No mês da conscientização dos tumores ginecológicos no Brasil, pesquisadores do INCA alertam que estima-se 9.650 novos casos por ano no país até 2028
Tratamento contra o câncer que mais mata no mundo migrou dos recursos tradicionais para uma combinação personalizada de biologia molecular, inteligência de dados e escolhas terapêuticas cada vez mais refinadas.
Ilustração: Willamette Valley Cancer Institute
Tratamento migrou dos recursos tradicionais para uma combinação personalizada de biologia molecular, inteligência de dados e escolhas terapêuticas cada vez mais refinadas
A daraxonrasibe, primeira terapia-alvo dirigida às proteínas RAS aprovada para o câncer de pâncreas pela agência reguladora dos Estados Unidos, esteve associado a uma redução de 60% no risco de morte. A sobrevida mediana subiu de cerca de seis meses com a quimioterapia padrão para 13 meses com a novaterapia.
Foto: Envato
A daraxonrasibe, primeira terapia-alvo dirigida às proteínas RAS aprovada para o câncer de pâncreas, esteve associado a uma redução de 60% no risco de morte
Se o câncer de ovário for diagnosticado de forma precoce, a sobrevida em cinco anos é superior a 90% e a cirurgia é, geralmente, o único tratamento necessário. O uso de ferramentas de IA como a que está em estudo pelo Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional do INCA pode aumentar os percentuais de diagnóstico precoce.
Imagem: Magnific/Freepik
Através da análise de microRNAs circulantes no organismo, tecnologia é capaz de estimar com mais precisão o risco de evolução do câncer de ovário mais agressivo
Pesquisas mostram que tumores degradam ATP liberado por células danificadas e criam um ambiente favorável para se proliferar. Bloquear esse processo reduziu a adesão e migração em células de câncer de fígado, indicando um possível novo alvo terapêutico.
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Jose Roberto Meyer Fernandes, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB)
Pesquisas mostram que tumores degradam o ATP liberado por células danificadas e criam um ambiente favorável para se proliferar. Bloquear esse processo reduziu a adesão e migração em células de câncer de fígado, indicando um possível novo alvo terapêutico
De medicamentos eficientes contra tumores no pâncreas a intervenções tão simples e baratas quanto um programa de exercícios físicos estão entre as novas armas inovadoras contra a doença.
Ilustração gerada com auxílio de IA por IASExam / IAS Academy
De medicamentos eficientes contra tumores no pâncreas a intervenções tão simples e baratas quanto um programa de exercícios físicos estão entre as novas armas inovadoras contra a doença
Imagem meramente ilustrativa de células cancerígenas atacando cadeias de DNA: pesquisas inovadoras estão desenvolvendo proteínas híbridas para aumentar a especificidade e evitar efeitos colaterais de terapias oncológicas.
Imagem: Envato
Matheus S. S. Paqui, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Daniele Cocco Durigon, Universidade Estadual de Londrina (UEL), and Hernán Terenzi, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB)
Pesquisas desenvolvem proteínas híbridas para aumentar a especificidade e evitar efeitos colaterais de terapias oncológicas
Laços de fitas coloridas, símbolos da prevenção a diferentes tipos de câncer e outras doenças: no primeiro levantamento nacional representativo sobre o que os brasileiros sabem, pensam e fazem em relação à questão, foram ouvidos 6.566 adultos de todo o país entre setembro e outubro de 2025. A crença de que o câncer é inevitável pode representar uma barreira silenciosa à adoção de comportamentos protetores.
Imagem: Ministério da Saúde
Até 40% dos cânceres podem ser evitados com mudanças de comportamento e de exposição ambiental. A crença de que a doença é inevitável pode representar uma barreira à adoção de atitudes que protegem
Cientistas brasileiros decifram o paradoxo da proteína p53, que é essencial para prevenir o câncer, mas tem uma fragilidade essencial em seus genes.
Imagem: reprodução de microscópio eletrônico / Wikipedia
Guilherme C. de Andrade, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB); Guilherme A. P. de Oliveira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB), and Jerson Lima Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR); Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB)
Cientistas brasileiros decifram o paradoxo da proteína p53, que é essencial para prevenir o câncer, mas tem uma fragilidade essencial em seus genes
Diferentemente da genética, a microbiota intestinal é altamente modulável, e a alimentação exerce papel central nesse processo. Dietas ricas em fibras, com consumo regular de frutas, verduras, legumes, grãos integrais e sementes, favorecem o crescimento de bactérias benéficas.
Imagem: Envato
Estima-se que entre 70% e 80% das células do sistema imunológico estejam localizadas na parede intestinal
Há projeção de aumento em 21% no número de casos de câncer colorretal entre 2030 e 2040. Este impulsionamento deve-se pelo envelhecimento populacional, dietas ricas em alimentos ultraprocessados, sedentarismo e obesidade.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Estudoestimou 635.253 mortes por câncer colorretal entre 2001 e 2030, correspondendo a 12,6 milhões de anos potenciais de vida produtiva perdidos, e perdas de produtividade da ordem de US$ 22,6 bilhões
Apesar dos altos custos de produção, a CAR-T, uma imunoterapia personalizada, tem avançado como um tratamento revolucionário em todo o mundo. Iniciativas atuais buscam baratear os custos no Brasil e somam esforços para sua implementação futura no SUS.
Imagem: DC Studio/Freepik
A reconstrução mamária costuma ser apresentada às mulheres como um complemento quase automático à mastectomia. É o que ouço e constato quando faço atendimentos em consultório privado. No entanto, a literatura científica mostra que menos de um terço das mulheres brasileiras submetidas à mastectomia se submetem à reconstrução mamária imediata. O percentual é ainda menor entre usuárias do SUS,
As inovações da medicina são fundamentais para o avanço do cuidado, mas o estilo de vida também influencia muito a prevenção, o tratamento e as taxas de sobrevivência.
Foto: Freepik
As inovações da medicina são fundamentais para o avanço do cuidado, mas o estilo de vida também influencia muito a prevenção, o tratamento e as taxas de sobrevivência
Representação em 3D de células imunológicas atacando uma célula tumoral: foco do projeto CARTHIAE, do Hospital Albert Einstein, é desenvolver a tecnologia de células CAR-T com foco tanto na aplicação clínica da terapia quanto no desenvolvimento de um modelo nacionalizado de produção, capaz de ampliar o acesso aos pacientes e reduzir custos.
Imagem: Divulgação / Hospital Albert Einstein
Nelson Hamerschlak, Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein
A terapia de células CAR-T é uma modalidade avançada de tratamento oncológico que consiste em coletar células do sistema imune do próprio paciente e modificá-las geneticamente para que elas sejam capazes de reconhecer e atacar células tumorais
Em 2023, o Brasil sancionou a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, um marco ao estabelecer diretrizes para reduzir incidência, mortalidade e desigualdades no tratamento. Mas sem financiamento estável, governança, metas e monitoramento, a perspectiva positiva diante da nova lei tende a aprofundar a frustração de muitos pacientes, especialmente os de menos recursos.
Foto: Envato
Carlos Gil Ferreira, Instituto Oncoclínicas de Ensino, Pesquisa e Educação Médica Continuada
A resposta a esse dilema deve pautar os próximos passos no panorama do câncer no Brasil e no mundo. Se a ciência continuar avançando sem um projeto claro de acesso, entraremos na rota de uma medicina brilhante mas injusta
Um grande percentual de pacientes de câncer no Brasil desconhece os direitos existentes para reduzir custos e facilitar acesso a tratamentos e auxílios.
Imagem: Freepik
Historicamente, o conceito de “direito do paciente” foi reduzido a auxílios sociais e isenções fiscais. Essa visão distancia o paciente do mais importante: o acesso ao tratamento e à qualidade de vida
Plantas tradicionalmente utilizadas em terreiros e sistemas de medicina ancestral, as espécies do gênero Kalanchoe ilustram como saberes historicamente marginalizados têm se mostrado cientificamente relevantes na pesquisa contemporânea sobre o câncer.
Reprodução
Conhecidas também como Aranto ou Folha Miraculosa, espécies de plantas do gênero Kalanchoe são usadas no tratamento de diversos tipos de inflamação e exemplificam a profundidade e a sofisticação dos saberes tradicionais brasileiros no combate a doenças complexas
Mapear o território tumoral pode abrir caminhos para terapias mais precisas: novas ferramentas como a transcriptômica espacial revelam por que o contexto do tumor faz diferença.
Imagem: American Chemical Society
Nova geração de tecnologias começa a revelar algo até então invisível e essencial tanto para a pesquisa como para o tratamento do câncer: onde os genes estão ativos dentro dos tecidos doentes?
O laço rosa, símbolo da luta contra o câncer de mama: estudo conduzido pelos autores deste artiugo analisou dados de 63.663 mulheres diagnosticadas com câncer de mama invasivo entre 2012 e 2019.
Foto: WBMUL / Envato
Em câncer de mama, tumores diagnosticados em fases iniciais têm maiores chances de cura e exigem tratamentos menos agressivos. Quando o diagnóstico atrasa, o tratamento se torna mais complexo e a sobrevida diminui
Pesquisadora Titular, líder do Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional e docente do programa de pós-graduação em Oncologia do INCA, Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Professor Adjunto no Departamento de Genética e Biologia Molecular da UniRio e docente colaborador do Programa de Pós-graduação em Biociências da Uerj, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Analista de RWD na Roche, focado na geração de evidências estratégicas a partir de dados complexos de saúde e Engenheiro de Bioprocessos e Biotecnologia, Universidade Estadual Paulista (Unesp)
professor Titular do Departamento de Biofísica e Biometria, Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)