Em muitos casos, as primeiras pistas sobre um problema coletivo que precisa ser investigado aparecem na experiência cotidiana, antes de serem documentadas em artigos científicos.
É o que ocorre com casos de endometriose, quando ao longo de anos, meninas e mulheres relataram dores incapacitantes sem um diagnóstico, semque essa dor aparecesse nos registros oficiais de saúde. Um estudo que analisou 469 mil registros de atendimentos em Recife entre 2016 e 2025 mostrou que apenas 0,5%)dos casos de dor menstrual ou pélvica foram identificados como endometriose.
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Quando a pesquisa científica e a experiência social dialogam desde o início, as perguntas se tornam mais relevantes e as evidências, mais aplicáveis, sem enfraquecer o rigor científico, issoamplia a capacidade de resposta a problemas reais, especialmente em temas historicamente invisibilizados
Tecnologia ampliou acesso a uma maior diversidade de pessoas para estudos nas áreas de psicologia e saúde, mas pesquisas são cada vez mais contaminadas por dados e participantes falsos
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Não faz muito tempo atrás, pesquisadores nas áreas de psicologia e saúde precisavam encontrar pessoalmente com participantes de seus estudos, mas tecnologia mudou tudo e trouxe novos riscos
Enquanto tramita na Alesp projeto de lei - elaborado exclusivamente pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento - que propõe desvalorizar e desestabilizar a carreira de pesquisador científico, o governador Tarcisio de Freitas sancionou a lei que torna a Marcha para Jesus patrimônio cultural do Estado de São Paulo.
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Projeto de lei complementar 9/2025 propõe a extinção da carreira atual de pesquisador científico, substituindo-a por um novo modelo com menor estabilidade, sem garantias de progressão por tempo de serviço e sem Regime de Tempo Integral
A biomédica Helena Nader, o climatologista Carlos Nobre e a física da Marcia Barbosa: três exemplos raros de grandes cientistas brasileiros formados num país ainda às voltas com poucos investimentos em inovação.
Fotos de Eduardo Knapp (Folhapress), Tiziana Fabi (AFP) e divulgação do Prêmio UNESCO Women in Science
Embora os brasileiros reconheçam a importância da ciência e da tecnologia, a maioria de nós não consegue lembrar os nomes dos nossos cientistas e instituições de pesquisa mais importantes
O número de estudos publicados globalmente aumentou exponencialmente nas últimas décadas, graças à participação fundamental das universidades e instituições de ensino superior.
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Não se deixe enganar pela imagem de um cientista louco isolado em seu laboratório no porão. A ciência é um empreendimento colaborativo, e as equipes internacionais contribuíram para um enorme aumento na produção científica.
Os perigos da ciência de baixa qualidade: artigos que ligam as vacinas contra a COVID-19 ao desenvolvimento de várias doenças continuam sendo publicados, o que abala a confiança pública na vacinação, já afetada pela grande quantidade de desinformação intencional presente nas redes sociais.
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O número de artigos científicos considerados falhos ou fraudulentos subiu 500% nos últimos dez anos.
Nos periódicos de maior prestígio, as taxas para publicações de artigos são incompatíveis com recursos limitados investidos na pesquisa de países como o Brasil. Mesmo assim, esses são os periódicos privilegiados pelos autores.
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Grandes editoras, novas editoras “caçadoras de dinheiro” e periódicos qualificados disputam espaço no atual cenário das publicações científicas. Isso gera um círculo vicioso para pesquisadores, instituições, periódicos e agências de fomento
Câncer, obesidade, hipertensão, Alzheimer e sobretudo Covid-19 estão entre as muitas doenças cuja compreensão e o desenvolvimento de medicamentos dependem dos estudos com animais geneticamente modificados. E a dificuldade de acesso a essas espécies vem atrapalhando este processo.
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Espécies de ratos e camundongos são essenciais para a pesquisa genética, mas a importação desses animais é complexa e tem um custo muito alto, o que gera um gargalo significativo para o avanço científico e tecnológico em toda a América Latina
Presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) e pesquisadora científica do antigo Instituto Florestal, Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA)