Fogo na floresta do município amazonense de Careiro Castanho: a Amazônia não é mais impenetrável ao fogo. As mudanças climáticas geram parte dessas alterações, mas não são as únicas responsáveis. O fogo na região é sintoma de uma degradação anterior, e não há uma causa isolada. Há décadas, por exemplo, a transformação da floresta em pastagem e a exploração madeireira vêm contribuindo para deixar a Amazônia mais vulnerável.
AP Photo/Edmar Barros
Ima Vieira, Finep - Financiadora de Estudos e Projetos
A Amazônia não evoluiu com o fogo. Estudos de longa duração mostram que a floresta rebrota depois de queimar, mas por trajetórias que a empobrecem e que comprometem a vida de quem depende dela
Manejo do fogo como aliado da preservação -inspirado nas técnicas milenares dos povos originários - e desenvolvimento de soluções baseadas na natureza para minimizar a geração de gases de efeito estufa pela pecuária estão entre os trabalhos da ciência do Brasil e da Austrália que nossa equipe visitou neste episódio do podcast “Vozes do Sul”.
Composição fotográfica de Élio Lima / Agência Cenarium
Neste episódio, cientistas brasileiros mostram como a Amazônia é na verdade um grande jardim milenar, e pesquisadores australianos mostram como reduzir usar soluções baseadas na natureza para reduzir a produção de gases de efeito estufa metano na produção agropecuária
O enfrentamento dos problemas causados pelo fogo na Amazônia depende de regulação ambiental, fiscalização eficaz, incentivo a práticas sustentáveis e respeito aos saberes tradicionais
Nos últimos anos, com as mudanças climáticas e a falta de fiscalização, a gravidade das queimadas em áreas indígenas como a dos territórios Xavante do Mato Grosso têm aumentado muito. Para o o gestor ambiental Paulo Cipassé Xavante, se não houver auxílio de tecnologias de monitoramento como drones e satélites, territórios como o dele serão destruídos novamente pelo fogo, quando chegar a temporada das queimadas.
Foto: Agência Cenarium
Para os nativos da Terra Indígena Pimentel Barbosa, no Mato Grosso, só com o auxílio de tecnologias de monitoramento com drones e satélites será possível evitar que a temporada de queimadas destrua seu território pela terceira vez em seis anos
Bombeiros combatem incêndio em Palisades, Los Angeles, em janeiro de 2025: a Humanidade e o fogo vêm moldando a face da Terra desde a última glaciação, mas escala do uso do fogo mudou com a transição para uma civilização movida a combustíveis fósseis.
Peyman Fakhraei/Middle East Images/AFP via Getty Images
Os seres humanos se tornaram uma força geológica que ‘cozinha’ o planeta, usando o fogo em uma escala que está alterando a terra, a água, o ar e os ecossistemas.
Em Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, crianças pantaneiras observam um incêndio florestal vizinho à fazenda em que vivem. Baixa umidade, altas temperaturas, seca duradoura e ventos fortes estão entre os múltiplos fatores que transformam o fogo em tragédia sem precedentes na região.
Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress
Apesar de importante para manutenção da paisagem pantaneira, fogo agravado por ciclo de seca, altas temperaturas, ventos, grande quantidade de biomassa produzida no ano anterior e mudanças climáticas coloca a região em risco.
Uma imensa nuvem envolve um incêndio florestal na Califórnia: novos satélites mostram que tempestades induzidas pelo fogo são mais comuns do que cientistas pensavam.
Tempestades induzidas por incêndios e redemoinhos de fogo semelhantes a tornados são mais comuns do que se imaginava, como mostram agora imagens e dados de satélite de alta resolução.
Onça solitária descansa sob a vegetação incinerada à beira do rio Paraguai, durante as queimadas que estão assolando a região: área de vegetação atingida já é o dobro do registrado no mesmo período de 2020, quando mais de 17 milhões de animais pereceram.
Lalo de Almeida/Folhapress
Na maior região úmida tropical do mundo, incêndios ameaçam áreas prioritárias de restauração da vegetação e reforçam a urgência do Manejo Integrado do Fogo (MIF)