O estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre, inteiramente alagado durante as inundações que arrasaram a cidade durante o El Niño de 2024: evidências indicam que o fenômeno este ano será ainda mais severo, provocando secas e inundações. Preparar-se antes requer planejamento e organização. Agir depois que a tragédia começou custa muito mais dinheiro - e vidas.
AP Photo/Carlos Macedo
Ainda não se sabe a intensidade exata do fenômeno, mas os sinais são suficientemente consistentes para justificar decisões e planejamento antecipado por parte dos governos e organizações da sociedade civil
Chuvas na Amazônia: estudo om participação de pesquisadores de cinco países investigou como as mudanças climáticas globais e os padrões regionais de uso da terra interagem para influenciar os padrões de precipitação na região sul do bioma até o ano de 2050.
Foto: Fapesp Pesquisa / Rogerio Assis
Estudo com pesquisadores diversos países revelou que as alterações no clima deixam o equilíbrio pluviométrico ainda mais vulnerável às mudanças no uso do solo na Amazônia
Bombeiros e voluntários realizam buscas por pessoas desaparecidas em uma área soterrada por lama e detritos no bairro Paineiras, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Foi a partir desse cenário que pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) fizeram um levantamento sobre como a Câmara Municipal da cidade tem atuado sobre o tema das chuvas ao longo dos últimos 25 anos.
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress
Gustavo Paravizo, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) and Guilherme Duque, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Se as cidades enfrentam eventos climáticos cada vez mais severos, a atuação dos vereadores ganha ainda mais importância. Ter conhecimento sobre o que fazem e como utilizam seus instrumentos legislativos de controle, fiscalização e proposição é fundamental
Vista aérea de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, com áreas mais suscetíveis a deslizamentos previamente demarcadas: um teste do método AHP Gaussiano usou 16 variáveis ambientais e urbanas da cidade, e um inventário detalhado dos deslizamentos ocorridos durante o evento extremo que ocorreu na cidade em fevereiro de 2023.
Imagem: Agência FAPESP
Emprego do chamado AHP Gaussiano permite estimar o grau de suscetibilidade de diferentes regiões a partir da combinação de dados ambientais e urbanos, com menor dependência de julgamentos subjetivos
Elaboração do novo Plano Nacional de Proteção envolveu mais de 4.200 pessoas de 1.187 municípios, conduzidas por uma metodologia participativa e interinstitucional, envolvendo representantes dos três níveis de governo, centros de pesquisa, organizações sociais e comunidades locais.
O novo Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PN-PDC) adota uma abordagem baseada em cenários de risco construídos a partir de dados históricos e diversos indicadores
O deslizamento ocorrido no Morro da Oficina, em 2022, destruiu mais de 80 casas e foi uma das maiores tragédias do gênero ocorridas no Brasil. O uso de retroanálises é o único instrumento capaz de fornecer uma avaliação confiável dos parâmetros de resistência dos materiais envolvidos na ruptura e dos mecanismos responsáveis pela falha, com vistas a ações preventivas contra novas ocorrências.
AP Photo/Silvia Izquierdo
Estudo do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da PUC-Rio traçou um histórico de mortes por deslizamentos no Brasil, entre 1988 e 2022,e apontou que a região Sudeste registrou 3.178 mortes. Destas, 640 foram em Petrópolis
Gotículas sobre folhas de mirtilo: seja em forma de neblina, orvalho, garoa ou mesmo de filmes finíssimos de água condensada, as folhas de muitas espécies de plantas têm uma alta capacidade de absorver água da atmosfera, uma estratégia da natureza ainda pouco estudada, que protege diversos ecossistemas durante períodos de seca.
Foto: Stopabox / Envato
Daniela Boanares, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Absorção da água presente na atmosfera por meio das folhas ainda é um processo pouco ensinado nas escolas, mas pode ser uma ferramenta para gestores ambientais, agricultores e planejadores urbanos que buscam soluções inovadoras e sustentáveis para lidar com a escassez hídrica
Estudo conduzida na Floresta Nacional do Tapajós revelou que a maior parte da água usada pelas árvores para transpirar no período da seca não vem de reservas profundas do solo, mas sim de camadas superficiais.
Foto: Thananit_s/Envato Photos
Estudo conduzida na Floresta Nacional do Tapajós revelou que a maior parte da água usada pelas árvores para transpirar no período da seca não vem de reservas profundas do solo, mas sim de camadas superficiais
Mais de um mês depois das chuvas, bairros de Porto Alegre como o Quarto Distrito (foto) ainda seguiam alagados. Aprender e se preparar para novas ocorrências são obrigações não só do poder público, mas da sociedade como um todo.
Evandro Leal / Agencia Enquadrar/Folhapress
Informações em tempo real, planos de contingência, combate às fake news e engajamento social estão entre os aprendizados que precisam ser extraídos do desastre para minimizar as futuras emergências climáticas
Retrato do isolamento: enquanto o RS permanece alagado, o poder público ainda está longe de usar devidamente os estudos científicos na elaboração de políticas de prevenção.
Pedro Ladeira/Folhapress
Os últimos acontecimentos evidenciam que a ciência precisa estar presente ativamente na elaboração e proposição das políticas de prevenção. Mas a interação entre pesquisa e poder público ainda é complexa e difícil no Brasil
Agente da Defesa Civil em ação em Porto Alegre: não há como superar desastres climáticos sem o entendimento de suas causas. A comunicação de riscos é um instrumento para isso, e deve ser uma política pública, orientada para a construção de uma cultura de prevenção.
oto: Carlos Quadros /Fotoarena/Folhapress
Vários especialistas que atuam em situações de emergência sublinham que o processo de comunicação é um aspecto central para que haja prevenção de riscos e uma reação adequada nos momentos críticos. Porém, na prática, há uma série de lacunas a respeito do tema
A lenta volta para casa em meio à retirada de entulho em São Leopoldo, RS: com a baixa das águas, micro-organismos causadores de doenças emergem da lama e do lixo acumulados.
Pedro Ladeira/Folhapress
Água, lama, lixo, aglomerações em abrigos, animais abandonados: juntos, esses elementos criam condições ideias para uma tempestade perfeita, numa crise sanitária que pode durar muito além das enchentes
Há 9 anos, plano municipal de saneamento já registrava que sistema de proteção contra cheias tinha capacidade de vazão de água 70% abaixo do necessário, com mau estado geral das instalações mecânicas e elétricas de bombeamento de águas pluviais
Vista aérea de Porto Alegre e do rio Guaíba ainda cinco metros acima do nível normal: quando as águas baixarem, medidas de longo prazo não podem repetir os mesmos erros de planejamento, ou novos alagamentos virão.
AP Photo/Andre Penner
Paulo Niederle, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
A reconstrução do Rio Grande do Sul precisa ser planejada em novos moldes, com a adaptação à realidade de fenômenos climáticos cada vez mais intensos e frequentes
A responsabilidade pelo desastre socioambiental no RS não é só da água e do clima. É também do modelo econômico de desenvolvimento que colocou o planejamento ambiental em segundo plano. E a ciência mostra como isso aconteceu.
AP Photo/Andre Penner
A responsabilidade pelo desastre socioambiental no RS não é só da água e do clima. É também do modelo econômico de desenvolvimento, que colocou o planejamento ambiental em segundo plano. E a ciência mostra como isso aconteceu
Água corre para um bueiro em um beco de Los Angeles em 19 de agosto de 2023, durante a tempestade tropical Hilary: abordagem para mitigação de enchentes urbanas envolve projetos inovadores de paisagismo e drenagem para reduzir e retardar o escoamento, permitindo que certas partes da cidade sejam inundadas com segurança diante de condições climáticas extremas.
Citizen of the Planet/Universal Images Group via Getty Images
Cidades nos EUA estão adotando infraestrutura verde, mas de forma fragmentada. Enchentes provocadas pelas mudanças climáticas exigem uma abordagem mais ampla
O campo de futebol do Estádio Beira-Rio, do Internacional, completamente submerso sob as águas do Guaíba: mudanças climáticas agravam exponencialmente as consequências da falta de planejamento ambiental e infraestrutura hídrica e de saneamento.
AP Photo/Carlos Macedo
Reitor da Universidade Federal do Pampa escreve sobre sua experiência na tragédia, e traz uma visão acadêmica sobre as falhas humanas que contribuem para o agravamento da situação