O presidente Donald Trump assina a criação do “Conselho da Paz”, ao lado de presidentes de países como Albânia, Azerbaijão, Bahrein, Bielorrússia, Bulgária, Egito, Hungria, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Kosovo, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão, além dos vizinhos Argentina e Paraguai: instrumento para converter o peso militar e financeiro dos EUA em autoridade reguladora sobre conflitos globais.
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Para o Brasil, aceitar o Conselho proposto por Trump seria institucionalizar uma estrutura que fixa o desequilíbrio a favor dos EUA e reduz o espaço de manobra de potências médias que aspiram a papel de articuladoras entre blocos
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (à esquerda), durante a reunião de cúpula do BRICS, em julho de 2025 no Rio de Janeiro: entrada do país do Oriente Médio no grupo é estratégia multilateralista defendida pelo Brasil, que não teria nada a ganhar com um eventual conflito militar com os EUA.
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A presença do Irã no BRICS Plus reforça a ambição do grupo de atuar como espaço de coordenação política fora do eixo euro-atlântico. Ataque americano ao Irã colocaria essa estratégia a perder
Manifestantes seguram cartazes satirizando o presidente Trump e o presidente argentino, Javier Milei, durante um protesto em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires: a difícil nova conjuntura mundial que se avizinha - especialmente para as sociedades latino-americanas - não pode levar ao imobilismo, e nem se pode menosprezar o potencial da população norte-americana de conter os excessos de seu atual governo.
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Ameaças militares, diplomacia coerciva ou intervenções com o uso da força começam a se tornar “normais”, e o arcabouço de normas, princípios e direitos universais se esvai
Interpretações políticas, regras paralelas e regimes não coordenados estão entre os efeitos já sentidos com o enfraquecimento que órgãos reguladores causado pela redução da participação norte-americana.
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Processo inclui tanto retiradas formais quanto reduções drásticas de financiamento em áreas como desenvolvimento, saúde global e programas humanitários
Belém tornou-se o palco simbólico de uma disputa de legitimidades: o multilateralismo tenta sobreviver em meio à fragmentação política e à financeirização da natureza.
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Belém tornou-se o palco simbólico de uma disputa de legitimidades: o multilateralismo tenta sobreviver em meio à fragmentação política e à financeirização da natureza.
Com a diminuição da centralidade das potências ocidentais e a ampliação dos polos de influência, o multilateralismo se transforma e da oportunidades a países do Sul Global, especialmente os da América do Sul.
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Desafio para o Brasil está em transformar discursos de autonomia em políticas concretas e sustentáveis, atuando como protagonistas na disputa global
Lula e Xi Jinping, durante última visita do presidente brasileiro à Pequim: China não é apenas um dos principais destinos das exportações brasileiras, mas também um ator relevante nos investimentos produtivos no país. Entre 2007 e 2022, eles totalizaram US$ 71,6 bilhões, distribuídos em cerca de 235 projetos em setores variados.
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Nas últimas décadas, o Brasil atraiu cerca de 48% dos investimentos chineses na América do Sul
Ao comentar os assassinatos em Manhattan, Donald Trump classificou o atirador como um “lunático enlouquecido” e descreveu o ataque como um ato “sem sentido”, de “pura maldade”. Mas o que Trump tenta colocar à distância funciona como uma metáfora perturbadora da política que ele próprio conduz, com critérios duvidosos para ameaçar países aliados com tarifas e sanções.
Ilustração gerada por IA no Envato Labs
Os ‘disparos’ de Trump tendem a ultrapassar os alvos primários: podem desorganizar cadeias produtivas das quais os próprios EUA dependem, pressionar a inflação e alimentar a instabilidade nos mercados globais
Os presidentes Cyril Ramaphosa (África do Sul), Prabowo Subianto (Indonésia) e Lula na cúpula dos Brics, no Rio. Participação do Brasil no Brics é importante para diversificação e não-alinhamento, mas “é chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade”.
Joédson Alves/Agência Brasil
É chegada a hora de conter a potência intervencionista e lançar um movimento mais amplo para a reconstrução do tecido multilateral internacional, a partir de princípios claros de justiça e equidade
Tarefa para os líderes: Reforçar o multilateralismo em áreas estratégicas como comércio, investimentos, tributação e financiamento climático. E garantir que as iniciativas sejam voltadas à promoção de um desenvolvimento social e econômico mais inclusivo.
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BRICS+ deve buscar ampliar os fluxos comerciais Sul-Sul para além do eixo centrado na China, que já tem consolidada a sua posição como principal parceiro comercial.
Lula durante a sessão de abertura da primeira reunião em preparação para o encontro do BRICS, que ocorre em julho no Brasil. A necessidade de manter laços econômicos com países de histórico controverso, como China e Arábia Saudita, apresenta desafios à coerência da política externa.
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A economia brasileira depende de parceiros comerciais com históricos problemáticos de direitos humanos. A estratégia de equilibrar valores e pragmatismo é um desafio constante para a diplomacia brasileira
Reeleita para a presidência do Novo Banco do Desenvolvimento (NDB) até 2030, Dilma terá a chance de fortalecer estratégia de aumento da autonomia financeira dos países-membros do BRICS.
Reuters/Folhapress
Reeleita para a presidência do Novo Banco do Desenvolvimento (NDB) até 2030, Dilma terá a chance de fortalecer estratégia de aumento da autonomia financeira dos países-membros do BRICS
Navio embarcando carga no cais do Porto de Santos: a agroindústria brasileira, fortemente integrada aos mercados globais, já abastece os EUA com soja, carne, café e frutas. Além disso, segmentos como celulose, minério de ferro, têxteis e autopeças têm potencial imediato para substituir fornecedores asiáticos sujeitos a tarifas mais pesadas.
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A guerra tarifária de Trump redefine as regras do comércio global. Mas é justamente neste momento que surgem as maiores oportunidades para o Brasil
O Lago Chade outrora proporcionou meios de subsistência adequados para 20 milhões de pessoas na África, mas perdeu 90% de sua área de superfície em 30 anos devido à falta de cooperação entre os países no seu entorno, com graves consequências para a população da região.
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O comportamento nacionalista pode colocar pessoas, economias e ecossistemas, e até mesmo a paz, em risco
A vigilância pesada não é novidade em Davos, mas o encontro de 2025 expôs tensões ideológicas e riscos globais que desafiam a cooperação internacional e a estabilidade. O embate entre soberanismo e globalização, aliado às ameaças climáticas e tecnológicas, define um cenário complexo que exige ações coordenadas e corajosas.
O embate entre soberanismo e globalização, aliado às ameaças climáticas e tecnológicas, define um cenário complexo que exige ações coordenadas e corajosas
Cúpula do BRICS na África do Sul, em 2023. Coalizão busca fortalecer a posição do Sul Global e reivindicar uma reforma na ordem internacional. O grupo questiona um sistema de regras que privilegia os interesses das grandes potências, ignorando as necessidades dos países em desenvolvimento.
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Durante décadas, o multilateralismo foi o alicerce da cooperação internacional. Esse modelo está em declínio, à medida que os interesses nacionais passam a guiar cada vez mais as decisões que deveriam ser coletivas, marcando uma mudança significativa de paradigma.
O presidente Lula durante a última reunião de chanceleres do G20, na ONU, em setembro. AO lado dele, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que assumirá a presidência do grupo a partir de dezembro.
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A presidência brasileira do G20 se encerra semana que vem na reunião de cúpula no Rio com resultados limitados, pois outros membros do bloco fazem ouvidos moucos para com o desejo do presidente Lula em liderar o mundo do desenvolvimento
Vários líderes mundiais na cúpula do Brics em Kazan, em 24 de outubro de 2024.
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Ainda não está claro se a aliança do Brics está próxima de alcançar uma unidade de propósito.
Lula na Assembleia Geral da ONU na semana passada: desafio para o Brasil é manter independência política sem tomar partido na disputa pela nova hegemonia global travada entre China e Estados Unidos.
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A guerra na Ucrânia é sintoma e causa de uma crise de paralisia do sistema internacional. Para os autores, cabe ao Brasil e ao Sul Global se empenharem para reformar o sistema multilateral.