Esqueleto de um golfinho exposto no Museu Oceanográ de Arraial do Cabo: à medida em que o Brasil se prepara para sediar a Conferência Global da Década do Oceano, em 2027, pesquisa mostra que é preciso ampliar o diálogo entre a Ciência do Mar e as comunidades costeiras.
Foto: Wikimedia
Natália Resende de Souza, Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM); Universidade Federal Fluminense (UFF); Ricardo Coutinho, Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM); Universidade Federal Fluminense (UFF), and Valéria de Fátima Raimundo, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
À medida que o Brasil se prepara para sediar a Conferência Global da Década do Oceano, em 2027, pesquisa em Arraial do Cabo mostra que é preciso ampliar o diálogo entre a Ciência do Mar e as comunidades costeiras
Estudos recentes identificaram em golfinhos lesões cerebrais em golfinhos similares às causadas pela doença de Alzheimer em humanos.
Shutterstock
Lesões semelhantes às do Alzheimer foram encontradas em golfinhos e outros cetáceos. Comparar seus cérebros com os de humanos abre novos caminhos na neurociência e conecta a saúde do oceano com a nossa.
Petroleiros cruzam o Estreito de Ormuz: Acordo assinado entre EUA e Irã vale por 60 dias, deixa em aberto os pontos mais difíceis das negociações e estende o cessar-fogo ao Líbano sem que Israel tenha assumido compromisso de cessar suas hostilidades. Ou seja, trata-se de um documento ainda frágil, que pode ruir antes de o primeiro navio pagar a primeira taxa.
Foto aérea de Boukhatala Chamseddine / Shutterstock
Guerra entre Estados Unidos e Irã está suspensa por um acordo que libera a passagem por 60 dias. Depois disso, Teerã quer administrar, e cobrar, pelo corredor onde transita um quinto do petróleo do mundo
O Oceano Atlântico oferece poucos sinais visíveis do que se move sob suas ondas, como a circulação responsável por levar o calor dos trópicos para regiões mais frias do Hemisfério Norte.
Arno Ryser / unsplash
A Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC) pode estar diminuindo sua velocidade, mas mudanças nas profundezas do oceano não geram imagens fáceis de transmitir ao público
O Atol de Rose é uma grande área protegida na Samoa Americana: sem regras, regulamentações e fiscalização consistentes, juntamente com financiamento e colaboração significativa com governos locais, indústrias e comunidades, muitas áreas correm o risco de se tornarem “parques no papel”.
Wendy Cover/NOAA
Até agora, cerca de 10% dos oceanos contam com proteção formal, à medida que os países trabalham para atingir a meta 30x30, mas muitas áreas ainda estão protegidas apenas no papel
O tubarão-martelo é uma das espécies marinhas mais ancestrais do planeta, e é muito comum no litoral brasileiro: cientistas do projeto EcoShark da UFRJ, que monitoram a saúde de tubarões na costa fluminense desde 2018, identificaram sertralina — o ingrediente ativo do Zoloft e de dezenas de outros antidepressivos — no tecido cerebral destes animais.
Martin Prochazkacz / Shutterstock
Cientistas identificaram sertralina — o ingrediente ativo do Zoloft e de dezenas de outros antidepressivos — no tecido cerebral de tubarões-martelo capturados na costa fluminense
O Brasil está em processo de requerer a extensão de sua Zona Econômica Exclusiva, a Amazônia Azul, de 3,6 milhões para 5,7 milhões de km². Sendo que 80% dessa área possui profundidades superiores a 200 metros. Para isso, é necessário conhecer o que há no fundo, e entender melhor seu potencial de exploração econômica e científica.
Imagem: Data is Beautiful Visual Map
Nos últimos quinze anos, pesquisadores brasileiros acumularam descobertas relevantes sobre o fundo do Oceano Atlântico e da chamada Amazônia Azul. Mas ainda faltam investimento e embarcações com tecnologia de ponta para aprofundar o trabalho
A esponja de águas profundas Calyx: simbiose com micróbios é uma parte importante do modo de vida das esponjas marinhas, mas novo estudo mostra que elas e seus parceiros microbianos também usam uma segunda estratégia surpreendente para sobreviver no escuro do fundo do mar.
PROBIO-DEEP/Fugro
Além do oceano banhado pelo Sol estende-se um vasto abismo onde os organismos precisam reciclar cada resíduo disponível
O navio holandês MV Hondius, que registrou surto de hantavírus na primeira semana de maio de 2026, com pelo menos três mortes: caso reascende discussões sobre os riscos do confinamento de milhares de pessoas em alto-mar.
Imagem: Divulgação / Oceanwide Expeditions
À luz do surto que atingiu o navio holandês MV Hondius, um epidemiologista explica por que os germes se espalham tão facilmente em navios de cruzeiro e como se manter seguro nas férias
Sistema melhora a identificação de algas calcárias como esta da foto, uma rodofícea do gênero Lithothamnion, para tornar o monitoramento ambiental mais eficiente.
Imagem: Wikimedia
Modelo desenvolvido no Brasil melhora a identificação de algas calcárias para tornar o monitoramento ambiental mais eficiente
A tripulação do submarino nuclear Bryansk, da Marinha russa, realizando exercícios no Atlântico Norte: frota passou mais de um mês mapeando cabos e dutos submersos que transmitem dados digitais entre diversos países do Ocidente.
Foto: Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia
É pelos cabos submarinos de fibra ótica que transitam 95% do tráfego intercontinental de dados, e garantir sua segurança é uma tarefa difícil
Sentinelas ecológicas: as águas dos recifes costeiros do Espírito Santo abrigam a maior diversidade de macroalgas do Atlântico Sul ocidental. Elas são excelentes bioindicadores de excesso de matéria orgânica (eutrofização) e contaminação por poluentes, e ajudam nos estudos sobre os impactos ambientais provocados pelo rompimento da Barragem do Fundão,cujos rejeitos desaguaram ali.
Foto Rede Abrolhos/UFRJ
Dez anos depois do rompimento da Barragem do Fundão, no Rio Doce, e da contaminação das águas do litoral do Espírito Santo, uma pergunta continua: como demonstrar o tamanho de um impacto quando faltam dados sobre como aquele ecossistema funcionava antes do desastre?
O poetroleiro russo Arctic Metagaz, sendo rebocado por uma embarcação líbia até as proximidades das águas territorias de Malta, onde agora se encontra novamente à deriva: segundo o WWF, o risco de vazamento de sua carga de petróleo e gás natural em pleno Mediterrâneo é “extremamente elevado e potencialmente irreversível”.
Foto: Marinha da Líbia
Um petroleiro russo à deriva no Mediterrâneo expõe como a fluidez do oceano derrota a rigidez das fronteiras — e quem paga a conta é o ecossistema
A famosa Geleira de Rhone, na Suíça, coberta com panos numa tentativa desesperada de retardar o seu derretimento, no verão de 2025: o degelo recorde não é apenas um dado científico, é um sinal de uma nova fase do sistema climático, que exige adaptação, planejamento e compreensão.
AP Photo/Matthias Schrader
O sistema climático está sob estresse: todas as regiões glaciais do planeta registraram perda de massa em 2024, pelo terceiro ano consecutivo. E os efeitos disso vão muito além das regiões polares
No mar, ainda faltam dados que estimem os custos com a problemática da bioinvasão no Brasil, mas é possível ter uma ideia a partir dos custos de uma única ação para remoção de uma espécie de coral invasor bem conhecida, o Coral-sol (foto). A ação por um dia custa cerca de R$ 4 mil reais.
Imagem: Keidy Beranger/Flickr
Atualmente, o litoral brasileiro registra 175 espécies exóticas, que chegam ao país em diferentes embarcações ou estruturas que se movimentem e possam servir como meio de transporte.
Centenas de barbatanas de tubarão secam ao sol num entreposto pesqueiro em Hong Kong: vendidas a preço de ouro em restaurantes, as sopas de barbatana de tubarão são sinal de status. Depois de obtê-las, os barcos pesqueiros descartam no mar os animais mutilados, e impossibilitados de nadar. Apesar de já haver rigorosa proibição dessa prática em vários países, ela continua ativa em todo o Sudeste Asiático.
AP Photo / Kin Cheung, arquivo
Especialistas estimam que cerca de 100 milhões de tubarões são abatidos na pesca a cada ano – um massacre ao qual eles simplesmente não conseguem resistir
Barcos de pesca partem de Zhoushan, China: navios permanecem no mar por meses, muitas vezes em águas longe do litoral de seus países, em práticas de sobrepesca que degradam ecossistemas marinhos e afetam a subsistência de populações costeiras.
Zou Xunyong/VCG via Getty Images
A expansão do transporte marítimo no Ártico, a corrida pela mineração do fundo do mar e a pesca excessiva são fatores de pressão nas relações internacionais.
Depósito de plástico no Quênia: Com a demanda triplicada nos últimos 30 anos, alavancada pelo lobby da indústria fóssil, o plástico contamina principalmente países com regulações e/ou capacidades institucionais mais fracas.
AP Photo/Ben Curtis
Estudo brasileiro começou a destacar o papel dos grandes portos marítimos no rastreamento e controle do excesso de plástico que se espalha pelo mundo, apoiado pelo lobby do petróleo
A Grande Barreira de Corais da Austrália.
Foto: Great Barrier Reef Marine Park Authority
Neste episódio, nossa equipe conversa com especialistas sobre o branqueamento da Grande Barreira de Corais australiana e o risco de a exploração de petróleo na Costa Equatorial brasileira afetar manguezais e corais da foz do Rio Amazonas
No Canal do Panamá, os Portos de Balboa (foto), do lado do Pacífico, e Cristóbal, do lado do do Golfo do México, movimentam cerca de 6% do comércio marítimo global. A presença chinesa nesses locais, administrados pela Hutchison Ports de Hong Kong, gera inquietação em Washington, que percebe esses contratos de longa duração como uma potencial influência econômica e estratégica externa. Em discurso público, Trump chegou a mencionar a necessidade de “recuperar” o controle do canal, o que evidencia o uso da retórica histórica para legitimar projeções de poder.
AP Photo/Noah Berger
O Canal do Panamá, os portos do Caribe e rotas próximas ao Atlântico Norte e Sul não são apenas pontos de trânsito de mercadorias: são nós críticos que conectam flutuações econômicas globais à presença militar