Atiradores disfarçados flagrados por câmera de segurança no momento em que atiravam contra a ex-mulher de Fernando Cerimedo, na Bolívia: atuação do ex-estrategista político que tinha relações com Milei, Bolsonaro e outros políticos ultra conservadores revela que a rede de projetos da extrema-direita na América Latina não é apenas ideológica, mas sobretudo comercial.
Imagem: Reprodução de TV
Com atuação nas campanhas de Milei, Bolsonaro e outros expoentes de extrema-direita latino-americanos, Cerimedo operou redes de contas falsas e explorou algoritmos para disseminar narrativas falsas e influenciar eleições
Apesar de assumirem maior projeção agora, desentendimentos entre os presidentes da Argentina e do Brasil ocorrem há algum tempo. Começaram em 2019, com o desalinhamento ideológico dos governos de Alberto Fernández e Jair Bolsonaro. Agora seguem entre Lula e Milei, em polos invertidos.
AP Photo/Natacha Pisarenko
André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Entre convocações de embaixadores para consultas e rebaixamento das relações, crise diplomática entre os dois países reflete tensões políticas acumuladas há anos
Resultado das eleições colombianas evidencia uma América do Sul mais polarizada, atravessada por redes conservadoras transnacionais e convertida em campo vital de disputa entre grandes potências. A eleição brasileira de 2026 será, portanto, também uma disputa sobre o lugar do Brasil no mundo e sobre o grau de autonomia que o país conseguirá preservar.
AP Photo / Rodrigo Abd
Resultado revela a consolidação de uma nova fase da política externa sulamericana: mais polarizada, mais permeável ao trumpismo e mais exposta à disputa entre Estados Unidos e China
Protestos em La Paz: caos social no país é resultado de diversos descontentamentos que, no campo popular, têm como inimigo comum o presidente Rodrigo Paz.
AP Photo /Juan Karita
Contudo, mesmo em meio às divisões recentes, um elemento atravessa os diferentes setores mobilizados: a construção de Rodrigo Paz como novo inimigo comum do campo popular
O ultradireitista Abelardo de la Espriella discursa após vitória no primeiro turno das eleições presidenciais: advogado penalista de 47 anos, De la Espriella ficou famoso na Colômbia por defender paramilitares e figuras ligadas ao tráfico de drogas, e construiu sua campanha como uma estratégia que inclui palavrões em discursos, roupas militares e frases de efeito que viralizam nas redes sociais.
AP Photo/Ivan Valencia
Eleição colombiana mostra que a disputa no continente não é apenas entre esquerda e direita — é também entre modelos diferentes de poder, segurança e relação com a democracia
O presidente Rodrigo Paz, em entrevista coletiva no dia 20 de maio de 2026: de político moderado e de consenso, Paz tornou-se rapidamente um governante sustentado pelos interesses da extrema-direita internacional. Nesse fenômeno reside a origem da crise econômica e dos protestos que tomam conta do país.
AP Photo / Juan Karita
Clayton Cunha Filho, Universidade Federal do Ceará (UFC); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) and Débora Thomé, Fundação Getulio Vargas (FGV); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Ninguém se arrisca a prever o desfecho da situação no país. O que se sabe é o presidente Rodrigo Paz não renunciará por vontade própria, pois as elites que chegaram ao poder com ele têm muito a perder
Representantes de movimentos sociais e trabalhadores enfrentam a polícia nas ruas de La Paz: falta de soberania sobre recursos naturais, inequidade no ajuste fiscal e nebulosidade nas alianças geopolíticas são questões sobre as quais o Brasil precisa ficar cada vez mais atento.
AP Photo / Juan Karita
A assimetria econômica boliviana — mais sacrifício para os pobres, mais alívio para os ricos — é um padrão recorrente na América Latina, que o país andino atualiza com nitidez perturbadora
Imigrante venezuelana tenta exibir bandeira do país ao presidente Donald Trump, durante cerimônia em que o presidente rump virou nome de rua em Palm Beach, na Flórida: intervenção no país foi uma advertência quanto à manutenção do poder estadunidense na América Latina, e um laboratório para testar até onde alcança o “big stick” da Doutrina Donroe.
AP Photo/Julia Demaree Nikhinson
Invasão do país sul-americano expõe de forma contundente a distância entre a retórica normativa da política externa dos EUA e a prática de um poder que se autoriza a violar, quando lhe convém, as regras elementares do direito internacional
Na imagem divulgada nas redes sociais da Procuradora-Geral do governo americano Pam Bondi, um helicóptero da Marinha dos EUA intercepta petroleiro que estava a serviço da Venezuela: interesse de Trump no país parece ser mais político e econômico do que propriamente militar.
U.S. Attorney General's Office/X via AP)
Pelo menos por enquanto, as ameaças contra a Venezuela não se traduzem em preparação concreta para uma operação militar de grande escala, e soam mais como pressão política pela deposição de Maduro, com vistas aos interesses comerciais americanos no país
Um canal pré-hispânico canaliza a água das montanhas para os campos agrícolas. Crenças, comportamentos e normas antigas foram integrados às soluções tecnológicas nessa parte do Peru nos tempos antigos. O isolamento e a remoção das ferramentas desse conhecimento as tornaram menos eficazes.
Ari Caramanica
As práticas antigas contêm lições importantes para os agricultores que enfrentam terras áridas, mas, em geral, elas eram mais complexas do que as sociedades modernas imaginam. A perda das geleiras aumenta o desafio atual.
Sob ataque crescente da oposição e da maior parte da comunidade internacional, Maduro se perpetua no poder aliando popularidade com ações controversas de controle político, repressão e apoio econômico da China e da Rússia.
AP Photo/Matias Delacroix
Oposição e grande parte da comunidade internacional, liderada pelos EUA, apontam reforma constitucional recém-anunciada como novo artifício do governo para fortalecer o chavismo às custas de repressão e perpetuação no poder
Famílias inteiras de imigrantes - a maioria da Colômbia, Venezuela e Haiti - arriscam suas vidas e perdem todas as suas economias na tentativa de atravessas o estreito rumo aos EUA, guiados por coiotes do principal grupo de narcotraficantes da Colômbia.
AP Photo/Ivan Valencia
Mais de meio milhão de pessoas fizeram a traiçoeira travessia por terra entre as Américas do Sul e Central em 2023 - muito mais do que em anos anteriores.
Desde o século 19, Venezuela e Guiana disputam por território. Em 3 de dezembro de 2023, eleitores venezuelanos aprovaram a anexação de grande parte da região. A disputa se acirrou por conta da descoberta de gigantescas jazidas de petróleo na área.
Guilherme Tosetto/Folhapress
Exploração de petróleo tornou a Guiana o país que mais cresce no mundo. Para a Venezuela, controlar o território pode significar ganhos econômicos expressivos.
Professora, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) ; Fundação Getulio Vargas (FGV); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)