Área de extração de nióbio em Araxá, Minas Gerais: além deste, território brasileiro dispõe de reservas significativas de lítio, grafite, manganês, níquel e silício. Desafio é ampliar a capacidade de agregação de valor a estes elementos químicos, especialmente através das etapas de refino e transformação industrial.
Foto: Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) / Divulgação
Clauber Leite, Universidade de São Paulo (USP); Instituto E+
O Brasil possui reservas significativas de minerais críticos, mas precisa se posicionar não por sua capacidade de extração, mas pela agregação de valor com o refino e a transformação industrial desses produtos
Monazita, bastnasita, xenótimo e outros elementos químicos conhecidos como terras raras: interesse explícito dos EUA sobre estes minerais é cada vez mais ameaçador, mas não se vê reação por parte da comunidade científica brasileira.
Apesar da explícita ameaça norte-americana sobre estes minerais cada vez mais importantes para a indústria de alta tecnologia, historicamente grande parte da comunidade científica brasileira mantém-se alheia ao problema.
Mina Boa Vista, de extração a céu aberto de nióbio em Catalão (GO) pela mineradora chinesa CMOC.
Foto cedida pelos autores
Por que os Estados Unidos querem minerais brasileiros em troca de concessões comerciais — e o que isso revela sobre a geopolítica dos recursos críticos
Donald Trump e os presidentes da Senegal, Guiné-Bissau. Gabão e Mauritânia, durante almoço na Casa Branca cujo tema foi mineração: interesse dos EUA nas jazidas de minerais críticos na África - e no Brasil também - é cada vez mais voraz, pelo emprego estratégico destes materiais na fabricação de baterias e outras tecnologias essenciais para a transição energética.
Evan Vucci / AP Photo
Se por muitos anos a política americana para a África foi marcada por programas de ajuda e cooperação, agora a lógica se volta ao comércio e à disputa direta com a China pelo controle das cadeias produtivas do futuro