China, Índia ou Brasil podem integrar o chamado Sul Global, mas suas empresas podem ocupar posições econômicas muito distintas das comunidades, trabalhadores e mesmo dos Estados que recebem seus investimentos.
Imagem: Port Calls Ásia/Unsplash
Ana Saggioro Garcia, PUC-Rio; Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hoje um dos principais atores das mudanças em curso na ordem internacional, o BRICS defende reformas na governança global e questionam a concentração histórica de poder nos Estados Unidos e na Europa
Navios cargueiros aguardam no Estreito de Ormuz: o fechamento da passagem obriga empresas e armadores a buscar rotas alternativas. Uma das principais estratégias foi redirecionar as embarcações para contornar a África, praticamente dobrando o tempo da viagem padrão, comprometendo as cadeias de abastecimento e ampliando significativamente os custos logísticos.
AP Photo
A elevação dos preços do petróleo, o aumento dos custos de energia, os gargalos logísticos e as incertezas em torno de rotas estratégicas de transporte marítimo e aéreo afetam diretamente uma cadeia farmacêutica mundial altamente concentrada
O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, discursa na última Assembleia Geral da ONU, quando a China anunciou sua nova postura diante das regras da OMC, abrindo mão de benefícios destinados a países emergentes: recado claro de que o país quer posição de liderança no comércio mundial.
AP Photo/Richard Drew
Com a decisão de abrir mão dos benefícios disponíveis para países em desenvolvimento, a China assume novas obrigações, o que pode pressionar outros países emergentes do BRICS, como o Brasil, a reavaliar suas reivindicações de status especial
Donald Trump e os presidentes da Senegal, Guiné-Bissau. Gabão e Mauritânia, durante almoço na Casa Branca cujo tema foi mineração: interesse dos EUA nas jazidas de minerais críticos na África - e no Brasil também - é cada vez mais voraz, pelo emprego estratégico destes materiais na fabricação de baterias e outras tecnologias essenciais para a transição energética.
Evan Vucci / AP Photo
Se por muitos anos a política americana para a África foi marcada por programas de ajuda e cooperação, agora a lógica se volta ao comércio e à disputa direta com a China pelo controle das cadeias produtivas do futuro
Rebeldes houthis no Iêmem comemoram o afundamento de um navio cargueiro que seguia pelo Mar Vermelho em direção a Israel. Imagens do ataque foram exibidas num telão, durante um protesto em praça pública, na cidade de Sanaa.
Reuters/Folhapress
O aumento dos ataques pode ser explicado pelo agravamento do conflito entre Israel e Palestina na faixa de Gaza. Os Houthis, grupo rebelde apoiado pelo Irã, miram em navios com alguma ligação com Israel ou aliados, e justificam seus atos como apoio aos palestinos.
Trump e os líderes do Japão, Shigeru Ishiba; da Itália, Giorgia Meloni; da França, Emmanuel Macron; do Canadá, Mark Carney; da Grã-Bretanha, Keir Starmer; e da Alemanha, Friedrich Merz - além do presidente do Conselho Europeu Antonio Costa e da presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, durante a reunião do G7 em que se rediscutiu a questão das tarifas.
AP Photo/Mark Schiefelbein
Em jogo estão temas como as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, além de questões que envolvem regulações ambientais e digitais
Fábrica de veículos elétricos da BYD em construção em Camaçari, na Bahia: Com infraestrutura logística em expansão e acordos bilaterais em andamento, o Brasil pode consolidar-se como um destino estratégico para a relocalização de plantas industriais.
AP Photo/Eraldo Peres
Pragmatismo, coragem diplomática e inteligência estratégica brasileira podem finalmente convergir para abrir um novo ciclo de liderança sul-americana com alcance global
Lula durante a sessão de abertura da primeira reunião em preparação para o encontro do BRICS, que ocorre em julho no Brasil. A necessidade de manter laços econômicos com países de histórico controverso, como China e Arábia Saudita, apresenta desafios à coerência da política externa.
AP Photo/Eraldo Peres
A economia brasileira depende de parceiros comerciais com históricos problemáticos de direitos humanos. A estratégia de equilibrar valores e pragmatismo é um desafio constante para a diplomacia brasileira
O presidente da China, Xi Jinping, à esquerda, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, posam para fotos com seus acordos bilaterais no palácio da Alvorada em Brasília, Brasil, em novembro de 2024.
AP photo/Eraldo Peres
Estratégias, desafios e oportunidades na construção de laços econômicos e diplomáticos no cenário global.
Manifestante exibe um prato vazio com uma mensagem aos líderes do G20 sobre a fome, durante protesto numa das prévias da reunião de cúpula no Rio de Janeiro: como presidente do encontro, Brasil pode liderar ações para mitigar efeitos das mudanças climáticas sobre o funcionamento das cadeias de suprimentos ao redor do mundo, que podem afetar a economia, a saúde e a segurança alimentar globais.
AP Photo/Bruna Prado
Como detentor da presidência do G20, o Brasil tem uma oportunidade de assumir um papel de liderança na construção de resiliência e na mitigação de riscos no comércio global
Pesquisador em Direito Biomédico e propriedade intelectual de medicamentos e Professor titular da Escola de Ciências Jurídicas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)