No centro de Caracas, um mapa da Venezuela inclui a região do Essequibo, estratégico na produção de petróleo e que correponde a 70% do território guianês, vem sendo pleiteado há décadas pelo país vizinho. Para proteger a autonomia da região, que também é de seu interesse, o Brasil aprovou um acordo militar com a Guiana.
AP Photo/Matias Delacroix
A escalada Irã-EUA desta semana, a disputa Brasil-EUA na OMC e o impasse no Essequibo mostram que mecanismos híbridos seguem essenciais para reduzir danos mesmo sem solução política definitiva
Integrantes do Comando Vermelho presos em operação policial no Rio de Janeiro: a classificação de uma facção criminosa como organização terrorista estrangeira não constitui apenas uma declaração política. Ela produz efeitos jurídicos concretos, que ampliam os potenciais efeitos da medida para muito além da esfera criminal e pode ter consequências graves à economia do país onde esta organização opera.
Foto: Antônio Lacerda
Mais do que uma discussão sobre terrorismo, o episódio revela uma transformação de outra natureza: a capacidade de alguns Estados de projetar efeitos jurídicos e econômicos para além de suas fronteiras por meio de mecanismos regulatórios, financeiros e de segurança
A tripulação do submarino nuclear Bryansk, da Marinha russa, realizando exercícios no Atlântico Norte: frota passou mais de um mês mapeando cabos e dutos submersos que transmitem dados digitais entre diversos países do Ocidente.
Foto: Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia
É pelos cabos submarinos de fibra ótica que transitam 95% do tráfego intercontinental de dados, e garantir sua segurança é uma tarefa difícil
O paradoxo do Direito Internacional é que seu sucesso é invisível. Quando regras são seguidas, conflitos evitados e acordos cumpridos, não há manchetes. O sistema opera em silêncio e é por isso que funciona.
Foto: Envato
O paradoxo do Direito Internacional é que seu sucesso é invisível. Quando regras são seguidas, conflitos evitados e acordos cumpridos, não há manchetes. O sistema opera em silêncio e é por isso que funciona
No centro de Teerã, um cartaz mostrando navios norte-americanos presos por redes de pesca diz, em farsi: “o Estreito de Ormuz permanecerá fechado. Todo o Golfo Pérsico é o nosso território”.
AP Photo/Vahid Salemi
O direito marítimo internacional convenciona que os países costeiros de estreitos internacionais não podem impedir a passagem de navios. Porém, o Irã não assinou o documento que convenciona tal prática
O poetroleiro russo Arctic Metagaz, sendo rebocado por uma embarcação líbia até as proximidades das águas territorias de Malta, onde agora se encontra novamente à deriva: segundo o WWF, o risco de vazamento de sua carga de petróleo e gás natural em pleno Mediterrâneo é “extremamente elevado e potencialmente irreversível”.
Foto: Marinha da Líbia
Um petroleiro russo à deriva no Mediterrâneo expõe como a fluidez do oceano derrota a rigidez das fronteiras — e quem paga a conta é o ecossistema
Uma coluna de fimnaça sobe no céu do centro de Teerã, após a queda de mais um míssil na guerra de Israel e EUA contra o país. Para explicar por que o BRICS - grupo que defende o direito internacional, surgiu para restringir a hegemonia estadunidense no mundo e tem o Irã como país-membro - ainda não emitiu uma declaração conjunta sobre os ataques, é preciso compreender como o BRICS funciona e como se dá o seu processo de expansão.
AP Photo/Mohsen Ganji
Grupo - que em 2023 se expadiu e incluiu o Irã- ainda não emitiu sequer uma manifestação conjunta sobre o conflito
Navio de guerra ancorado no porto da Base Militar da Ilha Diego Garcia, no Arquipélago dos Chagos, no Oceano Índico: historicamente, presença militar dos Estados Unidos trazia percepção de segurança à população local. Com a guerra contra o Irã, tudo mudou.
Imagem: Marinha dos Estados Unidos/AP Photo
Autor, que nasceu na Ilha Maurício, explica que durante décadas as bases militares americanas carregaram a promessa de estabilidade. Mas, à luz dos conflitos atuais, com o Irã bombardeando bases nos países do Golfo, isso torna-se questionável
Marinheiros iranianos feridos resgatados do navio de guerra IRIS Dena, do Irã, são escoltados até um hospital do Sri Lanka.
EPA/Chamila Karunarathne
Regras de combate naval foram desenvolvidas ao longo dos séculos, à medida que os Estados buscavam regular a condução de conflitos no mar e, ao mesmo tempo, permitir que as marinhas operassem de forma eficaz
Estados projetam seu poder de controle migratório muito além de suas fronteiras geográficas, transformando o mar em uma zona difusa de governança onde os direitos dos migrantes ficam permanentemente suspensos.
AP Photo/Sergi Camara
Nova dinâmica global de controle migratório cria um limbo jurídico no mar, onde os direitos dos refugiados ficam suspensos
Na fronteira com o México, a presença das Forças Armadas no controle à imigração ilegal já é intensa. Mas o seu emprego contra cartéis, sob a alegação de que são grupos terroristas, afetam questões de soberania, pilar do direito internacional que confere a cada Estado a autoridade exclusiva sobre seu território e população.
AP Photo/Ross D. Franklin
O caminho juridicamente mais sólido é o consentimento expresso do país onde ocorrerão as operações, com acordos que estabeleçam limites claros, mecanismos de responsabilização e salvaguardas de direitos humanos
Juízes na Corte Internacional de Justiça, em Haia, Holanda: No direito internacional, a conduta americana configura ingerência em assuntos internos de outro Estado, o que viola os princípios fundamentais da soberania e da independência dos poderes políticos e judiciais nacionais.
Foto AP/Peter Dejong)
Há uma intenção declarada dos EUA de coagir o Brasil por meio de medidas sancionatórias. O Estado brasileiro tem fundamentos jurídicos para contestar a legalidade dessas ações perante a CIJ.
Manifestantes iranianos queimam bandeiras de Israel e dos EUA durante um protesto para condenar os ataques israelenses em várias cidades do Irã, em Teerã, na sexta-feira, 20 de junho de 2025.
AP Photo/Vahid Salemi
A justificativa de Israel se baseia em uma ameaça futura, ou seja, na possibilidade de que o Irã estaria desenvolvendo arma nuclear. Contudo, o direito internacional é claro: ameaças potenciais não configuram, por si sós, um ataque armado.
Embora a lei permita que uma guerra continue até que o agressor se renda, ela não legitima a destruição completa do território onde o agressor está lutando. O princípio da proporcionalidade também oferece proteção aos civis. As ações militares devem ser direcionadas às forças estrangeiras que lançaram o ataque, não aos civis.
Jehad Alshrafi/AP
Muitas nações concordaram que Israel tinha o direito à autodefesa após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Agora é discutível se essa defesa ainda se mantém 20 meses depois
Durante a Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam e desfolharam vastas áreas de florestas e manguezais protetores.
AP Photo
As dioxinas nocivas do Agente Laranja, usadas para retirar as folhas das florestas, ainda permanecem no solo. O trabalho de restauração tem sido lento, e a paralisação da USAID pode atrasá-lo ainda mais.