Na projeção de algoritmos usados por pesquisadores da USP e da Univesidade de Pittsburgh, a bancada da direita passaria das atuais 380 para 365 cadeiras no plenário. A esquerda subiria de 115 para 131. E o centro cairia de 18 para 17. A projeção, portanto, não aponta para uma mudança significativa na distribuição ideológica da Câmara, mas indica um ligeiro avanço da esquerda no parlamento brasileiro.
Foto: Ascom / Câmara dos Deputados
Ruben Interian, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Uma reflexão sobre o poder dos algoritmos, os vieses das plataformas, o protagonismo crescente da IA, e os desafios da regulação das redes sociais
Corrida ao fundo do poço: o controle cada vez maior e danoso das redes sociais sobre o comportamento humano é culpa das pessoas ou dos algoritmos? A verdade está em algum lugar mais complexo, no meio do caminho.
Ilustração: Envato Labs
A radicalização induzida pelos algoritmos já faz a vida digital controlar a vida real. A retomada do controle dos nossos territórios existenciais é essencial para construir infraestruturas digitais capazes de proteger as democracias de decisões inimputáveis de Big Techs e seus aliados autocráticos
As redes sociais coletam dados da nossa navegação como intuito principal de refinar um perfil comercializável de cada um de nós. Quem está nesses bancos de dados nem faz ideia que está sendo comercializado como produto.
Foto: Envato Labs
Marcelo Soares, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Os algoritmos coletam informações que você nunca daria, fazem inferências sobre seu perfil, moldam seu gosto e selecionam o que você vê
Nos últimos cinco anos, a indústria da desinformação se sofisticou e cresceu sem nenhuma punição ou monitoramento. No Brasil, a recente decisão do STF é um alento na luta pela responsabilização das Big Techs sobre o conteúdo que agregam e o comportamento que estimulam. O enfrentamento desse problema pelas camadas: cultural, política e econômica. É uma crise social, não um problema individual.
Imagem: Envato Labs
O algoritmo é uma programação feita por humanos, com pesos baseados em interesses e ganhos econômicos. E o que vemos é que as plataformas priorizam o que gera mais atenção e lucro, não o que é mais relevante, de qualidade ou confiável. O que engaja mais, aparece mais
Nos métodos tradicionais de programação, todas regras precisam ser explicitamente codificadas. Já a aprendizagem de máquina permite que computadores desenvolvam suas próprias regras e soluções baseadas em grandes quantidades de dados, tornando sistemas mais flexíveis e adaptáveis.
kentoh/Unlimphotos
Diferente dos métodos tradicionais de programação, onde tudo precisa ser explicitamente codificado, a aprendizagem de máquina permite que computadores desenvolvam suas próprias regras e soluções
Futuro da inteligência artificial pode estar na combinação das redes neurais com uma versão artificial da seleção natural, em que os programas de melhor desempenho farão a codificação cruzada de seus códigos, gerando novos programas em uma versão computacional da reprodução sexual.
NicoElNino/Shutterstock
Se combinarmos a maneira como nossas conexões neurais funcionam com os princípios da evolução, poderemos produzir algoritmos cada vez mais eficientes e complexos
“A Criação de Adão”, obra-prima de Michelangelo na Capela Cistina, inspira a imagem acima para ilustrar as cada vez mais controvertidas relações entre a humanidade e a Inteligência Artificial.
Cottombro Studios / Pexels
Expressão “inteligência artificial” deveria ser reservada a sistemas cognitivos não biológicos que se mostram de fato flexíveis, mas que mesmo assim não teriam valores humanos
Professor de jornalismo de dados e digital e mestre em Divulgação Científica e Cultural, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)