“Sei mais das florestas do que da minha mãe”: Thamyres Sabrina Gonçalves especializou-se no estudo da história ancestral do ecossistema em que nasceu e foi criada - os Capões de mata, ilhas de Mata Atlântica no meio do Cerrado. Ela relata a tristeza de sentir na pele a destruição cada vez mais acelerada pelas queimadas dos locais que a inspiraram a estudar as origens desses ecossistemas únicos, que oferecem pistas da pré-história botânica brasileira.
Imagem: arquivo pessoal
Doutora em Agronomia, especializada em história paleoambiental dos Capões de mata da Serra do Espinhaço, relata a experiência de testemunhar in loco a destruição da vida e da memória da floresta em que nasceu, e que guarda registros pre-históricos da nossa natureza
Bia, uma das onças sobreviventes dos incêndios de 2020, vive na área de uma inédita rede de corredores ecológicos criados pelos governos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, que cobrem todas as regiões do Pantanal e protegem o desenvolvimento de milhares de espécies de animais, vegetação nativa e cursos d'água.
Foto: Henrique Olsen/Folhapress
A seca e os incêndios de 2020 provocaram uma grande tragédia, mas ao mesmo também foi um recomeço, na forma de parcerias entre atores locais, instituições de pesquisa, governos e iniciativa privada
Bombeiros combatem incêndio em Palisades, Los Angeles, em janeiro de 2025: a Humanidade e o fogo vêm moldando a face da Terra desde a última glaciação, mas escala do uso do fogo mudou com a transição para uma civilização movida a combustíveis fósseis.
Peyman Fakhraei/Middle East Images/AFP via Getty Images
Os seres humanos se tornaram uma força geológica que ‘cozinha’ o planeta, usando o fogo em uma escala que está alterando a terra, a água, o ar e os ecossistemas.
Uma ave sobrevoa a vegetação em chamas do Pantanal: parceria entre o Ministério Público estadual, UFRJ e UFMS definiu áreas prioritárias para a prevenção de incêndios e recuperação de áreas queimadas em toda a Bacia do Alto Paraguai.
AP Photo/Andre Penner
Parceria entre o Ministério Público estadual, UFRJ e UFMS definiu áreas prioritárias para a prevenção de incêndios e recuperação de áreas queimadas no Pantanal e em toda a Bacia do Alto Paraguai
Em Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, crianças pantaneiras observam um incêndio florestal vizinho à fazenda em que vivem. Baixa umidade, altas temperaturas, seca duradoura e ventos fortes estão entre os múltiplos fatores que transformam o fogo em tragédia sem precedentes na região.
Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress
Apesar de importante para manutenção da paisagem pantaneira, fogo agravado por ciclo de seca, altas temperaturas, ventos, grande quantidade de biomassa produzida no ano anterior e mudanças climáticas coloca a região em risco.
Uma imensa nuvem envolve um incêndio florestal na Califórnia: novos satélites mostram que tempestades induzidas pelo fogo são mais comuns do que cientistas pensavam.
Tempestades induzidas por incêndios e redemoinhos de fogo semelhantes a tornados são mais comuns do que se imaginava, como mostram agora imagens e dados de satélite de alta resolução.
Invisíveis: não se sabe exatamente quantos brasileiros estão se mudando neste momento devido às mudanças climáticas atuais, porque não existem sistemas centralizados de registro para monitorá-los.
AP Photo/Carlos Macedo
Nas últimas duas décadas, pelo menos 8 milhões de brasileiros migraram devido a tempestades, inundações, incêndios florestais, secas ou aumento do nível do mar.
Onça solitária descansa sob a vegetação incinerada à beira do rio Paraguai, durante as queimadas que estão assolando a região: área de vegetação atingida já é o dobro do registrado no mesmo período de 2020, quando mais de 17 milhões de animais pereceram.
Lalo de Almeida/Folhapress
Na maior região úmida tropical do mundo, incêndios ameaçam áreas prioritárias de restauração da vegetação e reforçam a urgência do Manejo Integrado do Fogo (MIF)
Voluntários combatem o fogo em Minas Gerais. Setor discute política nacional para o Manejo Integrado do Fogo.
Imagem do Arquivo Brigada 1
Angela Pellin, Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade/IPÊ and Fernando Rodovalho, Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade/IPÊ
Voluntários combatem o fogo em Minas Gerais. Setor discute política nacional para o manejo integrado do fogo.
O fogo, que ocorre de maneira natural em biomas como o Pampa e o Cerrado, deveria ser exceção na Amazônia. Mas análises feitas entre 2011 e 2020 mostram que incêndios viraram regra, graças ao excesso de ações humanas de garimpo, extrativismo e agropecuária. E o ponto de não retorno pode já ter chegado.
AP Photo/Andre Penner
Proteger a Região Amazônica é vital para a estabilização do clima global e manutenção da biodiversidade, mas a destruição de causas antropogênicas não para de crescer.
Vice-presidente executiva da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO) e professora visitante, Universidade Federal da Bahia (UFBA)