Fogo na floresta do município amazonense de Careiro Castanho: a Amazônia não é mais impenetrável ao fogo. As mudanças climáticas geram parte dessas alterações, mas não são as únicas responsáveis. O fogo na região é sintoma de uma degradação anterior, e não há uma causa isolada. Há décadas, por exemplo, a transformação da floresta em pastagem e a exploração madeireira vêm contribuindo para deixar a Amazônia mais vulnerável.
AP Photo/Edmar Barros
Ima Vieira, Finep - Financiadora de Estudos e Projetos
A Amazônia não evoluiu com o fogo. Estudos de longa duração mostram que a floresta rebrota depois de queimar, mas por trajetórias que a empobrecem e que comprometem a vida de quem depende dela
Quando as pastagens são abandonadas, a floresta ganha uma nova chance, com o surgimento de capoeiras que podem ajudar a restaurar a biodiversidade e contribuir para a redução do carbono atmosférico.
Margarete Brandão/Wikipedia
Quando as pastagens são abandonadas, a floresta ganha uma nova chance, com o surgimento de capoeiras que podem ajudar a restaurar a biodiversidade e contribuir para a redução do carbono atmosférico
Projeto de reflorestamento na Represa Billings, em São Paulo, que completou 100 anos em 2025: promessa de que a Restauração Ecológica sempre contribui para mitigar a crise climática pode ser enganosa. Se por uma lado é positiva para a biodiversidade, sua aplicação em projetos que visam apenas gerar créditos de carbono pode desestimular a adoção de outras medidas mais efetivas.
Cada vez mais usada para gerar créditos de carbono, a restauração ecológica não é capaz de capturar todo o resultado da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento
Funcionários do ICMBio em atividade de reflorestamento em área afetada pelos incêndios de 2024 na região Centro-Oeste: o termo “matéria escura” da biodiversidade refere-se às árvores e plantas nativas que não voltam ao ecossistema mesmo depois da restauração ecológica. Por esta razão, portanto, preservação continua sendo a melhor solução para perpetuar espécies e ecossistemas.
AP Photo/Eraldo Peres
Atividades de restauração ecológica como refloerstamentos são fundamentais mas sozinhos não são capazes capazes de devolver toda a biodiversidade de uma área degradada. Preservar, portanto, continua sendo a melhor solução
Uma ave sobrevoa a vegetação em chamas do Pantanal: parceria entre o Ministério Público estadual, UFRJ e UFMS definiu áreas prioritárias para a prevenção de incêndios e recuperação de áreas queimadas em toda a Bacia do Alto Paraguai.
AP Photo/Andre Penner
Parceria entre o Ministério Público estadual, UFRJ e UFMS definiu áreas prioritárias para a prevenção de incêndios e recuperação de áreas queimadas no Pantanal e em toda a Bacia do Alto Paraguai