Plantação de soja nos arredores de Brasília, no coração do cerrado. Em vez de se expandir para proteger também o bioma mais ameaçado do Brasil, a Moratória da Soja - um dos acordos ambientais mais bem-sucedidos já implementados no mundo - perde força por conta da pressão política do setor agrário do vizinho Mato Grosso.
AP Photo / Eraldo Peres
Diante das crises climática e de perda de biodiversidade, compromisso voluntário entre empresas, governos e sociedade civil que evita compra de soja proveniente de áreas desmatadas na Amazônia deveria ser expandido para o Cerrado
Campo de soja avança sobre a floresta nativa, próximo à rodovia Curuá-Una, no Baixo Tapajós, oeste do Pará: estudo realizado pelo autor mostra que o glifosato - herbicida amplamente utilizado nas plantações - produz uma forma lenta de violência química que asfixia pessoas, ecossistemas e modos de vida. Isso força comunidades ribeirinhas a partirem e abre espaço para que a soja avance, causando danos também aos indígenas e quilombolas.
Foto: Bruno Kelly
Fábio Zuker, Instituto Pensi/Fundação José Luiz Setúbal (FJLS)
Estudo sustenta que o uso do glifosato produz uma forma lenta de violência química que asfixia pessoas, ecossistemas e modos de vida. Essa violência força comunidades ribeirinhas a partirem e abre espaço para que a soja avance.
O cerrado, nativo do centro-sul brasileiro, perde território a olhos vistos para o agronegócio: os índices de desmatamento seguem altos neste bioma, em meio a um discurso preservacionista carregado de contradições, que na prática segue estimulando a produção agropecuária em larga escala, com poucos mecanismos de defesa do ambiente afetado por ela.
Foto: Adriano Gambarini / WWF Brasil/ Divulgação
Karina Kato, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) and Sergio Pereira Leite, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Entre o discurso e a prática, país enfrenta contradições que hoje alimentam a fome, aceleram o desmatamento e corroem nosso futuro climático - exigindo uma revisão urgente do atual padrão produtivo e financiado
Professora do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Professor Titular do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)