Nobel de Medicina de 2026 premia a optogenética, técnica que permite ligar e desligar neurônios com luz. E tudo começou com uma pergunta que parecia não servir para nada
A proteína prion existe em todos nós. Ela fica ancorada na superfície das células, sobretudo no cérebro, e tem funções normais que ainda não conhecemos por completo. O problema não é a proteína existir: é ela mudar de forma. A mesma sequência de aminoácidos, sem nenhuma alteração genética, pode se dobrar de um jeito diferente e, a partir daí, começar a se empilhar em fibras que se acumulam no tecido nervoso. Isso é o que torna as doenças priônicas como a Creutzfeldt-Jakob diferentes.
Tuane Vieira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB); Universidad del Algarve
Pesquisa coordenada por brasileiros sugere que a resposta pode estar nas condições da membrana onde o prion está ancorado
Pesquisadores da PUC-Rio estudam aplicações de Inteligência Artificial Explicável para identificar, classificar e interpretar sequências de peptídeos - pequenas sequências de aminoácidos que podem ser liberadas a partir das proteínas dos alimentos ou por processos de síntese e design racional - que tenham potencial atividade antioxidante.
Image; Freepik/Magnific
Pesquisadores da PUC-Rio têm estudado o uso de Inteligência Artificial Explicável para identificar, classificar e interpretar sequências de peptídeos com potencial atividade antioxidante
Eleitor de Bolsonaro vota com dois símbolos emblemáticos da extrema-direita brasileira: a camisa da seleção em dia de eleição, e o boneco do presidente Lula com roupa de presidiário: é preciso investigar o processo que forma bolhas e ondas na política contemporânea. Para o escritor e cientista político Sergio Abranches, ele tem três dimensões: afetiva, valorativa e político-ideológica.
AP Photo/Eraldo Peres
Nenhum governo, hoje, de qualquer convicção política, em qualquer sociedade democrática, tem condições de satisfazer ao povo descontente e desconfiado. No campo democrático, o mais provável é a alta rotatividade, com aumento de governantes que não se reelegem
Alguns participantes de um ensaio clínico recebem um medicamento experimental, enquanto outros recebem um comprimido de placebo: este é um exemplo de “grupo de controle”, mas em estudos observacionais pode haver outros tipos de “controle”.
Spencer Weiner/Los Angeles Times via Getty Images
Entender o que é um “controle” e como eles são usados na ciência pode ajudar a avaliar o quão relevantes são os estudos e seus resultados
A mesa diretora da Câmara dos Deputados, presidida por Ulisses Guimarães, no dia da assinatura da Constituição de 1988, que consolidou as bases da condução política, social e econômica brasileira por mais de 30 anos. Para o cientista político Guilherme Casarões, essa era terrmina com a supremacia conquistada pela extrema-direita no Congresso nestas eleições de 2026. E, mesmo que Lula se mantenha no poder Executivo, a democracia brasileira seguirá por rumos ainda imprevisíveis.
Foto: Arquivo Congresso Nacional
O projeto político que surgiu em meados da década de 1980, a partir dos escombros de uma ditadura militar de 21 anos no Brasil, chegou ao fim, e a questão agora é entender o que virá em seu lugar
Flávio Bolsonaro, no discurso após os resultados do primeiro turno: liderança no pleito presidencial e domínio histórico do Congresso exige do grupo político bolsonarista e seus aliados um respeito pela democracia que não foi demonstrado em derrotas do passado.
Gabriela Biló/Folhapress
Débora Thomé, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) ; Fundação Getulio Vargas (FGV); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Uma vez terminadas as eleições, para a manutenção da democracia, será preciso cuidar da solidez das instituições para muito além de garantirem eleições limpas
Posando ao lado do então presidente Jair Bolsonaro, José Acácio Tsererê, suposto integrante do povo Xavante, ganhou notoriedade ao ser apontado como o pivô da confusãp que resultou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Seu caso revelou à sociedade a existência de ativistas indígenas - ou autodeclarados indígenas - com atuação política inspirada nas visões ultraconservadoras do bolsonarismo. Visões estas que incluem o descaso pela preservação ambiental e pela defesa dos povos originários.
Foto: Reprodução / Instagram
Pesquisadores da Universidade de Viçosa estudam conteúdo postado nas redes sociais para traçar perfil ideológico destes candidatos e suas afinidades com as pautas conservadoras e bolsonaristas
Na projeção de algoritmos usados por pesquisadores da USP e da Univesidade de Pittsburgh, a bancada da direita passaria das atuais 380 para 365 cadeiras no plenário. A esquerda subiria de 115 para 131. E o centro cairia de 18 para 17. A projeção, portanto, não aponta para uma mudança significativa na distribuição ideológica da Câmara, mas indica um ligeiro avanço da esquerda no parlamento brasileiro.
Foto: Ascom / Câmara dos Deputados
Projeção feita por pesquisadores da USP e da Universidade de Pittsburgh aponta para um discreto avanço da esquerda no parlamento
Um dos cartazes da campanha à presidência de Portugal do deputado de extrema-direita André Ventura, em 2025, que continham provocações xenófobas e racistas. O deputado não venceu as eleições, mas seu partido, o Chega, pulou de apenas um representante no Parlamento Português em 2020 para 60 em 2026, e já é a segunda mairor bancada do país.
Foto: Reprodução / Site do partido Chega
Parece impossível não ver ou não reconhecer a sua presença cada vez mais forte em diversos países – mas muita gente ainda nega a existência de um movimento globalmente articulado de ultradireita
O secretário de Estado Marco Rubio, cuja atuação desperta desconfianças no próprio Congresso Americano sobre possível interferência no processo eleitoral do Brasil: a tentativa de um país de influenciar a política interna de outro não é nenhuma novidade. A diferença é que as plataformas digitais agora oferecem uma velocidade e uma camuflagem inéditas para ações do tipo. E o alvo desses ataques não são máquinas, mas sim o próprio debate público, que é inundado por desinformações que corroem a confiança nas instituições democráticas e deformam a percepção dos cidadãos.
Imagem: AFP, via Folhapress
Pesquisas revelam que ameaça eleitoral não atinge somente urnas, mas também sequestra debate público, usando polarização para corroer confiança nas instituições democráticas
A frente de uma geleira encontra o mar na Antártica: o manto de gelo do continente contém água suficiente para elevar o nível global do mar em cerca de 58 metros.
Qiyue Sun
O futuro do manto de gelo da Antártica depende do desenrolar de uma cadeia de eventos, e um novo estudo mostra que as evidências apontam para uma única direção
Consequências da tempestade que atingiu a região de Valência, na Espanha, em 2024: em um cenário em constante mudança, seja no clima, na geopolítica ou na tecnologia, os parâmetros de décadas anteriores não servem mais, tampouco o planejamento e a gestão clássicos de crises.
Vicente Sargues/Shutterstock
Marc Homedes, Generalitat de Catalunya; UOC - Universitat Oberta de Catalunya; Universitat Pompeu Fabra
Em um mundo marcado pela incerteza constante e pelo avanço das mudanças climáticas, da inteligência artificial e dos conflitos geopolíticos, os paradigmas do passado já não servem mais para responder às crises
Com as eleições, país tem nova oportunidade de reforçar o setor da pesquisa, da tecnologiae e da inovação como base para responder aos desafios globais e fortalecer sua soberania.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Helena B. Nader, Academia Brasileira de Ciências (ABC); Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Com as eleições, país tem nova oportunidade de reforçar a pesquisa científica como base para responder aos desafios da atualidade e fortalecer sua soberania
O plenário do STF durante o julgamento do caso do Banco Master, que deflagfrou a maior crise de confiança da história do tribunal, às véperas de uma eleição. No passado recente, o Supremo já mostrou ser maior do que um presidente da República que tentou submetê-lo. Agora precisa provar que a legitimidade conquistada não se renova sozinha.
Foto: Agência Brasil
Marjorie Marona, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Pedir o fechamento da Corte, intimidar ministros e retaliar decisões são ameaças. Discutir conflitos de interesse, poder monocrático e privilégios é cobrança legítima
Inteligência artificial, ameaça real: estudo da Universidade de Stanford encontrou sinais de que a IA já começa a afetar o mercado de trabalho norte-americano, sobretudo entre trabalhadores jovens em ocupações mais expostas à automação. Os autores observaram uma redução das oportunidades de entrada justamente nas atividades em que a IA pode substituir, e não apenas auxiliar, o trabalho humano.
Foto: Envato
Cristian Arão, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Os sistemas atuais estão ficando melhores em programação, matemática, linguagem e planejamento. Nada disso demonstra que estejam ficando mais conscientes. E a IA não precisa ganhar vida para se tornar perigosa. Basta que nós lhe entreguemos poder suficiente
Secretário-geral da ONU de longa data, ele poderia ter feito mais para proteger as pessoas mais vulneráveis do mundo
No debate eleitoral brasileiro, propostas fiscais frequentemente ficam presas a uma falsa escolha entre “cortar gastos” (pelo lado da direita) e “gastar mais” (pelo lado da esquerda). Essa simplificação pouco contribui para entender a sustentabilidade das contas públicas.
No debate eleitoral brasileiro, propostas fiscais frequentemente ficam presas a uma falsa escolha entre “cortar gastos” (pelo lado da direita) e “gastar mais” (pelo lado da esquerda). Essa simplificação pouco contribui para entender a sustentabilidade das contas públicas
As redes sociais não criaram o espaço democrático que se esperava para disputas eleitorai.. Pelo contrário, pesquisa realizada pelo autor mostra que candidatos homens que já detinham maior capital e eram da classe política foram aqueles cujas campanhas digitais ganharam maior engajamento. Candidatos com poucos recursos eleitorais estiveram ausentes das redes ou receberam engajamento significativamente menor.
Imagem: Envato
Estudo demonstra que as redes sociais reproduzem formas históricas de desigualdade e exclusão. E esse quadro pode piorar com as novas políticas de moderação de conteúdo da Meta, que permitiram maior circulação de conteúdo político em suas plataformas
Ressentimento social diante das políticas redistributivas; reação moral aos escândalos de corrupção; avanço do conservadorismo religioso e emergência do bolsonarismo estão etre as diversas porém difusas razões que sustentam a alta rejeição ao partido no Brasil.
Foto: Reprodução de TV
Mariana Chaise, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Ressentimento social diante das políticas redistributivas; reação moral aos escândalos de corrupção; avanço do conservadorismo religioso e emergência do bolsonarismo estão etre as diversas porém difusas razões que sustentam a alta rejeição ao partido no Brasil.
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)