No funeral de um soldado estadunidense morto no Irã, um retrato dos custos militares e sociais que se somam aos prejuízos econômicos globais: em seis meses de guerra, dezoito combatentes morreram e 756 ficaram feridos.
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Transcorrido meio ano, os ataques estadunidenses e israelenses planejados para enfraquecer Teerã acabaram impondo perdas a consumidores, empresas e governos em todo o mundo, sem falar no sofrimento das famílias de militares mortos
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em encontro com a presidente em exercício da Venezuela Delcy Rodriguez, em Caracas, para a assinatura do contrato de exploração: quando um acordo assim se estende por décadas, envolve participação estatal estrangeira, cláusulas de preferência na compra e influência sobre decisões empresariais, a discussão deixa de ser apenas comercial e passa a ser de poder.
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Quando um contrato de exploração se estende por décadas, envolve participação estatal estrangeira, cláusulas de preferência na compra e influência sobre decisões empresariais, a discussão deixa de ser apenas comercial e passa a ser de poder
Petroleiros cruzam o Estreito de Ormuz: Acordo assinado entre EUA e Irã vale por 60 dias, deixa em aberto os pontos mais difíceis das negociações e estende o cessar-fogo ao Líbano sem que Israel tenha assumido compromisso de cessar suas hostilidades. Ou seja, trata-se de um documento ainda frágil, que pode ruir antes de o primeiro navio pagar a primeira taxa.
Foto aérea de Boukhatala Chamseddine / Shutterstock
Guerra entre Estados Unidos e Irã está suspensa por um acordo que libera a passagem por 60 dias. Depois disso, Teerã quer administrar, e cobrar, pelo corredor onde transita um quinto do petróleo do mundo
No centro de Teerã, um cartaz mostrando navios norte-americanos presos por redes de pesca diz, em farsi: “o Estreito de Ormuz permanecerá fechado. Todo o Golfo Pérsico é o nosso território”.
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O direito marítimo internacional convenciona que os países costeiros de estreitos internacionais não podem impedir a passagem de navios. Porém, o Irã não assinou o documento que convenciona tal prática
Os combustíveis são classificados principalmente com base no número de átomos de carbono dos elementos que os compõem: quanto maior o número de átomos de carbono, mais pesado (denso) será o composto.
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O aumento dos preços do petróleo bruto tem um impacto direto na economia global, uma vez que é a base para a geração de energia e para o transporte
Com a guerra contra o Irã pressionando a cadeia de energia no mundo, segurar o preço do diesel nas bombas é prioridade para o governo brasileiro, especialmente em ano eleitoral. Com isso,em vez de ser alocado pelo mercado, o risco da volatilidade do petróleo é transferido para o orçamento público, e a conta chega.
Reuters/Diego Vara/Via Folhapress
O subsídio ao diesel tem efeito econômico real no curto prazo. Diesel mais barato reduz custos ao longo da cadeia produtiva e alivia a pressão sobre o preço dos alimentos. O problema é que o alívio é temporário e o custo é permanente
O iraniano South Pars, maior campo de produção de óleo e gás do mundo, atacado por mísseis israelenses: impacto na produção de hirocarbonetos,aliado aofechamentodo Estreito de Ormuz, faz o mundo enfrentar um choque energético global de graves proporções.
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Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
A segurança energética pertence cada vez mais aos Estados capazes de manter uma parcela maior de sua economia em funcionamento quando o petróleo e o gás são interrompidos, graças a alternativas energéticas mais limpas e diversificadas
Navio petroleiro no Estreito de Ormuz, fechado desde o dia 2 de março: estratégia do Irã demonstra que um país com capacidade militar limitada pode, por meio do controle de um gargalo marítimo estratégico, impor custos econômicos a todo o planeta.
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O controle dos gargalos comerciais marítimos confere um tipo de poder que não depende de orçamento militar nem de arsenal nuclear. Basta ter posição geográfica e disposição para usá-lo
Um homem caminha pelo litoral de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, às margens do Estreito de Ormuz repleto de navios petroleiros parados.
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Para o Brasil e a América Latina, o impacto imediato é um breve alívio nos preços, mas também um alerta sobre vulnerabilidades que afetam desde o diesel utilizado na agricultura até a produção de fertilizantes
Não há um entendimento universal de como o fluido de perfuração como o que vazou na Foz do Amazonas interage com o ambiente marinho: tudo depende das características locais, que ainda precisam ser melhor estudadas.
Foto: Lansat / Nasa
Não há um entendimento universal de como o fluido de perfuração como o que vazou na Foz do Amazonas interage com o ambiente marinho: tudo depende das características locais, que ainda precisam ser melhor estudadas
Manifestantes protestam contra a intervenção americana na porta da embaixada dos EUA em Caracas: as ações militares na Venezuela são uma afronta à soberania do país e ao Direito Internacional, mas não podem ser analisadas isoladamente. Elas se inserem num contexto de transformação mais ampla da geopolítica contemporânea, que passou a dividir espaço com abordagens temáticas mais diversificadas.. AP Photo/Ariana Cubillos.
O ataque à Venezuela traz de volta à tona perspectivas clássicas de poder, e devem ser entendidos menos como objetivos concretos e mais como instrumentos políticos e discursivos de pressão
Pesquisa indica que é preciso adotar políticas ambiciosas de incentivo a veículos elétricos para alcançarmos impactos significativos na emissão de gases poluentes.
Imagem: Freepik
Pesquisa do Programa de Pós-graduação em Engenharia Urbana e Ambiental indica que é preciso adotar políticas ambiciosas de incentivo a veículos elétricos para alcançarmos os impactos necessários na redução de emissão de gases poluentes
Em Berlim, manifestante iraniano acende um cigarro na foto em chamas do aiatolá Ali Khamenei, num gesto simbólico de protesto contra o governo do país que se espalhou pelo mundo, em mais um episódio no qual o Irã se vê ameaçado de nova intervenção estrangeira.
AP Photo / Ebrahim Noroozi
Interferências estrangeiras não são novidade no Irã. Elas têm sido relativamente frequentes e, em geral, penalizaram os próprios iranianos
A Foz do Amazonas, vista do espaço: apesar de o vazamento ter sido de pequenas proporções, a falta de um mapeamento detalhado do fundo do mar nessa região ainda é uma grande lacuna a ser preenchida para se avaliar os reais riscos ambientais provocados pela exploração de óleo e gás na Margem Equatorial do Brasil.
Imagem: Estação Espacial Internacional
Extração de petróleo em águas ultraprofundas é uma atividade de alta complexidade, que se torna ainda mais difícil em razão da dinâmica marinha e da sensibilidade ambiental da região
A empresa petrolífera estatal venezuelana enfrenta problemas relacionados com o envelhecimento das infraestruturas.
Michael Robinson Chavez/The Washington Post via Getty Images
As empresas petrolíferas americanas nunca deixaram de investir e operar na indústria petrolífera da Venezuela, apesar das muitas mudanças nos termos do seu envolvimento
Depósito de plástico no Quênia: Com a demanda triplicada nos últimos 30 anos, alavancada pelo lobby da indústria fóssil, o plástico contamina principalmente países com regulações e/ou capacidades institucionais mais fracas.
AP Photo/Ben Curtis
Estudo brasileiro começou a destacar o papel dos grandes portos marítimos no rastreamento e controle do excesso de plástico que se espalha pelo mundo, apoiado pelo lobby do petróleo
A foz do Rio Amazonas, em imagem de satélite: Por trás da arrecadação imediata com os bônus de assinatura dos contratos de prospecção, o Brasil renova seu compromisso com um modelo energético ultrapassado. Hoje, o país é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, e as emissões relacionadas à exploração e queima de petróleo e gás devem, sozinhas, ultrapassar as metas de redução previstas pela Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) até 2033.
Foto: European Space Agency
A perfuração no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, reforça a contradição entre o discurso climático do governo e a continuidade da expansão fóssil
Fuzileiros navais dos EUA estacionam um avião de combate Lockheed Martin F-35B na Estação Naval Roosevelt Roads, em Porto Rico, em 13 de setembro de 2025. Embora as chances de um ataque e até mesmo de uma mudança de regime estejam aumentando, a estratégia de Washington no curto prazo parece continuar sendo a de pressão sem comprometimento total, usando demonstrações de força, sanções e ataques seletivos para enfraquecer Caracas e, ao mesmo tempo, evitar ser arrastado para uma guerra complicada ou provocar um choque do petróleo.
Kendall Torres Cortés/picture alliance via Getty Images
O aumento da presença militar dos EUA no Caribe levou o presidente venezuelano Nicolás Maduro a responder com exercícios militares
Numa coletiva de imprensa em Caracas, o presidente Nicolás Maduro tenta mostrar que o combate ao narcotráfico, razão alegada pelos EUA para mobilizar navios, tropas e aviões no Caribe Venezuelano, não se sustenta, visto que 87% do fluxo de drogas da América do Sul para os EUA ocorre pelo Oceano Pacífico.
AP Photo/Jesus Vargas
Segundo relatos, militares venezuelanos consideram bastante provável uma operação limitada dos EUA para invadir a Venezuela, sob o pretexto de combater o narcotráfico mas de olho no petróleo e na queda de Nicolás Maduro
Vazamento de óleo em navio de transporte de GNV: permanência de altos subsídios exploração de combustíveis fósseis em países como o Brasil aumentam o consumo de energia poluente, concentram benefícios entre os mais ricos e reduzem o espaço fiscal para políticas sociais mais justas.
Foto: Bluesandisland / Envato
Eliminar de forma programada os subsídios aos combustíveis fósseis seria uma forma eficaz de avançar tanto na agenda ambiental quanto na justiça social, ao permitir que os recursos públicos sejam redirecionados para políticas sociais mais eficientes