O conhecimento dos indígenas e outros povos originários sobre a natureza nunca esteve escrito em livros: morava no empirismo e na transmissão permanente de conhecimento e experiência dos mais velhos para os mais jovens, num ciclo harmônico e aparentemente eterno. Mas agora, como explicar fenômenos e conceitos cuja manifestação não se vê mais, foi radicalmente alterada ou mesmo tornou-se agressiva?
Foto: Heris Rocha/WikiParques
As mudanças climáticas estão alterando os ciclos que orientaram, durante séculos, a vida de povos indígenas e quilombolas no Brasil, afetando o conhecimento ancestral, a segurança alimentar e a saúde mental
Nações indígenas protestam em frente ao Congresso Nacional, durante o último “Acampamento Terra Livre,” maior mobilização anual de povos originários por direitos fundiários e proteção contra os efeitos das mudanças climáticas, que vêm gerando sofrimento psicológico, ansiedade, medo e sensação de perda coletiva nessas comunidades.
AP Photo/Eraldo Peres
Nas populações de comunidades tradicionais, a crise climática dilacera vínculos profundos na relação e nos laços espirituais entre o ser humano e a natureza, o que gera sofrimento psicológico, ansiedade, medo e sensação de perda coletiva
Moradores da comunidade quilombola do Tambor, no Rio Jaú, Amazonas: o conceito de Amazônia Preta engloba um território de confluência onde se encontram negros, indígenas, brancos e mestiços aquilombados, unidos pela consciência coletiva de que onde os povos afrodescendentes cuidam da terra, a floresta resiste e permanece de pé - uma constatação já publicada até em artigo na revista Nature.
Foto: Elaíze Farias / Amazônia Real
Projetos de pesquisa com quilombos da Amazônia mostram como essas comunidades são guardiãs da biodiversidade e do conhecimento ecológico
En la comunidad pesquera de Cristo Rei, en el Amazonas, el lago que garantiza la subsistencia de la población se encuentra dentro del área de un nuevo bloque de exploración de petróleo y gas que avanza sobre la selva y pone en peligro el medio ambiente y el modo de vida de los habitantes locales.
Lalo de Almeida / Folhapress
Las políticas de gestión de los espacios protegidos a menudo excluyen a las comunidades locales, generando tensiones y afectando negativamente a la conservación de la biodiversidad.
In Cristo Rei, a fishing community in the Brazilian state of Amazonas, the lake sustaining local livelihoods now falls within a new oil and gas exploration zone encroaching on the forest—threatening both the environment and residents’ way of life.
Lalo de Almeida / Folhapress
To guarantee the preservation of protected areas, public policies must be adapted to local realities, incorporating traditional knowledge as an essential part of the solutions to environmental problems
Na comunidade pesqueira de Cristo Rei, no Amazonas, o lago que garante a subsistência da população está dentro da área de um novo bloco de exploração de petróleo e gás que avança sobre a floresta e coloca em risco o ambiente e o modo de vida dos moradores locais.
Foto: Lalo de Almeida / Folhapress
Para garantir a preservação de áreas protegidas, as políticas públicas devem ser adaptadas às realidades locais, incorporando os saberes tradicionais como parte essencial das soluções dos problemas ambientais