Pesquisa analisou dados de 2010 a 2020, e constatou que áreas com piores indicadores socioeconômicos apresentaram maior mortalidade pela doença. No entanto, dados sobre internações apresentam padrão diferente, sugerindo desigualdade no acesso e nas condições de vida.
Foto: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
Pesquisa mostra que distritos administrativos mais vulneráveis da cidade de São Paulo concentram maior mortalidade
O modelo atual de gestão cumpriu um papel importante na implantação e na expansão do SUS, mas já não responde mais às demandas de uma população que envelheceu, convive com doenças crônicas e precisa de uma rede articulada de cuidados.
Ilustração gerada por IA / Envato Labs
O modelo de financiamento existente hoje ainda é capaz de responder às necessidades do sistema de saúde brasileiro?
Mulher usando a Chola, traje típico de muitas indígenas andinas, é examinada por uma equipe de médicos em La Paz, durante a pandemia: resultado do estudo comparativo sobre a eficiência dos serviços de saúde pública e privada na América Latina nos últimos dez anos mostrou que o Brasil, embora tenha um volume de investimentos grande, ainda carece de uma distruição mais eficiente destes recursos, em comparação com outros países.
AP Photo/Juan Karita
Brasil fica a dever no quesito, e principal desafio está na eficiência da utilização dos recursos disponíveis, e não necessariamente na insuficiência de investimentos
Unidade hospitalar vinculada à Ascispes (Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes), um dos mais relevantes consórcios públicos de saúde de Minas Gerais. Pesquisa sobre seus 25 anos de atuação mostrou que o sucesso institucional nem sempre reduz conflitos. Em determinadas circunstâncias, pode até ampliá-los. E só a cooperação intermunicipal é capaz de neutralizar as disputas políticas.
Foto: Acispes / Divulgação
Avaliação de 25 anos de atuação de um importante consórcio público de saúde em Minas Gerais mostrou que o sucesso institucional nem sempre reduz conflitos. Em determinadas circunstâncias, pode até ampliá-los
Lançado em 2013, o Grand Challenges Brazil financiou 26 projetos voltados para a geração de evidências e inovação com foco na saúde materno-infantil e da mulher. Um estudo publicado este ano listou prós e contras do programa.
Foto: Grand Challenges Brazil
Elize Massard da Fonseca, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP)
Programa financiado pela Fundação Gates conseguiu levar a pesquisa científica ao SUS. O problema é como ela conseguiu e o que isso revela sobre as falhas do nosso sistema público de fomento
O Sistema de Antecipação de Surtos com Potencial Pandêmico (ÆSOP) usa dados de vendas de medicamentos isentos de prescrição em farmácias para emitir sinais de alerta de surtos antes do aumento das hospitalizações.
Imagem: Divulgação / ÆSOP
Vigilancia baseada em venda de medicamentos e atendimentos
Uma vacina nova, ao ser incorporada ao Sistema Único de Saúde, continua sendo acompanhada após os estudos clínicos e a autorização regulatória. Ensaios clínicos são indispensáveis, mas não reproduzem integralmente a complexidade da vida real nem detectam todos os eventos raríssimos.
Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Suspensão temporária da vacina é uma demonstração de maturidade institucional, de responsabilidade sanitária e de compromisso com a vida.
Cientista política norte-americana destaca como líderes empresariais e grupos comunitários de todo o Brasil se mobilizaram para combater as mensagens antivacinas do governo populista de direita de Jair Bolsonaro na época da pandemia de COVID-19, e ajudar no desenvolvimento e na distribuição de vacinas.
Wang Tiancong/Xinhua via Getty Images
Um forte sentimento de pertencimento levou empresas e cidadãos a defender o sistema público de saúde do país dos ataques do governo populista de direita de Jair Bolsonaro
O bom desempenho do SUS não pode ofuscar o debate sobre o seu financiamento. O Brasil investe, proporcionalmente ao PIB, menos recursos públicos em saúde do que outros países com sistemas universais semelhantes. Essa limitação estrutural ajuda a explicar muitas das fragilidades atribuídas ao sistema, frequentemente interpretadas como falhas de gestão, quando na realidade refletem escolhas políticas de longo prazo.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A criação do SUS, em 1990, rompeu com a desigualdade vigente ao garantir acesso universal e gratuito aos serviços de saúde, independentemente de renda, emprego ou local de moradia. Hoje, o sistema é a única alternativa para 75% da população
Pesquisa da Unesp indica que portadores do vírus que têm 50 anos ou mais apresentaram maior efetividade terapêutica, refletida em desfechos virológicos e imunológicos mais favoráveis, do que aqueles observados em adultos mais jovens.
Foto: Erasmo Salomão / Ascom Ministério da Saúde
Pesquisa da Unesp indica que portadores do vírus que têm 50 anos ou mais apresentaram maior efetividade terapêutica do que em adultos mais jovens
Mulheres congolesas durante um protesto contra a xenofobia e a violência sobre imigrantes no Rio de Janeiro: no Congo, o sistema de saúde funciona mediante pagamento após a consulta, e casos graves são absorvidos pelo Estado. Já no Brasil, apesar de gratuito, o SUS tem uma lógica burocrática que confunde essas mulheres. Muitas não entendem por que precisam esperar tanto tempo por uma consulta urgente. E a barreira da língua muitas vezes as impede de compreender o que está acontecendo.
Imagem: Arquivo / AP Photo
Depois de deixarem a África por conta de conflitos armados e violência política, refugiadas do Congo enfrentam descaso, barreira linguística, racismo e desigualdade de gênero no acesso aos serviços de saúde do SUS
Máquina automática de acesso gratuito a medicamentos e materiais de prevenção ao HIV instalada numa estação de metrô em São Paulo: estudo aponta que a divulgação das campanhas regulares de profilaxia contra o vírus tem sofrido com a redução da percepção de gravidade da Aids junto à população, o recrudescimento do discurso conservador e o desmonte das políticas de saúde sexual entre 2019 e 2022.
Estudo aponta que a divulgação das campanhas regulares de profilaxia contra o vírus tem sofrido com a redução da percepção de gravidade da Aids junto à população, o recrudescimento do discurso conservador e o desmonte das políticas de saúde sexual entre 2019 e 2022
O câncer permanece como a segunda principal causa de morte no mundo. No Brasil, as projeções são de 704 mil novos casos de câncer por ano.
Imagem Freepik
Thaís Spiegel, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Apesar das dificuldades impostas pela ausência de dados completos e em tempo real, estimar corretamente a incidência de câncer é uma tarefa essencial. A doença permanece como a segunda principal causa de morte no Brasil e no mundo
A nova Estratégia de Medicina Tradicional, lançada pela OMS, legitima práticas como acupuntura, fitoterapia, medicina ayurvédica, medicina chinesa tradicional e medicina antroposófica como campos válidos de cuidado - desde que devidamente estudados e contextualizados.
Imagem: Ninelutsk, via Envato
Ricardo Ghelman, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Documento da OMS representa o reconhecimento oficial de que sistemas médicos tradicionais devem fazer parte da resposta contemporânea aos desafios de saúde, desde que embasados em evidências científicas
Os resultados da pesquisa promovida pelo CNPq revelam aspectos cruciais sobre quem são os pacientes “raros” do Brasil, um universo estimado entre 7 e 16 milhões de pessoas.
Foto: Freepik
Rede RARAS, inquérito epidemiológico, financiado pelo CNPq, entrega primeiro estudo nacional sobre os pacientes com doenças raras no país
Muitos hospitais seguem utilizando medicamentos mais antigos, menos eficazes, mesmo quando já existem alternativas melhores, reconhecidas e recomendadas pelo próprio Ministério da Saúde. É um retrato de como o descompasso entre as diretrizes e a prática afeta quem está em tratamento.
Lalo de Almeida/Folhapress
Dos 95 hospitais que responderam ao questionário do Oncoguia, apenas 64 enviaram documentos com dados detalhados, sendo que a maioria não informou protocolos completos para os tumores mais frequentes. Em câncer de pulmão, por exemplo, terapias alvo e imunoterapias recomendadas desde 2013 permanecem ausentes na maioria dos serviços, que seguem baseados em quimioterapia tradicional.
Consultório em uma Unidade Básica de Saúde em Paranoá (DF): estudo mostrou que mais de 1,1 milhão de internações hospitalares poderiam ter sido evitadas em 2014 se país tivesse uma rede de cuidados intermediários.
Myke Sena/Ministério da Saúde
Rede Básica mais robusta, com escopo ampliado de ações, poderia evitar mais de 1,1 milhão de internações por condições sensíveis à atenção primária no país
Mulheres esperam para fazer exames numa unidade móvel de mamografias durante as ações do Outubro Rosa deste ano em Brasília, DF.
AP Photo/Matias Delacroix
Mulheres cujas mamografias indicam lesões suspeitas - e que deveriam receber prioridade - enfrentam em média mais de 60 dias de espera para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento
Equipe de cirurgiões durante um transplante de coração: com a crescente terceirização de procedimentos médicos efetuados via SUS, é crucial para a administração pública fortalecer mecanismos de monitoramento e fiscalização para assegurar que as escolhas dos serviços sejam baseadas em critérios técnicos, transparentes e voltados para o interesse público.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
Elize Massard da Fonseca, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP) and Guilherme Nogueira Bittar Celestino, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP)
Caso do laboratório PCS Lab Saleme evidencia que a presença de interesses partidários e pressões econômicas nas contratações de serviços de saúde compromete a segurança dos pacientes e a credibilidade do funcionamento do SUS
O Ministro da Saúde do Brasil, Carlos Gadelha, fala em um debate sobre saúde e mudanças climáticas na Assembleia Mundial da Saúde: experiência brasileira com o SUS serviu de referência para relatório com orientações sobre participação social em políticas de saúde no mundo.
Antoine Tardy / OMS
Helena de Moraes Achcar, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP)
Por seu histórico em participação social em políticas públicas no setor, especificamente no SUS, Brasil foi referência para o documento elaborado pela OMS durante o evento
Médica psiquiatra e Doutoranda em Ciências Humanas e Saúde pelo Instituto de Medicina Social IMS Hesio Cordeiro (IMS), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Doutor em Estudos Brasileiros e pesquisador de jornalismo científico, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP)
Membro do Conselho Científico do Instituto Oncoguia, professor e chefe da disciplina de uro-oncologia, Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC