Joana Contino, Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)
Até 2030, 30% do trabalho em diferentes elos da cadeia da moda na Europa e nos EUA deverá estar automatizado por IA. No Sul Global, contudo, a maior parte da indústria da moda ainda se vale de um exército de trabalhadores precarizados
Na realidade, o paradoxo do ‘socialista de iPhone’ reside no capitalista que usa produtos profundamente financiados, concebidos e viabilizados pelo Estado, enquanto nega o papel crucial do setor público ao longo de toda a cadeia de inovação.
Imagem: Reprodução / Sazzle Brasil
A crítica do “socialista de iPhone” revela menos sobre socialismo e muito mais sobre o desconhecimento de como a inovação realmente acontece
No limiar do centenário da descoberta de Heisenberg, a ciência começou a aprofundar a compreensão das propriedades quânticas, e abriu caminho para tecnologias totalmente novas, que incluem o desenvolvimento de chips que prometem realizar tarefas impossíveis para computadores clássicos e a aplicação de algoritmos quânticos para a descoberta de novos medicamentos.
Luiz Davidovich, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Para celebrar o centenário, a ONU declarou 2025 como o Ano Internacional das Ciências e Tecnologias Quânticas, estimulando eventos, conferências e atividades em todo o mundo
Soldado ucraniano observa o lançamento do temido drone bombareiro “Baba Yaga”, programado para potencializar ferimentos nas vítimas atingidas: os riscos éticos e discriminatórios na maneira como se está lidando com as tecnologias autônomas, especialmente nas guerra, são profundos e despertam preocupação na ONU e em órgãos de defesa dos direitos humanos.
AP Photo/ Julia Demaree Nikhinson
A automatização dos sistemas autônomos de ataque naturaliza o afastamento entre ação e responsabilidade, configurando o que podemos chamar de uma banalidade do mal digital
“Colonialismo de dados”: A colaboração direta entre a administração Trump e os titãs da tecnologia já foi descrita como um “sistema de negacionismo tecnorregulatório”. A expressão deixa claro que a estratégia não apenas despreza as leis democráticas, mas também implementa outros tipos de leis, orientadas pelas lógicas embutidas nas tecnologias.
Imagem gerada por IA, via EnvatoLabs
Plataformas americanas usam Washington para garantir ganhos e receitas no exterior. E o Brasil mergulha em uma paralisia regulatória e tecnológica que põe em risco sua capacidade de moldar políticas públicas
Mark Zuckerberg (Meta), Jeff Bezos (Amazon), Sundar Pichai (Google e Alphabet) e Elon Musk (X, Tesla e SpaceX) na já histórica foto da posse do presidente Donald Trump, em janeiro de 2025: com o republicano no poder, o lobby das big techs escancarou seus interesses e influência econômica sobre as políticas interna e externa do governo estadunidense.
Poder de barganha das Big Techs é ainda mais significativo em regiões menos desenvolvidas do mundo. E em lugares como o Brasil, onde o lobby não é regulamentado, fica difícil rastrear o lobby e medir o quanto ele influencia nas leis aprovadas no Congresso
O princípio do controle extremal é semelhante ao de um cozinheiro que experimenta o sabor da comida a cada novo tempero. O sistema faz pequenas perturbações — muda um pouco o parâmetro de controle — e observa como o desempenho varia. Se a mudança melhora o resultado, o sistema continua nessa direção. Se piora, ajusta para o lado oposto. Com o tempo, ele se aproxima do ponto ótimo.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
O controle extremal oferece uma alternativa simples e poderosa: em vez de depender de equações complexas, ele aprende diretamente com a experiência, testando pequenas variações e observando o resultado
Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza: novas diretrizes sobre uso de IA divulgadas pela universidade não representam avanço na integração crítica dessas tecnologias. Ao contrário, optam pelo controle em detrimento de uma perspectiva pedagógica e formativa.
Foto: UFC / Divulgação
Abordagem excessivamente restritiva e punitiva adotada por certas universidades sobre o uso de Inteligência Artifical em trabalhos de pesquisa de pós-graduação demonstra uma visão reducionista do potencial das ferramentas atuais
Os vencedores do Prêmio Nobel de Economia 2025: Mokyr mostrou os fundamentos intelectuais e históricos da Revolução Industrial, enquanto Aghion e Howitt que a destruição criativa é a própria essência do empreendedorismo, deixando morrer o que já não serve para que surja o novo.
Nobel Prize
Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt lembram que o progresso nasce da cultura do conhecimento e do valor de destruir para criar.
Pesquisa da PUC-Rio aposta em ‘energy harvesting’ para ampliar capacidade de bateria e tempo de voo de drones que podem ser usados em diversos setores da economia, sem comprometer a capacidade de transporte de carga dos aparelhos.
Foto: Freepik
Pesquisa da PUC-Rio aposta em ‘energy harvesting’ para ampliar capacidade de bateria e tempo de voo, sem comprometer a capacidade de carga
No contexto de adversidade que paira sobre a realização da COP 30 na Amazônia reside uma grande oportunidade: mostrar ao mundo que o Brasil não apenas possui soluções reais para a crise climática, mas que já as está implementando.
Foto: Instituto Jornada da AMAZÔNIA
Empresas que investem em desenvolvimento sustentável no Brasil querem ajudar a transformar COP 30, para além de discussões diplomáticas e debates sobre financiamentos, num catalisador de ações coletivas, inovação e justiça climática
O microencapsulamento celular - técnica inovadora para proteger células transplantadas - pode ser desenvolvido a partir de materiais reciclados e equipamentos eletrônicos descartados, gerando economia e democratizando o acesso a uma alternativa terapêutica salvadora. No Brasil, é Fiocruz é pioneira no seu desenvolvimento.
Imagem gerada por IA / Envato labs
Laboratório da Fiocruz lidera no Brasil iniciativa pioneira que desenvolve sistema automatizado de microencapsulamento celular a partir de materiais reciclados e eletrônicos descartados
Sancionada em 30 de julho de 2025, lei que proíbe o uso de animais vertebrados vivos em testes de cremes, xampus e outros produtos cosméticos satisfaz uma expectativa crescente por práticas mais humanizadas no setor e demonstra amadurecimento da relação entre ciência e indústria no Brasil.
Foto: Freepik
Sancionada em 30 de julho de 2025, lei que proíbe o uso de animais vertebrados vivos em testes de cosméticos reflete uma expectativa crescente por práticas mais humanizadas e demonstra amadurecimento da relação entre ciência e indústria no Brasil
A biomédica Helena Nader, o climatologista Carlos Nobre e a física da Marcia Barbosa: três exemplos raros de grandes cientistas brasileiros formados num país ainda às voltas com poucos investimentos em inovação.
Fotos de Eduardo Knapp (Folhapress), Tiziana Fabi (AFP) e divulgação do Prêmio UNESCO Women in Science
Embora os brasileiros reconheçam a importância da ciência e da tecnologia, a maioria de nós não consegue lembrar os nomes dos nossos cientistas e instituições de pesquisa mais importantes
A capacidade da larva-da-farinha queniana de consumir poliestireno sugere que esta poderia desempenhar um papel na redução natural de resíduos, especialmente para tipos de plástico que são resistentes aos métodos convencionais de reciclagem.
Photo courtesy Fathiya Khamis
Fathiya Khamis, International Centre of Insect Physiology and Ecology
Os “comedores de plástico” naturais podem ajudar na luta contra a poluição na África.
É justamente do Quarto Distrito - polo de tecnologia e inovação de Porto Alegre que segue debaixo d'água (foto) - que podem sair as soluções baseadas na natureza capazes de proteger a cidade de futuros alagamentos.
VANDRO LEAL/Agencia Enquadrar/Folhapress
Sistemas de drenagem sustentáveis e áreas verdes e permeáveis são algumas das soluções baseadas na natureza que podem tornar Porto Alegre mais resiliente a eventos extremos
Engenheira elétrica, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e presidente, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)