Uma coluna de fimnaça sobe no céu do centro de Teerã, após a queda de mais um míssil na guerra de Israel e EUA contra o país. Para explicar por que o BRICS - grupo que defende o direito internacional, surgiu para restringir a hegemonia estadunidense no mundo e tem o Irã como país-membro - ainda não emitiu uma declaração conjunta sobre os ataques, é preciso compreender como o BRICS funciona e como se dá o seu processo de expansão.
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Grupo - que em 2023 se expadiu e incluiu o Irã- ainda não emitiu sequer uma manifestação conjunta sobre o conflito
Considerado um dos encontros internacionais mais importantes de 2025, a realização da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) reuniu líderes de vinte países, entre eles Xi Jinping, Vladimir Putin e Narendra Modi, que fazem parte do BRICS. O evento projetou uma visão alternativa da ordem internacional, menos dependente dos EUA e mais ancorada na Eurasia. A questão que surge é se existe espaço para o Brasil nessa dinâmica.
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A cúpula de Tianjin mostra que o eixo do poder mundial se desloca cada vez mais para Eurásia. Brasil pode ampliar sua inserção internacional, mas precisa prudência diante do cenário de sanções que tornaram tarifas em armas da política global
Bandeiras dos países-membros do BRICS no salão azul do Senado Federal, durante o Fórum Parlamentar do BRICS realizado no começo de junho em Brasília.
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Alcançar a justiça climática exige enfrentar desigualdades estruturais e criar mecanismos de reparação, redistribuição e acesso ao financiamento para a justiça climática
Reunião dos ministros de relações exteriores do BRICS no Palácio Itamaraty em abril: pela primeira vez, os países do bloco devem publicar uma declaração específica sobre mudanças climáticas, conectando-se diretamente à agenda da COP30. Movimentação indica que há uma crescente articulação estratégica e descentralizada dos BRICS, conectando agendas diversas e estruturando respostas sistêmicas aos desafios globais, da transição energética à reforma da governança financeira.
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O BRICS atua de forma mais afirmativa como liderança regional e representante do Sul Global, defendendo reformas estruturais na governança internacional e promovendo uma ordem multipolar baseada no multilateralismo e na inclusão.
Fábrica de veículos elétricos da BYD em construção em Camaçari, na Bahia: Com infraestrutura logística em expansão e acordos bilaterais em andamento, o Brasil pode consolidar-se como um destino estratégico para a relocalização de plantas industriais.
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Pragmatismo, coragem diplomática e inteligência estratégica brasileira podem finalmente convergir para abrir um novo ciclo de liderança sul-americana com alcance global
Tarefa para os líderes: Reforçar o multilateralismo em áreas estratégicas como comércio, investimentos, tributação e financiamento climático. E garantir que as iniciativas sejam voltadas à promoção de um desenvolvimento social e econômico mais inclusivo.
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BRICS+ deve buscar ampliar os fluxos comerciais Sul-Sul para além do eixo centrado na China, que já tem consolidada a sua posição como principal parceiro comercial.
Lula durante a sessão de abertura da primeira reunião em preparação para o encontro do BRICS, que ocorre em julho no Brasil. A necessidade de manter laços econômicos com países de histórico controverso, como China e Arábia Saudita, apresenta desafios à coerência da política externa.
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A economia brasileira depende de parceiros comerciais com históricos problemáticos de direitos humanos. A estratégia de equilibrar valores e pragmatismo é um desafio constante para a diplomacia brasileira
Lula discursa durante encontro do BRICS: vácuo de liderança dos EUA é oportunidade de liderança ou risco de perda de relevância para o Brasil.
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Imposições fiscais sem precedentes dios EUA perante seus vizinhos evidenciam uma estratégia transacional coercitiva e força o Brasil a se posicionar como liderança regional, sob o risco de ver sua relevância estratégica reduzida
O Ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira cumprimenta Vladimir Putin durante o encontro de cúpula do BRICS, outubro passado em Kazan: além de apenas recorrer à OMC, país poderia fortalecer cooperações internacionais com outras nações afetadas pelas medidas protecionistas norte-americanas.
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Além de uma reclamação formal à OMC, o país poderia fortalecer cooperações internacionais com outras nações afetadas por medidas protecionistas norte-americanas, consolidando alianças em plataformas como o BRICS
Tradicionais bonecas russas de madeira chamadas Matryoshka representando o presidente da China, Xi Jinping, à esquerda, e o presidente dos EUA, Donald Trump.
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Em vez de servirem como mecanismo de equilíbrio comercial, as tarifas passam a ser empregadas como instrumento de coerção para pressionar decisões políticas e diplomáticas, ampliando a instabilidade global.
Vários líderes mundiais na cúpula do Brics em Kazan, em 24 de outubro de 2024.
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