Chuva sobre a cúpula da Câmara dos Deputados, na Praça dos Três Poderes: excesso de foco dos eleitores e da mídia na eleição presidencial prejudica a noção de que a responsabilidade para com a estabilidade política e econômica do Brasil é dividida igualmente entre Executivo e Legislativo, com mediação do Judiciário - o que torna as eleições para o Congresso tão ou mais importantes do que para o Palácio do Planalto.
Eurico Zimbres / Wikimedia Commons
A mudança vai depender de propostas claras e de cidadãos que continuem cobrando resultados depois da eleição. Transformar o Brasil exige instituições que funcionem e uma participação que não termine na urna
Protesto em frente ao Congresso por demarcação de terras indígenas, em outubro de 2025: apesar de numerosa, amplamente divulgada pela mídia e apoiada por grande parte da opinião pública, a defesa do ambiente e a luta contra as mudanças climáticas ainda perde feio dentro das casas legislativas para os interesses do agronegócio e do setor de energia fóssil - encorajados pela ambiguidade do governo quanto ao tema.
AP Photo / Eraldo Peres
Estudo mostra contradições complexas: muitos brasileiros têm opinião favorável à preservação, mas compartilham conteúdos falsos sobre o clima, o que favorece os interesses do agronegócio e do setor de energia fóssil
Barricadas em protestos de comunidades contra violência policial: pela redação proposta pelo deputado Guilherme Derrite, a conduta de “obstruir a ação policial” mediante “obstáculos físicos ou incêndios”, mesmo sem qualquer vínculo com o tráfico, sujeitaria esses cidadãos a uma pena mínima de 12 anos - a mesma pena mínima de um homicídio qualificado.
Projeto em discussão no Congresso acerta ao atacar financiamento de facções, mas erra na aposta no encarceramento e traz riscos para a democracia
Aprovação, com pedidos de alteração e retorno ao Senado, foi um caso raro de acordo entre governo e oposição, mas alguns deputados conservadores, que seguram a bandeira da família e da religião, se opuseram ao projeto que prevê a regulamentação das redes sociais para proteger crianças e adolescentes de abusos, incluindo pedofilia.
Foto: Agência Brasil
Arthur Coelho Bezerra, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) and David Nemer, University of Virginia
PL que que regula redes sociais para crianças e adolescentes foi aprovado com restrições e voltará para o Senado. Os votos contrários à medida que visa proteger crianças de abuso e pedofilia vieram de deputados que ostentam a bandeira da religião e da família