Diferente de muitos lugares conservados no mundo, o Pantanal é ocupado, em sua grande maioria, por fazendas de gado. Na prática, isso significa pouco desmatamento, além de uma cultura local bastante característica. Atualmente, cerca de 70% das fazendas ainda praticam pecuária tradicional, de baixo impacto.
Foto: Walfrido Moraes Tomas
Atualmente, cerca de 70% das fazendas do Pantanal praticam pecuária tradicional, de baixo impacto. Que, aliada à caça inexpressiva de animais nativos, tornou a região um refúgio de espécies ameaçadas
Duas onças estudam uma cerca eletrificada, depois que uma delas tomou um choque: além de revelar raro exemplo de comportamento em grupo da espécie, estudo mostra que as onças aprendem a tomar decisões num ambiente que mistura risco, oportunidade e sinais deixados por outros indivíduos.
Imagem: Instituto Impacto
Câmeras instaladas perto de currais de criação de gado da região registraram em vídeo grupos de até quatro onças próximo às cercas das fazendas
Além de sua função como berçário natural de peixes e aves migratórias, o Pantanal Matogrossense atua como regulador do ciclo das águas e do clima regional, e tem forte conexão com a Amazônia - assim como o Cerrado.
Foto: Felipe Frazão / Wikipedia
O Brasil tem outros biomas que são também muito estratégicos, e que carecem de um olhar cuidadoso sobre os grandes desafios que todos eles enfrentam
Coleta de pelos, ‘armadilhas’ fotográficas e outras inovações estão entre as técnicas desenvolvidas por pesquisadores do Instituto Impacto, organização voltada à coexistência entre predadores e comunidades tradicionais, e da Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Foto: Imagesourcecurated / Envato
Coleta de pelos, ‘armadilhas’ fotográficas e outras inovações estão entre as técnicas desenvolvidas por pesquisadores do Instituto Impacto, organização voltada à coexistência entre predadores e comunidades tradicionais, e da Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Bia, uma das onças sobreviventes dos incêndios de 2020, vive na área de uma inédita rede de corredores ecológicos criados pelos governos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, que cobrem todas as regiões do Pantanal e protegem o desenvolvimento de milhares de espécies de animais, vegetação nativa e cursos d'água.
Foto: Henrique Olsen/Folhapress
A seca e os incêndios de 2020 provocaram uma grande tragédia, mas ao mesmo também foi um recomeço, na forma de parcerias entre atores locais, instituições de pesquisa, governos e iniciativa privada
Escavações arqueológicas no sítio Bananalzinho Bororo revelam construções feitas pela mão humana para permitir a habitação em uma região onde água e terra constantemente se misturam.
Acervo PROPAM
Conhecidas como “Morobohó”, intervenções datam de até 3 mil anos atrás e representam marcos fundamentais da ocupação humana em um dos ecossistemas mais complexos do planeta.
Uma ave sobrevoa a vegetação em chamas do Pantanal: parceria entre o Ministério Público estadual, UFRJ e UFMS definiu áreas prioritárias para a prevenção de incêndios e recuperação de áreas queimadas em toda a Bacia do Alto Paraguai.
AP Photo/Andre Penner
Parceria entre o Ministério Público estadual, UFRJ e UFMS definiu áreas prioritárias para a prevenção de incêndios e recuperação de áreas queimadas no Pantanal e em toda a Bacia do Alto Paraguai
Em Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, crianças pantaneiras observam um incêndio florestal vizinho à fazenda em que vivem. Baixa umidade, altas temperaturas, seca duradoura e ventos fortes estão entre os múltiplos fatores que transformam o fogo em tragédia sem precedentes na região.
Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress
Apesar de importante para manutenção da paisagem pantaneira, fogo agravado por ciclo de seca, altas temperaturas, ventos, grande quantidade de biomassa produzida no ano anterior e mudanças climáticas coloca a região em risco.
Onça solitária descansa sob a vegetação incinerada à beira do rio Paraguai, durante as queimadas que estão assolando a região: área de vegetação atingida já é o dobro do registrado no mesmo período de 2020, quando mais de 17 milhões de animais pereceram.
Lalo de Almeida/Folhapress
Na maior região úmida tropical do mundo, incêndios ameaçam áreas prioritárias de restauração da vegetação e reforçam a urgência do Manejo Integrado do Fogo (MIF)
Professora associada e docente do Programa de Pós-Graduação em Animais Selvagens da Faculdade de Medicina Veterinária e Zoologia, Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Bióloga e Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Animais Silvestres da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista (Unesp)