Um gene específico, associado a comportamentos exploratórios e impulsividade positiva, pode aumentar a probabilidade de uma pessoa experimentar maconha
O maior obstáculo à aceitação da cannabis como ferramenta terapêutica no envelhecimento cerebral talvez não seja científico, mas cultural. O receio de “ficar chapado” afasta muitos pacientes e até mesmo profissionais de saúde. Mas microdoses da substância podem escapar da zona de psicoatividade e, ainda assim, entregar benefícios.
Foto: Chris Tening / Envato
Estudo brasileiro que investigou os efeitos de microdoses de extrato de cannabis em pacientes com Alzheimer leve mostrou que talvez o futuro da cannabis medicinal esteja nas doses invisíveis, e não nos efeitos psicoativos que ainda assustam pacientes e médicos
A relação entre drogas e capitalismo existe há muito tempo. O status jurídico das substâncias é que varia, numa alternância entre legalidade e ilegalidade que depende da complexa conjunção entre interesses econômicos, políticos, geopolíticos e morais. No momento, a maconha vive uma fase de forte aceitação - principalmente nos EUA, que ditam as políticas sobre drogas no mundo inteiro. Mas uma aceitação que depende de determinadas condições sociais, étnicas e geográficas dos produtores e do mercado consumidor.
Enquanto endurece a ‘guerra às drogas’ contra grupos da América Latina e acentua a repressão policial contra negros e hispânicos, governo dos EUA incentiva o ‘empreendedorismo’ neoliberal no mercado da cannabis
O “Xarope Peruano”: contendo cocaína, era recomendando para combater de indigestão, fraqueza e até doenças hematológicas no começo do século 20.
Smithsonian Museum of American History/Flickr
Cannabis para fins religiosos, cocaína no vinho e heroína para tosse. Essas são apenas algumas das maneiras pelas quais as drogas ilícitas foram usadas ao longo da história.
O estudo finalmente aprovado pela FDA nos Estados Unidos é uma chance de se validar cientificamente os benefícios relatados por veteranos de guerra e outras vítimas de estresse pós-traumático, que fumam maconha para aliviar a anisedade, melhorar o sono e reduzir o uso de medicamentos controlados.
AP Photo/Fernando Vergara
FDA aprova primeiro estudo com Cannabis fumada de alto teor de THC, o que pode abrir a porta para uma discussão sobre ciência, estigma e necessidade de flexibilização regulatória de novas abordagens terapêuticas
As pessoas que usam cannabis com THC de 10% ou mais têm cinco vezes mais probabilidade de desenvolver um transtorno psicótico em comparação com aquelas que não usam a droga.
Canna Obscura/ Shutterstock
Saber como a cannabis de alta potência altera a atividade dos genes pode nos aproximar da compreensão do motivo pelo qual alguns usuários desenvolvem psicose.
Jovem fumando skunk durante um festival de música em Assunção, no Paraguai: resultados mais recentes de um estudo internacional de longa duração mostram que a já constatada associação entre o consumo de maconha por jovens e a ocorrência de sintomas psicóticos varia consideravelmente em razão da “potência psicoativa” da Cannabis utilizada. Especialmente, se o consumo se inicia na adolescência.
Novos resultados de um estudo internacional de longa duração mostra que a já constatada associação entre o consumo de maconha por jovens e a ocorrência de sintomas psicóticos varia consideravelmente em razão da “potência psicoativa” da Cannabis utilizada. Especialmente, se o consumo se inicia na adolescência.
Sempre sob os holofotes da mídia e do preconceito, o uso medicinal da maconha ofusca outras 12 medicamentos fitoterápicos aprovados pelo SUS. O Ministério da Saúde lista também outras 71 espécies com comprovado potencial bioativo e que já são utilizadas como recurso terapêutico pela população.
AP Photo/Hans Pennink
A diversidade botânica brasileira é a maior do mundo. Mas sua relevância e utilização ainda são comprometidas por barreiras comportamentais e religiosas. O caso da Cannabis é só o exemplo mais famoso.