Sérgio Botton Barcellos

O estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre, inteiramente alagado durante as inundações que arrasaram a cidade durante o El Niño de 2024: evidências indicam que o fenômeno este ano será ainda mais severo, provocando secas e inundações. Preparar-se antes requer planejamento e organização. Agir depois que a tragédia começou custa muito mais dinheiro - e vidas. AP Photo/Carlos Macedo

Super El Niño já está em curso e deverá impactar geração de energia, produção de alimentos e vida nas grandes cidades

Ainda não se sabe a intensidade exata do fenômeno, mas os sinais são suficientemente consistentes para justificar decisões e planejamento antecipado por parte dos governos e organizações da sociedade civil
Desigualdade ambiental: eventos climáticos extremos como o super El Niño tendem a tornar mais evidentes as contradições do modelo de desenvolvimento social e econômico brasileiro, expondo quesões como o racismo ambiental, que é quando determinados grupos sociais são sistematicamente mais expostos a riscos climáticos e menos atendidos pelas políticas públicas de prevenção a desastres naturais. Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Sociologia: pela ótica das desigualdades, super El Niño que se aproxima neste inverno é um espelho do Brasil

Fenômeno climático reflete não apenas a força da natureza, mas as consequências de decisões sociais, econômicas e políticas
Casos recentes de esgoto lançado nas praias da orla misturado à drenagem pluvial são exemplos da contradição entre o marketing sobre o crescimento do turismo na cidade e a poluição ambiental e visual que este aumento desordenado está gerando. Foto: Prefeitura de João Pessoa

Turismo de massa sem planejamento está provocando colapso urbano em João Pessoa

Receitas geradas pelo turismo de massa na cidade não retornam sob a forma de investimentos em saneamento, lixo, mobilidade, preservação ambiental e infraestrutura urbana
A orla de João Pessoa: por anos considerada uma alternativa mais barata e sustentável ao turismo de massa no Nordeste, a capital da Paraíba vem sofrendo muito com o turismo desordenado e a explosão imobiliária. Foto: Wikipedia

João Pessoa: como a exploração excessiva do turismo e do mercado imobiliário está mudando a vida na capital da Paraíba

João Pessoa costuma ser apresentada como um exemplo bem-sucedido de turismo “sustentável” no Nordeste, mas revela contradições profundas, que dizem respeito ao modo como o espaço urbano é produzido, apropriado e governado
Diversos atos foram realizados em São Paulo e outras 90 cidades em dezembro para protestar contra a violência de gênero. Casos expõem a insuficiência da rede de proteção e o modo como o Estado brasileiro falha em garantir o direito das mulheres à vida em nossa sociedade. Rovena Rosa/Agência Brasil

Nenhuma a menos X política pública de menos: quando o Estado falha e o feminicídio avança

Casos de feminicídio expõem a insuficiência imperativa da rede de proteção e o modo como o Estado brasileiro sistematicamente falha em garantir o direito elementar das mulheres à vida em nossa sociedade.
Antes e durante a sua realização, o governo apresentou a COP 30 como sendo a “COP da verdade”, associando-a à coragem moral e à necessidade de ação rápida. No entanto, esse discurso contrasta com a crescente apropriação da conferência por atores extrativistas, financeiros e corporativos. Foto: Antônio Scorza / COP 30

COP 30 derivou entre ser palco de vitrine climática, captura financeira e resistência dos povos

Conferência foi operada na combinação de zonas diplomáticas, estruturas corporativas e espaços destinados à sociedade civil, em uma arquitetura que cada vez mais favorece a prevalência de interesses privados
A ministra do Meio Ambiente Marina Silva, o presidente Lula e o ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira durante o lancámento do novo Plano Safra,em junho de 2025: descompasso entre provisões para o agronegócio e para a agricultura familiar permanecem. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Análise: Governo prometeu muito para agricultura familiar, mas segue priorizando o agronegócio

Após retomada do Ministério do Desenvolvimento, a expectativa de retomada de uma política agrária consistente para a agricultura familiar ainda carece de investimentos e organização
Agente do IBAMA, o orgão de fiscalização mais visível do Ministério do Meio Ambiente, durante ação contra desmatamento ilegal na Amazônia, este ano: Entre as diversas contradições entre discurso e prática na política ambiental, governo segue prometendo uma transição ecológica sem reformar a estrutura fiscal e sem reforma agrária. Imagem: Divulgação / IBAMA

Esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente se contrapõe a discurso ambientalista do governo

Eleição de Lula em 2022 sinalizou para reconstrução da política ambiental do Brasil, mas governo segue priorizando parcerias público-privadas e mercados de carbono em detrimento de medidas como apoio à agroecologia e fiscalização ambiental

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