Kaiapó preocupa-se com a continuação do ativismo indígena pelas gerações mais novas de seu povo, enquanto ainda espera pela demarcação da Terra Indígena Kapoto-Nhĩnore, onde nasceu.
AP Photo/Bob Edme
Nossa equipe entrevistou o neto do líder Kaiapó, que aos 93 anos, internado no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ainda tem muito a dizer, enquanto espera pela demarcação de seu território
Integrante do povo Paiter Suruí, comunidade que primeiro adotou um projeto de crédito de carbono integradoà manutenção daflroesta em pé, em 2009: os Suruí criaram mecanismos de governança, formas de pensar e interagir com o seu território com base em modelos externos ao seu modo de vida.
Foto: Divulgação / Associação Kanindé
Mesmo quando trazem benefícios econômicos e ambientais, iniciativas de sustentabilidade podem impor modelos de desenvolvimento que não se adequam ao modo de vida indígena
No Baixo Oiapoque, a energia solar vem sendo revisitada pelas comunidades indígenas, ganhando potencial não apenas como fonte de eletricidade, mas como parte importante na recriação de artes e artefatos.
Foto: Duvan Escobar
Povos indígenas não devem ser receptores passivos de soluções globais. Ao contrário, são construtores ativos de ecologias emergentes que desafiam as lógicas do mercado
Um leão descansa na savana da região de Maasai Mara, no Quênia: comunidades indígenas e povos da floresta têm sido historicamente culpados pela perda de biodiversidade, com estereótipos que persistem e levaram ao estabelecimento de regulamentações rígidas e muitas vezes punitivas.
(AP Photo/Brian Inganga)
Os preconceitos contra as comunidades indígenas africanas persistem e continuam a moldar as políticas de conservação, o que tem levado à adoção de regras “protetoras” e, muitas vezes, punitivas
Vista aérea do “trecho central” da rodovia BR-319, que liga a comunidade de Igapó Açu ao distrito de Realidade, no sul do Amazonas.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
A abertura de fronteiras em áreas isoladas pode despertar vírus e bactérias que, até então, estavam contidos em ecossistemas de equilíbrio delicado
Uma das imagens geradas no projeto IA/AI. Cenas da vida comunitária indígena em 2050 foram imaginadas pelos participantes do projeto e criadas pela IA, com interpretações bastante distintas, tanto pelos participantes quanto pela ferramenta digital.
Artista Haylly / Galeria do projeto IA/AI: Inteligência Artificial, Arte e Indigeneidade
Alex Potiguara, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Na busca por caminhos mais justos para o uso das tecnologias digitais por populações indígenas, projeto propõe ações como a criação de redes digitais entre aldeias e o fortalecimento da educação digital nas comunidades
Lideranças da Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana no momento em que receberam a notícia da homologação de suas terras, durante s COP 30: 17 anos de luta.
Foto: Ruben Caixeta – Iepé
Homologação de terras indígenas pelo governo durante a COP 30 foi fruto de anos de pesquisa etno-histórica, sociológica, jurídica, cartográfica e ambiental na região, sempre em parceria com os povos originários
Reunião de líderes indígenas Ashaninka do Alto Juruá (Brasil) e do Peru, financiado pelo Fundo Amazônia. Antes presos a sistemas de dívida e dependência, e resistindo durante séculos ao avanço de forasteiros, os Ashaninka do Brasil agora estão entre os líderes ambientais do mundo. Em novembro deste ano, eles chegarão à COP 30 em Belém não como vítimas da história, mas como seus sobreviventes e visionários. Eles trazem consigo as vozes da floresta, a memória da luta e um apelo à mudança.
Foto de Cristiana Bartazoni
Os povos indígenas desempenham um papel crucial na adaptação climática, na conservação da biodiversidade e na proteção ambiental. Belém oferece uma oportunidade histórica de tornar esta conferência climática uma “COP indígena”.
O indígena brasileiro Jonas Reis posa para uma foto enquanto participa de um protesto durante a quinta Cúpula Presidencial da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica.
AP Photo/Fernando Vergara
O encontro deixou claro que os interesses do Brasil em relação à manutenção da exploração de óleo e gás falam mais alto, tornando a próxima COP 30 um teste decisivo para a credibilidade dos compromissos assumidos em defesa da Amazônia
Líder indígena Yanomami ergue uma cópia da Constituição brasileira durante um protesto em Brasília contra a violência e a destruição ambiental provocada por grileiros e garimpeiros que invadem suas terras.
(AP Photo/Eraldo Peres)
Desinformação transforma os povos indígenas em alvo de ataques nas redes sociais, em discursos políticos e em veículos jornalísticos
Das 10 espécies de primatas neotropicais reconhecidas e integradas à cultura dos Paiter-Suruí, do sudoeste da Amazônia, pelo menos cinco estão ameaçadas de extinção.
Foto disponibilizada pelo autor
As espécies de primatas identificadas na Terra Indígena Sete de Setembro possuem significados simbólicos que estão profundamente associados a elementos culturais, ecológicos e mitológicos da cosmologia do povo Paiter-Suruí
Reunião entre estudantes indígenas na Maloca (Centro de Convivência Multicultural dos Povos Indígenas da Universidade de Brasília) um dos pontos pioneiros de integração entre o conhecimento acadêmico e os saberes dos povos originários no Brasil: a educação escolar indígena, que já foi um instrumento para o genocídio dos povos, hoje é ferramenta para o trânsito das pessoas por diversos campos de saberes.
oto: Gabriela Biló/Folhapress
Eliel Benites, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
A educação escolar indígena, que já foi um instrumento para o genocídio dos povos, hoje é ferramenta para a construção de espaços que permitam o trânsito das pessoas por diversos campos de saberes
Indígenas comemoram a revogação da Lei Estadual que abolia as garantias de acesso ao Ensino Médio presencial em tribos e comunidades ribeirinhas do interior do estado. Exclusão de direitos é uma ameaça constante nas relações entre o poder público do Pará e os povos originários, e a COP 30 é vista por estes como uma oportunidade para alertar o mundo sobre a questão.
Foto: Oswaldo Forte/Fotoarena/Folhapress
A COP 30, que será realizada em Belém este ano, representa uma oportunidade única para que grupos como os povos indígenas da Amazônia possam ser ouvidos
Muitas áreas protegidas conhecidas mundialmente, como o Parque Nacional de Salonga, na República Democrática do Congo, foram instituídas com a expulsão e deslocamento de povos indígenas de seus lares em nome da proteção de áreas selvagens.
Foto WWF
Grupos privados de conservação canalizam enormes somas de dinheiro para parques e áreas protegidas em todo o mundo, mas muitas vezes não protegem os direitos básicos dos povos indígenas que vivem nessas terras
Resultados de estudo mostram que alternativas focadas na proteção e preservam a cobertura florestal, mas permitem o uso sustentável dos recursos pelas comunidades, pode trazer mais benefícios socioeconômicos para todos.
Tarcisio Schnaider/Shutterstock
Para reduzir o desmatamento, aumentar a biodiversidade e ajudar a enfrentar as mudanças climáticas, a devolução de terras às comunidades indígenas é crucial e eficaz
Camelos bactrianos domésticos na província de Altai, no oeste da Mongólia.
Joel Berger/Wildlife Conservation Society
Conflitos entre pastores e os ancestrais selvagens de seus iaques, camelos e renas são uma séria ameaça tanto para as pessoas quanto para a vida selvagem, escreve um cientista que viu esses confrontos em primeira mão.