A expansão chinesa abriu mercados e trouxe receitas para a América Latina. Porém, vender muito por si só não estimula o desenvolvimento. A disputa entre EUA e China pelos recursos naturais da região pode ser uma oportunidade uma mudança no padrão histórico de troca de commodities baratas por tecnologiaa cara, sem espaço para o devido desenvolvimento de tecnologia e indústria locais.
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Disputa segue sendo por recursos naturais, mas países como o Brasil podem e devem agregar valor às suas commodities e negociar com mais autonomia, para romper posição histórica de meros fornecedores de matéria-prima e compradores de tecnologia
A mina Serra Verde, em Goiás, que extrai neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, essenciais para a produção de imãs usados em equipamentos médicos de alta tecnologia: Brasil possui as segundas maiores reservas conhecidas de minerais críticos do mundo, mas ainda explora pouco esse potencial, o que torna o país um alvo do interesse estadunidense para garantir acesso privilegiado a esses recursos.
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Brasil ganha espaço na disputa internacional por minerais estratégicos, enquanto Senado aprova política para o setor e BNDES financia centro de processamento em Minas Gerais
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na reunião dos ministros das Relações Exteriores do G7 na França, em março. Mas de nada adiantaram os apelos brasileiros. Os EUA taxaram produtos brasileiros em 25%. A imposição das novas tarifas não pode ser compreendida fora do contexto internacional global e da competição por influência, sobretudo econômica, entre a China e os Estados Unidos na América Latina.
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À medida que a disputa geopolítica entre China e Estados Unidos se acirra e os EUA buscam fortalecer sua influência e controle sobre a América Latina, a diversificação será de grande importância para aumentar a resiliência da economia nacional.
Navio da Marinha Real Dinamarquesa patrulha a costa da capital da Groenlândia, Nuuk: interesse de Trump na ilha faz parte da nova configuração geopolítica e econômica mundial.
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Edna Aparecida da Silva, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU)
Houve uma transformação profunda na forma como os EUA articulam poder, economia e segurança. Essa dinâmica tem produzido a exclusão de capitais chineses por meio de participações minoritárias, estruturas societárias indiretas ou projetos classificados como sensíveis do ponto de vista geopolítico
O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, discursa na última Assembleia Geral da ONU, quando a China anunciou sua nova postura diante das regras da OMC, abrindo mão de benefícios destinados a países emergentes: recado claro de que o país quer posição de liderança no comércio mundial.
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Com a decisão de abrir mão dos benefícios disponíveis para países em desenvolvimento, a China assume novas obrigações, o que pode pressionar outros países emergentes do BRICS, como o Brasil, a reavaliar suas reivindicações de status especial
Tradicionais bonecas russas de madeira chamadas Matryoshka representando o presidente da China, Xi Jinping, à esquerda, e o presidente dos EUA, Donald Trump.
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Em vez de servirem como mecanismo de equilíbrio comercial, as tarifas passam a ser empregadas como instrumento de coerção para pressionar decisões políticas e diplomáticas, ampliando a instabilidade global.
Ilustração de astronautas na superfície da Lua: acesso e uso exclusivo de recursos essenciais, como o gelo nas crateras dos pólos lunares, podem ser questionados pelos termos dos tratados e acordos atuais.
Nasa
As nações precisarão caminhar com cuidado na exploração da Lua para evitar conflitos.
Em diversas passagens do documento Project 2025, a China aparece como a inimiga desestabilizadora da América Latina, seja com dinheiro, seja com homens armados na fronteira. O que vemos como discurso norteador para o mandato Trump 2.0 é, portanto, a utilização de um rival geopolítico como argumento para intervenções ilegais na região.
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Para os conservadores, a entrada de países latino-americanos na Nova Rota da Seda é um risco à segurança nacional dos EUA, pois a China poderia extrair e comprar mais barato recursos naturais, conseguir apoio político e diplomático para isolar Taiwan e obter acesso a portos e bases para fins militares.