Soldados vigiam uma estrada na Colômbia: Operação Carbono Oculto no Brasil é um exemplo de resposta mais eficaz, tratando o crime organizado como um sistema incorporado à economia, e não apenas como uma ameaça armada nas ruas.
Raul Arboleda/AFP via Getty Images
Robert Muggah, Instituto Igarapé; Princeton University
Medidas repressivas podem coibir algumas formas de atividade das gangues sem, no entanto, desmantelar suas estruturas econômicas
Integrantes do Comando Vermelho presos em operação policial no Rio de Janeiro: a classificação de uma facção criminosa como organização terrorista estrangeira não constitui apenas uma declaração política. Ela produz efeitos jurídicos concretos, que ampliam os potenciais efeitos da medida para muito além da esfera criminal e pode ter consequências graves à economia do país onde esta organização opera.
Foto: Antônio Lacerda
Mais do que uma discussão sobre terrorismo, o episódio revela uma transformação de outra natureza: a capacidade de alguns Estados de projetar efeitos jurídicos e econômicos para além de suas fronteiras por meio de mecanismos regulatórios, financeiros e de segurança
Nova PEC da Segurança Pública - que poderá ajudar na integração entre as forças de segurança do país - é mais uma tentativa de mudar a legislação e uma prática recorrente que agora bateu um recorde histórico: desde a Constituição de 1988, o Brasil já registra mais de 20,4 mil tentativas de alterações da legislação na área da segurança.
Foto: Eduardo Anizelli / Folhapress
Desde a constituição de 1988, o país já registra mais de 20,4 mil tentativas de alterações da legislação na área da segurança
Fiscal do Procon de São Paulo atua durante a crise de adulteração por metanol, que já teve 17 casos confirmados no país até a primeira semana de outubro de 2025: falta crônica de repressão adequada contra as redes de fabricantes, engarrafadores e distribuidores ilegais é a raiz de um problema que se arrasta desde o século passado - e que só se agravou com o fim do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) em 2016.
Foto: Danilo Verpa/Folhapress
Substância que matou consumidores e segue colocando vidas em risco e espalhando pânico no país não chegou às garrafas por acaso: é consequência de uma cadeia de negligências e oportunidades criminais
Fardos de cocaína com um peso aproximado de 5,2 toneladas e um iate apreendidos numa base da Marinha Portuguesa em Almada, a sul de Lisboa, em 2021. Autoridades afirmam que estão sendo apreendidas quantidades recordes de cocaína na Europa.
AP Photo/Armando Franca
Relatórios indicam a existência de estruturas para tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e até movimentação de armas, que podem impactar a segurança interna de Portugal e de outros países do continente europeu.