Amazônia precisa de um novo arranjo para sua ciência: mais integrado, mais estável e liderado por instituições, pesquisadores e pesquisadoras, e povos da própria região.
Fernando Sette / Agência Pará
Em meio à crise climática, desafio dos cientistas da Amazônia é transformar discursos em estruturas permanentes de pesquisa, governança e financiamento, lideradas por pessoas e instituições da região
Luiz Antonio Elias, presidente da Finep, durante o seminário O Brasil Pós-COP 30, realizado nesta terça-feira, dia 27 de janeiro: os manguezais, que junto com os recifes de corais são bases ecológicas e econômicas para inúmeras comunidades, encontram-se sob pressão crescente e comprometem o turismo e a segurança alimentar. Esse é um dos desafios climáticos que o Brasil precisará enfrentar.
Livro reúne estudos de 95 pesquisadores que combinam ciência com visão estratégica para os desafios para o País. Brasil precisa ocupar um lugar de protagonismo, amparado em sua biodiversidade, em sua matriz energética renovável e em sua capacidade científica
Foto oficial após a plenária de encerramento da COP 30, dia 22 de novembro: a expectativa de que o encontro dentro da Amazônia perturbaria velhos hábitos da política climática não se concretizou, na avaliação do pesquisador do Forum Verde da Suécia e do Conservatoire national des arts et métiers (CNAM), de Paris.
Ludovic Garattini, Conservatoire national des arts et métiers (CNAM)
Para ele, foi o poder gravitacional da lógica de investimentos que mais uma vez dominou o encontro
Pescador no Rio Amazonas: seres humanos já enfrentam aumento da frequência e da gravidade de fenômenos climáticos extremos, como tempestades, inundações, ondas de calor e secas, o que torna a ação mais urgente.
Anna ART/Shutterstock
O evento, que reúne representantes de povos indígenas e grandes magnatas, líderes dos países mais ricos e dos mais pobres, representa, apesar de tudo, uma porta aberta para o diálogo climático.
Cerrado e Amazônia são um contínuo, tanto em termos ecológicos quanto de uso e ocupação. Um não existe sem o outro. Baseados em estudos recentes que explicitam essa interdependência e sua importância no contexto de retenção do carbono, grupo de cientistas vai reforçar, durante a COP 30, a proposta de criação do Instituto Nacional do Cerrado (I.
NC). Foto: Amanda Perobelli / Reuters via Agência Brasil
Cerrado e Amazônia são um contínuo, tanto em termos ecológicos, quanto de uso e ocupação. Um não existe sem o outro
Avião cargueiro do Pelotão Especial de Fronteira Surucucu sobrevoa a Terra Indígena Yanomami, em Roraima: nas últimas décadas, setores militares passaram a tratar as terras indígenas como potenciais ameaças à segurança nacional, argumentando que sua extensão e autonomia poderiam comprometer a integridade territorial do país.
Foto: Lalo de Almeida / Folhapress
A questão indígena na Amazônia está no centro das disputas sobre território e soberania. A floresta, tradicionalmente tratada pelo Estado como uma fronteira a ser vigiada, é também o espaço de coexistência de centenas de povos
Ilustração da Declaração das Mulheres Líderes pelo Clima.
Iniciativa é da Rede Clima & Mulheres na COP (C&MC), que discute especificamente a liderança feminina na ação climática a fim de fortalecer a presença estratégica de mulheres nos espaços de decisão da Conferência em Belém
Compreendendo a relevância de contar com jovens nas discussões das COPs, a ONU estabeleceu, desde a COP 26, a figura dos ‘Youth Climate Champions", escolhida através de inscrições e entrevistas. E nesta COP 30, a vencedora foi Marcele Oliveira (foto) produtora cultural carioca que dirige o Perifalab, rede de criação de de lideranças periféricas, vinculada ao Instituto Clima e Sociedade.
Foto: Instituto Clima e Sociedade
Herdeiros dos problemas gerados pelas mudanças climáticas e extremamente ativos nas redes sociais, jovens podem ajudar a mudar o futuro, mas muitos sofrem com exaustão e e umnovo fenômeno chamado de ecoansiedade
Vista aérea do Parque da Cidade, onde será realizada a COP30. Países têm pressionado o Brasil a transferir a conferência climática da ONU de Belém para outra cidade em razão dos valores exorbitantes cobrados pelos hotéis da capital paraense.
Alessandro Falco/Folhapress
Preço de hotéis pode levar a esvaziamento do evento; mas presença significativa de países e delegações é fundamental para legitimar as discussões da conferência
Doutoranda em Relações Internacionais no Programa San Tiago Dantas e pesquisadora no Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional, Universidade Estadual Paulista (Unesp)