Roberto Uchôa de Oliveira Santos

Nikolas Ferreira, 30, e Lucas Pavanato, 28, os dois deputados mais votados da história do Congresso Nacional, empunham seus principais cabos eleitorais: o combate à violência com mais violência de Estado e mais acesso individual às armas. Inúmeros estudos já mostraram que ambas as estratégias, sozinhas, não se sustentam no esforço pela redução da criminalidade. Foto: Reprodução Instagram

O triunfo do punitivismo nas urnas: por que o Brasil escolhe a segurança da extrema‑direita mesmo contra as evidências?

O Brasil fez uma escolha deliberada por uma agenda de segurança pública fundamentada na força, na expansão punitiva e no armamento individual. Mas décadas de pesquisa mostram que as propostas centrais desse campo raramente entregam reduções dos índices de criminalidade
Anúncio da GrabAGun, empresa de vendas online de armas, que já possui ações na Bolsa de Nova York e tem como um dos principais investidores o filho do presidente Donald Trump: negócios alavancados pelas novas normas de comercialização de armas nos EUA, que agora permitem o envio dos produtos diretamente para o comprador final, sem qualquer tipo de escrutínio, e facilitam as exportações para países antes considerados críticos - como o Brasil. AP Photo/Seth Wenig

Paradoxo trumpista: desregulamentação das armas nos EUA abastece facções brasileiras que Washington chama de terroristas

Ao mesmo tempo em que classifica facções brasileiras como terroristas, EUA facilita de maneira inédita o escoamento de armas para essas facções
Integrantes do PCC tomam o presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, durante rebelião em 2017: apesar da violência, do poder econômico e das ligações cada vez mais evidentes com políticos e juízes, as facções criminosas brasileiras não têm como objetivo destituir governos, espalhar o terror por razões religiosas ou instaurar regimes ideológicos. Foto: Tribuna do Norte

Por que designar as facções brasileiras como organizações terroristas é um erro

A tentativa de enquadrar estas organizações como “terroristas” sob a ótica da legislação dos Estados Unidos é um movimento que carece de fundamentação factual e jurídica
Um soldado monta guarda ao lado de um veículo carbonizado após ter sido incendiado, em Cointzio, estado de Michoacán, México, domingo, 22 de fevereiro de 2026, após a morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração, Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”. AP Photo/Armando Solis

Morte de ‘El Mencho’ no México fortalece corporações como o PCC

Mais do que o mero desmantelamento de um cartel mexicano, o vácuo de poder deixado sinaliza uma possível transferência do eixo de gravidade logística do narcotráfico global para corporações criminais sul-americanas, notadamente o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Veículos incendiados nobairo de Almada, em Lisboa, no fim de 2025: sintomas iniciais de uma metamorfose estrutural na criminalidade portuguesa. Imagem: Reprodução de TV

Hegemonia da pólvora: episódios de violência típicos do Rio de Janeiro revelam como cresce a criminalidade em Lisboa

Episódios de violência urbana na capital de Portugal são sintomas iniciais de uma metamorfose estrutural da criminalidade no país. Um processo que, se não interrompido, conduzirá ao que chamam de “hegemonia da pólvora”
Efeito Bukele: Nova lei pode satisfazer o desejo imediato de punição de parte da sociedade, mas o preço será cobrado com juros altos: mais violência nas ruas, fortalecimento das facções dentro dos presídios e um rombo bilionário nos cofres públicos, possivelmente desviado para o lucro de empresas privadas de gestão prisional. Luiz Silveira / Agência Senado

Mudanças na prisão preventiva são armadilhas que fomentam facções e ganância por privatização carcerária

A entrada em vigor das alterações no Código de Processo Penal representa virada política e legislativa que, sob a justificativa de combater a impunidade, institui mecanismos que irão inflar o sistema carcerário
Barricadas em protestos de comunidades contra violência policial: pela redação proposta pelo deputado Guilherme Derrite, a conduta de “obstruir a ação policial” mediante “obstáculos físicos ou incêndios”, mesmo sem qualquer vínculo com o tráfico, sujeitaria esses cidadãos a uma pena mínima de 12 anos - a mesma pena mínima de um homicídio qualificado.

Novo marco legal do crime organizado pende entre a asfixia financeira e o perigo do silenciamento social

Projeto em discussão no Congresso acerta ao atacar financiamento de facções, mas erra na aposta no encarceramento e traz riscos para a democracia
A tecnologia por trás dos ataques de drones perpetrados por traficantes contra policiais é assustadoramente acessível. Drones comerciais, que custam entre R$ 7.000 e R$ 50.000, são modificados com “garras” ou ganchos, que podem ser comprados por apenas R$ 120, para soltar cargas explosivas por controle remoto. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

A verticalização do conflito urbano: como drones de guerra migraram da Ucrânia para o crime no Brasil

O que antes era o domínio exclusivo de potências militares, o poder aéreo, foi abruptamente democratizado. Não por um tratado de paz ou pela ascensão de uma nova nação, mas pela proliferação de tecnologia de consumo
Fiscal do Procon de São Paulo atua durante a crise de adulteração por metanol, que já teve 17 casos confirmados no país até a primeira semana de outubro de 2025: falta crônica de repressão adequada contra as redes de fabricantes, engarrafadores e distribuidores ilegais é a raiz de um problema que se arrasta desde o século passado - e que só se agravou com o fim do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) em 2016. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Muito além do metanol: fiscalização frágil alimenta mercado bilionário de bebidas falsificadas que envenenam o Brasil há décadas

Substância que matou consumidores e segue colocando vidas em risco e espalhando pânico no país não chegou às garrafas por acaso: é consequência de uma cadeia de negligências e oportunidades criminais
A ascensão dessas fábricas de “ghost guns”, armas sem número de série e, portanto, virtualmente irrastreáveis, representa um salto quântico na capacidade do crime organizado no país, consolidando uma demanda que nunca cessou e que redefine, de forma fundamental, os desafios da segurança pública no país.

Descoberta de indústria clandestina de fuzis coroa quatro décadas de escalada bélica do crime no Brasil

A descoberta de fábricas clandestinas de armas noinrerior de São Paulo é um alerta contundente de que a guerra urbana no Brasil entrou em uma nova fase, mais autônoma, resiliente e industrializada
Apreensões de submarinos clandestinos transportando drogas - como este da foto - são comuns nas águas do Oceano Atlântico. Mas um equipamento não tripulado, controlado remotamente, é a primeira vez. Seu uso poderá dificultar ainda mais as investigações dos crimes de tráfico internacional. AP Photo/Ivan Valencia

‘Drones submersos’: como os narcossubmarinos não tripulados poderão redefinir o tráfico internacional de drogas

A chegada dos sistemas não tripulados marca o início de uma nova era de narcoguerra, onde a tecnologia, a furtividade e a negação plausível conferem uma vantagem avassaladora às organizações criminosas transnacionais
Fardos de cocaína de unas 5,2 toneladas y un yate incautados en una base de la Marina portuguesa en Almada, al sur de Lisboa, en 2021. AP Photo/Armando Franca

Los traficantes de cocaína brasileños desembarcan en Europa a través de Portugal

Los informes revelan la existencia de estructuras para el tráfico de drogas, el blanqueo de dinero e incluso la circulación de armas, lo que podría repercutir en la seguridad de Portugal y de otros países del continente europeo.
Fardos de cocaína com um peso aproximado de 5,2 toneladas e um iate apreendidos numa base da Marinha Portuguesa em Almada, a sul de Lisboa, em 2021. Autoridades afirmam que estão sendo apreendidas quantidades recordes de cocaína na Europa. AP Photo/Armando Franca

Resposta à expansão do PCC na Europa impõe desafios às autoridades de segurança no Brasil e em Portugal

Relatórios indicam a existência de estruturas para tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e até movimentação de armas, que podem impactar a segurança interna de Portugal e de outros países do continente europeu.
Criadas para preservar o patrimônio, as Guardas Municipais já são vistas em muitas cidades do país como alternativas de combate ao crime - mas também de repressão social -, o que fere suas atribuições constitucionais. Leo Correa / Associated Press

Debate sobre as Guardas Municipais no Brasil vai muito além do uso de armas de fogo

A discussão sobre o armamento das Guardas Municipais pode estar atropelando o debate sobre a verdadeira função das forças de segurança locais nas cidades brasileiras.

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