Frequentemente ofuscado pela Amazônia, o Cerrado é o segundo maior Ecodomínio da América do Sul, cobrindo 24% do território nacionale sustentando grande parte das principais bacias hidrográficas do país. Mas historicamente tem sido deixado de lado nos diálogos globais sobre conservação.
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O Cerrado cobre 24% do território nacional e sustenta grande parte das principais bacias hidrográficas do país, mas historicamente tem sido deixado de lado nas discussões sobre conservação
Além de sua função como berçário natural de peixes e aves migratórias, o Pantanal Matogrossense atua como regulador do ciclo das águas e do clima regional, e tem forte conexão com a Amazônia - assim como o Cerrado.
Foto: Felipe Frazão / Wikipedia
O Brasil tem outros biomas que são também muito estratégicos, e que carecem de um olhar cuidadoso sobre os grandes desafios que todos eles enfrentam
O Rio Paranaíba, que nasce no Cerrado de Goiás para alimentar a bacia do Rio Paraná, na Região Sul: exemplo do potencial aquífero do bioma.
Foto: André Monteiro
Sem proteção, o bioma conhecido como ‘caixa d’água do Brasil’, que abriga oito das doze maiores bacias hidrográficas do país e três grandes aquíferos, pode perder até 35% da vazão até 2050
Com florestas, savanas e campos, o Cerrado guarda uma biodiversidade imensa, mas é um dos biomas mais ameaçados do país, em razão de pressões da fronteira agrícola.
João C. F. Cardoso
Renata Trevizan, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Berço de oito das 12 regiões hidrográficas do Brasil, Cerrado é o bioma que mais perdeu área em 2024. E isso pode levar ao desaparecimento de espécies dessa que é a savana tropical mais biodiversa do mundo.
O cerrado, nativo do centro-sul brasileiro, perde território a olhos vistos para o agronegócio: os índices de desmatamento seguem altos neste bioma, em meio a um discurso preservacionista carregado de contradições, que na prática segue estimulando a produção agropecuária em larga escala, com poucos mecanismos de defesa do ambiente afetado por ela.
Foto: Adriano Gambarini / WWF Brasil/ Divulgação
Karina Kato, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) and Sergio Pereira Leite, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Entre o discurso e a prática, país enfrenta contradições que hoje alimentam a fome, aceleram o desmatamento e corroem nosso futuro climático - exigindo uma revisão urgente do atual padrão produtivo e financiado
Professor Titular do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Professora do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Historiador, mestrando em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais e geraizeiro do norte de Minas Gerais, Universidade de Brasília (UnB)