Sem uma inflexão clara na lógica orçamentária conduzida atualmente pelo Congresso brasileiro, o país seguirá condenado a um subdesenvolvimento dependente e socialmente excludente.
Ilustração gerada por IA, via Envato Labs
Fábio Guedes Gomes, Fundação Alagoana de Amparo à Pesquisa (Fapeal) and Márcio de Araújo Pereira, Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap)
Ampliação da participação orçamentária das emendas parlamentares impactará diretamente na educação superior. Área de Ciência, Tecnologia e Inovação perdeu aproximadamente R$ 490 milhões em relação à Lei Orçamentária aprovada em 2025
A crença da ciência como puramente racional é uma visão idealizada: diversidade e inclusão não comprometem a objetividade e o rigor científico
O objetivo do evento é convergir diagnósticos, identificar caminhos de cooperação e estruturar uma agenda para 2026 que amplie a estabilidade do financiamento científico e aprimore práticas de governança. Presença de convidados internacionais permitirá observar como diferentes países se estruturaram para estimular a filantropia científica.
Foto: Amenic181 / Envato
Com desafios históricos no financiamento da pesquisa e a entrada de novos atores no campo, seminário reunirá pesquisadores, universidades e fundações para discutir os caminhos para consolidar a filantropia em apoio à ciência brasileira
Sobrevoando o Atlântico, imagem tirada do avião com a curvatura da Terra no horizonte.
Juan Antonio Aguilar Saavedra
A curvatura da Terra pode ser vista de um avião. Um antigo dilema resolvido com matemática básica e antiterraplanista.
Carl Sagan junto de uma imagem da sonda espacial Voyager, missão da Nasa que ajudou a concretizar: por meio de uma linguagem poética e emotiva, ao longo dos 13 episódios da série ele deslocou a transcendência e espiritualidade características das religiões para o empreendimento científico.
AP
Apresentada pelo astrônomo Carl Sagan, a obra manifesta uma visão poética e espiritualista da ciência e influenciou gerações de cientistas de várias áreas
Segundo o autor, avaliar ciência não significa apenas medir resultados objetivamente. É também definir o que vale, legitimar certas práticas e induzir comportamentos.
Foto: Allatsyganova / Envato
O desafio não é imaginar uma avaliação neutra, que não é possível, mas pensar um sistema que não adoeça pesquisadores e que incentive a pluralidade, a reflexão crítica e a busca genuína por conhecimento.
‘Realizar um doutorado me fez refletir ainda mais sobre meu papel na sociedade como mulher, negra, de origem humilde. Como profissional de saúde e educadora, tornando-me uma das muitas que rompe um ciclo histórico, sendo a primeira da família a ingressar num curso superior e a primeira a seguir na pós-graduação’, reflete a Doutora em Ecologia, Conservação e Biodiversidade da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em seu depoimento.
Foto: Arquivo pessoal
Doutoranda reflete sobre as adaptações que ela, assim como as raízes que estuda, precisa fazer para crescer como pesquisadora mulher, negra, de origem humilde, profissional de saúde e educadora
Ulysses Paulino de Albuquerque (à esqueda) e Rodrigo Felipe Rodrigeus do Carmo: dois professores universitários, homens pretos forjados em trajetórias distintas de resistência em suas experiências de vida como acadêmicos no Brasil: “Romper o paradigma da colonização mental é um passo fundamental para uma prática verdadeiramente antirracista, sobretudo em espaços historicamente forjados pelo elitismo — como é o caso da universidade”, afirmam.
Montagem com foto de Bruno Dias e imagem de acervo pessoal.
Políticas afirmativas como o sistema de cotas são fundamentais, mas não bastam: é preciso ampliar as vozes da população preta na produção e circulação do conhecimento científico
Maria Fernanda no laboratório em Manaus, onde estudou o tambaqui num cenário climático projetado pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas para o ano de 2100.
Foto disponibilizada pela autora
A desigualdade regional na ciência é evidente: apesar do trabalho de qualidade que desenvolve, a região Norte recebe apenas 3,6% dos investimentos em Ciência e Tecnologia no Brasil
Sancionada em 30 de julho de 2025, lei que proíbe o uso de animais vertebrados vivos em testes de cremes, xampus e outros produtos cosméticos satisfaz uma expectativa crescente por práticas mais humanizadas no setor e demonstra amadurecimento da relação entre ciência e indústria no Brasil.
Foto: Freepik
Sancionada em 30 de julho de 2025, lei que proíbe o uso de animais vertebrados vivos em testes de cosméticos reflete uma expectativa crescente por práticas mais humanizadas e demonstra amadurecimento da relação entre ciência e indústria no Brasil
Um bebê poderia nascer no espaço? Em teoria, sim. Mas até que possamos proteger os embriões da radiação, evitar o nascimento prematuro e garantir que os bebês possam crescer com segurança em microgravidade, a gravidez no espaço continua sendo um experimento de alto risco, que ainda não estamos prontos para tentar.
Lidiia/Shutterstock
Criar um bebê no espaço parece coisa de ficção científica. Veja por que isso pode continuar assim.
Experimentos de ganho de função em laboratório podem ajudar os pesquisadores a se anteciparem aos vírus que naturalmente adquirem a capacidade de infectar pessoas na natureza.
KTSDesign/Science Photo Library via Getty Images
Da imunoterapias contra o câncer e antibióticos a culturas transgênicas e vigilância de pandemias, o ganho de função é um pilar da pesquisa básica
Crises climáticas, perda de biodiversidade, desigualdade social, instabilidade política e avanços descontrolados em inteligência artificial formam um cenário em que simplesmente “saber mais” já não basta. Precisamos de uma ciência que produza conhecimento com impacto social e ambiental.
Imagem: Envato Labs
Lara Ramos, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) and Gaston Kremer, World-Transforming Technologies (WTT)
A crise de financiamento e o crescimento de desafios globais pressionam por uma ciência mais colaborativa, inclusiva e orientada ao impacto.
A publicação de um livro com dezenas de citações falsas por uma das maiores editoras do mundo não é mero acidente: é consequência direta de um sistema que terceiriza a responsabilidade científica, automatiza etapas fundamentais da curadoria do conhecimento e recompensa mais quantidade e prestígio do que a qualidade.
Imagem criada com IA via Envato Labs
A publicação de um livro com dezenas de citações falsas por uma das maiores editoras do mundo, a gigante Springer, é consequência de um sistema que terceiriza a responsabilidade científica
Enquanto tramita na Alesp projeto de lei - elaborado exclusivamente pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento - que propõe desvalorizar e desestabilizar a carreira de pesquisador científico, o governador Tarcisio de Freitas sancionou a lei que torna a Marcha para Jesus patrimônio cultural do Estado de São Paulo.
Raul Luciano/Ato Press/Folhapress
Projeto de lei complementar 9/2025 propõe a extinção da carreira atual de pesquisador científico, substituindo-a por um novo modelo com menor estabilidade, sem garantias de progressão por tempo de serviço e sem Regime de Tempo Integral
A biomédica Helena Nader, o climatologista Carlos Nobre e a física da Marcia Barbosa: três exemplos raros de grandes cientistas brasileiros formados num país ainda às voltas com poucos investimentos em inovação.
Fotos de Eduardo Knapp (Folhapress), Tiziana Fabi (AFP) e divulgação do Prêmio UNESCO Women in Science
Embora os brasileiros reconheçam a importância da ciência e da tecnologia, a maioria de nós não consegue lembrar os nomes dos nossos cientistas e instituições de pesquisa mais importantes
Manifestantes gritam palavras de ordem enquanto marcham durante um protesto “Hands Off!” contra o Presidente Donald Trump, no sábado, 5 de abril de 2025, em Nova Iorque.
AP Photo/Andres Kudacki
A imposição de restrições ao financiamento de pesquisas que abordam temas considerados polêmicos ou que desafiam a agenda política do governo pode ter um efeito inibidor sobre a inovação e o pensamento crítico
Mentira na ciência: Como o cidadão comum pode indentificar resultados falsos apresentados em artigos científicos de baixa qualidade ou gerados para disseminar informações falsas? Para responder a essa questão, é preciso entender como funciona a validação das ideias científicas.
Imagem: The Conversation Brasil, gerada por IA
Como saber se um achado científico é verdadeiro? Alguns indícios podem ajudar a diferenciar a boa da má ciência
A base da astronomia babilônica foi mantida em um livro chamado MUL.APIN, que significa “A Estrela do Arado”, o nome de uma constelação. Ele registrava as posições das estrelas, quando no ano elas seriam visíveis pela primeira vez, os caminhos do Sol e da Lua, os períodos em que os planetas estariam visíveis no céu noturno e outros conhecimentos astronômicos fundamentais.
mikroman6/Moment via Getty Images
A ciência usa observações e testes cuidadosos e organizados para criar teorias que são registradas, transmitidas a outras pessoas e desenvolvidas.
Caixa preta: A complexidade cada vez maior do funcionamento das novas tecnologias de Inteligência Artificial começa a ser tão difícil de ser rastreada pela inteligência humana que levanta questões sobre a confiabilidade do conhecimento gerado por essas ferramentas.
Yuichiro Chino/Getty Images
Reflexões sobre a origem e a confiabilidade do conhecimento gerado por IA não dizem respeito apenas às implicações éticas das Big Techs, mas também à conduta moral de quem é comprometido com a legitimidade da pesquisa científica
Prof. de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade Federal de Alagoas (Feac/Ufal), diretor presidente, Fundação Alagoana de Amparo à Pesquisa (Fapeal)