Cacique da aldeia Tekoa Mboy-Ty ministra aula de guarani em Camboinhas, região oceânica de Niterói, no Rio de Janeiro: além da presença marcante na geografia urbana e na cultura cotidiana de cidades do Estado de São Paulo, a língua se espalha pelo Brasil, mostra-se cada vez mais viva e justifica demanda por reconhecimento oficial.
Foto de Rafael Andrade/Folhapress
A relação entre língua e território - que é especialmente marcante no Estado de São Paulo mas também está presente em diversas regiões do Brasil - é um dos argumentos mais fortes para o esforço de reconhecimento patrimonial do guarani
Silvania Oro Eo’ Cabixi entrevista sua avó Maria Pin Wa Oro Win na aldeia São Luiz, para elaboração de um dicionário: o uso de tecnologias como smartphones, tablets ou computadores, ainda que incipiente, já é uma realidade em muitas comunidades indígenas.
Foto: Joshua Birchall
Para Matheux Schwartzmann, a língua influencia o modo como pensamos e reagimos ao mundo. Uma linguagem dicotômica e sexista pode produzir mais sexismo, criando um projeto excludente de nação
Nas ilustrações de Jean-Baptiste Debret e Etienne Arago, a máscara de Flandres, usada nos séculos 18 e 19 para impedir que escravizados comessem e bebessem, também simboliza a repressão histórica às línguas africanas e indígenas no Brasil.
Reprodução de imagens de domínio público
Embora oficialmente o Brasil tenha apenas o Português e a Língua Brasileira de Sinais como idiomas oficiais, dezenas de línguas indígenas e africanas seguem sendo faladas no país, sem o devido reconhecimento
Mulheres negras da ala das baianas da escola Unidos de Padre Miguel, punida no carnaval de 2025 por ter usado muitas palavras em iorubá no seu samba-enredo: castigo contradiz tradição antiga do carnaval e confronta influência poderosa e ancestral das línguas da diáspora africana no português falado no Brasil, desde o século XVII.
Foto: Marco Terranova / Riotur
Longe do que se imagina a partir da situação linguística contemporânea, o português custou muito a se impor como a língua de colonização no Brasil
Indígena Pataxó da Bahia interage com indígena norte-americana durante o evento “Vozes Indígenas das Américas”, ocorrido no início do mês em Washington: povos indígenas brasileiros e suas línguas e culturas são desconhecidos da maioria da população, que pouco sabe sobre a sua diversidade linguística.
AP Photo/Jacquelyn Martin
Brasil já teve mais de mil línguas indígenas sendo faladas. A maioria morreu por causa da extinção dos povos e da falta de políticas que as valorizassem e as fortalecessem. Hoje são cerca de 180
Sala de aula em uma escola de surdos brasileira: visão capacitista, que força o aprendizado da língua oral com auxilio de tecnologias corretivas, prejudica o desenvolvimento de uma identidade linguística e cultural mais aprofundada entre os surdos.
Divulgação/Gabriel Valentin
A língua brasileira de sinais - Libras - não é a única língua de sinais usada nas comunidades surdas do país. A mesma visão equivocada de prevalência do monolinguismo português no Brasil atinge também as nossas comunidades surdas.
Chave para desvendar o mistério de como conseguimos entender e comunicar um elemento tão difuso como o tempo com tão pouco esforço está na forma como usamos nossa compreensão do espaço - uma dimensão com a qual interagimos de forma tangível - para conceituar o tempo.
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