Fogo na floresta do município amazonense de Careiro Castanho: a Amazônia não é mais impenetrável ao fogo. As mudanças climáticas geram parte dessas alterações, mas não são as únicas responsáveis. O fogo na região é sintoma de uma degradação anterior, e não há uma causa isolada. Há décadas, por exemplo, a transformação da floresta em pastagem e a exploração madeireira vêm contribuindo para deixar a Amazônia mais vulnerável.
AP Photo/Edmar Barros
Ima Vieira, Finep - Financiadora de Estudos e Projetos
A Amazônia não evoluiu com o fogo. Estudos de longa duração mostram que a floresta rebrota depois de queimar, mas por trajetórias que a empobrecem e que comprometem a vida de quem depende dela
Pesquisa mostra que florestas tropicais da América do Sul, como a Amazônica, deixaram de absorver carbono durante o El Niño de 2015-2016: corremos o risco de testemunhar perdas de árvores e de carbono em escalas nunca antes vistas em repetição do evento climático extremo prevista para este ano.
Teo Tarras / Shutterstock
Algumas das florestas tropicais da América do Sul deixaram efetivamente de absorver carbono durante o El Niño de 2015-2016
Em abril, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) aboliu o parque, apesar das evidências de que as reivindicações de terras eram ilegais. Levantamento feito pela UFMT identificou 60 espécies de anfíbios, 82 de répteis, 39 de peixes e 38 mamíferos, 12 das quais são consideradas ameaçadas de extinção.
Marcos Amend
Philip Fearnside, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
A pedido de uma empresa, o Tribunal de Justiça do Mato Grosso decidiu eliminar uma unidade de conservação no estado. A decisão ameaça a biodiversidade e favorece o desmatamento
Anciã indígena da etnia Baniwa carregando mandioca em seu aturá (cesto) e cana-de-açúcar, ambos retirados de sua roça, na Terra indígena Alto Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Amazonas.
Foto: Glenn Harvey Shepard Jr. (2018)
Modificações milenares nas paisagens amazônicas, feitas por diferentes Povos Indígenas, são os reais responsáveis pela atual biodiversidade da floresta.
Estudo revela 24 novos sítios arqueológicos na Amazônia e estima que ao menos 10.000 ainda não foram descobertos.
Diego Lourenço Gurgel
Doutor em Ecologia, Consultor de Povos Indígenas na JGP Consultoria Ambiental e Pós-doutorando em Antropologia, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)