O princípio do controle extremal é semelhante ao de um cozinheiro que experimenta o sabor da comida a cada novo tempero. O sistema faz pequenas perturbações — muda um pouco o parâmetro de controle — e observa como o desempenho varia. Se a mudança melhora o resultado, o sistema continua nessa direção. Se piora, ajusta para o lado oposto. Com o tempo, ele se aproxima do ponto ótimo.
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O controle extremal oferece uma alternativa simples e poderosa: em vez de depender de equações complexas, ele aprende diretamente com a experiência, testando pequenas variações e observando o resultado
Segundo a universidade, documento publicado no começo de outubro teve a intenção de orientar sobre os limites e responsabilidades do uso da ferramenta
Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza: novas diretrizes sobre uso de IA divulgadas pela universidade não representam avanço na integração crítica dessas tecnologias. Ao contrário, optam pelo controle em detrimento de uma perspectiva pedagógica e formativa.
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Abordagem excessivamente restritiva e punitiva adotada por certas universidades sobre o uso de Inteligência Artifical em trabalhos de pesquisa de pós-graduação demonstra uma visão reducionista do potencial das ferramentas atuais
O estudo “Consultando o ‘Doutor Google’: como a busca digital por informações de saúde influencia a relação médico-paciente” entrevistou 200 pacientes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Cerca de 85% deles buscavam informações sobre sua saúde em buscas online.
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Médico residente no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP revela o que aprendeu ao participar de estudo que levantou as razões que levam pacientes a buscarem informações e tratamentos de saúde por conta própria na internet
Vivemos uma cultura de imediatismo, dominada pela emoção sem compreensão, pela expressão sem reflexão. Os alunos, e cada vez mais todos nós, corremos o risco de nos tornarmos editores do que já foi dito, onde o futuro é construído apenas a partir de fragmentos reciclados dos dados de ontem.
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O excesso de confiança nos chatbots pode estar corroendo nossas habilidades de linguagem e pensamento crítico.
Um centro de dados em construção na província chinesa de Guizhou, em 2018: bunkers de dados de hoje revelam o surgimento de uma nova ameaça existencial endêmica à sociedade digital, a terrível perspectiva da perda de dados.
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Bunkers, abrigos antiaéreos, minas e montanhas desempenham papéis fundamentais na proteção contra nossa mais recente ameaça existencial: a terrível perspectiva da perda de dados.
Segundo o filósofo italiano Luciano Floridi, o desencontro entre os aspectos naturais e práticos da IA parece corroborar a tese de que Inteligência Artificial não diz respeito à capacidade de reproduzir o pensamento humano, mas sim à capacidade de abrir mão dele. Ela seria então uma forma de agir que não precisa ser inteligente para ter sucesso.
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Para alguns pensadores, a IA atual é apenas uma simulação de inteligência, baseada em correlações estatísticas e padrões de dados, sem compreensão real do mundo. E uma simulação de inteligência não é sinônimo de inteligência de fato
Para se manter insubstituível, a psicanálise deve se concentrar não na manipulação sintática de significantes, mas na escuta do desejo, no manejo do afeto, na construção de sentido compartilhado. Mesmo abordagens que valorizam o sistema fechado da linguagem devem reconhecer que o que a Inteligência Artificial ainda não tem é justamente o que constitui a experiência psicanalítica: desejo, sentido e afeto. Por isso, a psicanálise não pode ser reduzida a um algoritmo.
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Com a crescente popularidade de terapias automatizadas que reivindicam referências à psicanálise, é urgente que a própria psicanálise se posicione, e explique porque um chatbot não pode ser usado como terapeuta
O excedente limpo e barato de energia do lado paraguaio de Itaipu tornou-se alvo natural para uma nova forma de exploração hídrica e territorial. Em vez de impulsionar a industrialização local ou atender às necessidades sociais da população, essa energia passaria a sustentar infraestruturas digitais controladas por corporações estrangeiras. Fica claro que o atual governo americano visa apropriar-se de nossos recursos para sustentar projeto de domínio digital sustentado por infraestrutura alheia, energia barata e soberanias enfraquecidas.
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Empresas como Google, Amazon e Microsoft já reportaram que seus maiores gargalos operacionais para expansão de IA estão na escassez de energia disponível. Datacenters consomem enormes volumes de água para resfriamento
Perfil da “Dra. Rosemary Galbraith” no Facebook: um exemplo de almanaque das fraudes cada vez mais sofisticadas que usam a Inteligência Artificial para ludibriar clientes, que podem perder não apenas tempo e dinheiro, mas a própria vida, com promessas falsas de curas e tratamentos milagrosos.
Reprodução/ The Record
Ergon Cugler, Fundação Getulio Vargas (FGV) and Camila Modanez, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Com as novas ferramentas, qualquer rosto ou voz pode ser sequestrado. Qualquer autoridade médica, jornalística ou científica pode ser falseada para vender produtos e tratamentos fraudulentos, colocando até a vida das vítimas em risco.
O consumo passivo de conteúdo gerado por IA pode desestimular a curiosidade intelectual, reduzir a capacidade de atenção e criar uma dependência que limita o desenvolvimento cognitivo de longo prazo.
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A IA fornece respostas claras e refinadas em segundos. Embora esses resultados possam ou não ser precisos, eles são inegavelmente eficientes. Isso já levou a grandes mudanças na forma como trabalhamos e pensamos.
Os vídeos feitos por IA inauguram uma nova fase das teorias da conspiração. Antes, elas se espalhavam por texto, áudio, fóruns obscuros ou vídeos com edições suspeitas. Hoje, elas vêm renderizadas em 4K, com linguagem de divulgação científica, ritmo de storytelling e estética de jornalismo investigativo.
Reprodução
Ergon Cugler, Fundação Getulio Vargas (FGV) and Camila Modanez, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Com ferramentas de IA, qualquer pessoa pode transformar delírios em vídeo com qualidade cinematográfica. O que antes era descartado como devaneio hoje ganha seguidores e gera dinheiro. É aprofissionalização da conspiração.
Uma plataforma de petróleo ancorada para manutenção nas águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro: modelos de aprendizado de máquina treinados com dados reais e de simulações podem ser validados, testados e têm potencial para transformar a forma como monitoramos e gerenciamos poços de exploração de petróleo.
Foto: Renato Meireles / Envato
Departamento de Engenharia Química e de Materiais da PUC-Rio desenvolve soluções tecnológicas que usam a IA para aumentar a eficiência dos processos, reduzir os custos operacionais e ampliar a segurança das operações em óleo e gás
Luis Eduardo Tavares, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A emergência de riscos inéditos de intervenções externas, como um possível cenário eleitoral em 2026 dominado pela manipulação de vídeos de IA, evidencia que a política tecnológica é também disputa por soberania e justiça social
A publicação de um livro com dezenas de citações falsas por uma das maiores editoras do mundo não é mero acidente: é consequência direta de um sistema que terceiriza a responsabilidade científica, automatiza etapas fundamentais da curadoria do conhecimento e recompensa mais quantidade e prestígio do que a qualidade.
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A publicação de um livro com dezenas de citações falsas por uma das maiores editoras do mundo, a gigante Springer, é consequência de um sistema que terceiriza a responsabilidade científica
Alphafold, a ferramenta baseada em IA que projeta em 3D as estruturas de praticamente todas as proteínas conhecidas no planeta, está entre os exemplos de tecnologias disruptivas que estão mudando a forma como conduzimos a pesquisa biomolecular.
Imagem: Christoph Burgstedt/Science Photo Library
Debate sobre o tema busca identificar oportunidades concretas para o avanço científico e tecnológico do Brasil, especialmente em áreas críticas para sua soberania e desenvolvimento sustentável
Cliente utiliza totem com recursos de Inteligência Artificial numa lavanderia no Largo do Arouche, em São Paulo: país já tem um mosaico de leis decorrentes das novas tecnologias, mas falta uma norma específica para IA. O que está longe de ser um problema só nosso. O impasse é global.
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress
Katia Augusta Maciel, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) and Inês Maciel, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
O desafio é monumental: como equilibrar inovação, soberania nacional, direitos fundamentais e segurança jurídica sem cair no velho dilema do “jeitinho”?
Quando os modelos de Inteligência Artificial afirmam “estar pensando” sobre um problema, o que fazem é apenas gerar probabilisticamente mais texto com base em valores intermediários de processamento, não necessariamente relatando os processos computacionais usados para chegar à resposta.
Ilustração: Business Wire via AP
Ao projetar capacidades humanas em sistemas como o ChatGPT, corremos riscos diversos. Entender como essas tecnologias funcionam é essencial para seu uso responsável
Relação do Brasil com as Big Techs detentoras das tecnologias de IA está fazendo o país pagar caro por sistemas que não desenvolvemos, que não controlamos e que, muitas vezes, não respondem aos nossos interesses sociais, econômicos ou estratégicos.
Imagem: Envato AI
Ergon Cugler, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
Plataformas como OpenAI, Meta, Google e Microsoft tomam decisões constantes sobre o que seus sistemas podem ou não fazer, com base em critérios opacos
Marisa Maiô: resultados impressionantes gerados por novas ferramentas de Inteligência Artificial já provocam controvérsia no mercado do audiovisual e também na publicidade. Personagem, surgida há menos de um mês, já foi utilizada por uma rede varejista numa campanha comercial. Sem remuneração ao seu criador.
Imagem: Reprodução Veo 3
O vídeo de Marisa Maiô representa um marco ético em nossa relação com conteúdos gerados por IA. Quando o absurdo se apresenta de forma tão convincente e frequente ele deixa de causar estranhamento e passa a ser entendido como parte usual da subjetividade.