Doutor em Ciência Política, professor da PUC-Rio e da UERJ, pós doutorando do INCT/ReDem,
PUC-Rio
Inversão de sentidos: se nas eleições de 2022 a esquerda soube convencer uma franja do eleitorado de que a reeleição de Jair Bolsonaro representava riscos à manutenção do regime, agora é o campo da direita — em especial a base bolsonarista — que denuncia os que “atentaram”, na visão desse segmento, contra a democracia.
Foto: Roque de Sá / Agência Senado
A comunicação política vive um estágio de transição tecnológica. Embora a inflexão para as redes sociais seja uma tendência, a comunicação eleitoral ainda será desafiada a dialogar com o modelo híbrido, no qual o analógico e o digital fazem parte das preferências de um número ainda significativo de brasileiros.
Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro ficará preso em definitivo na sede da Polícia Federal, onde já estava detido preventivamente desde o dia 22 de novembro. Com a saída de cena do ex-presidente, são a esposa Michele Bolsonaro e o filho Eduardo que registram os maiores percentuais de conhecimento entre os eleitores do campo da direita. Os possíveis candidatos desse espectro político, como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, apresentam percentuais menores.
Folhapress / Gabriela Biló
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro por risco de fuga acelera disputa entre líderes que dependem da sua base para chegar a 2026 — mas que ainda não conseguem converter conhecimento em voto
Nova PEC da Segurança Pública - que poderá ajudar na integração entre as forças de segurança do país - é mais uma tentativa de mudar a legislação e uma prática recorrente que agora bateu um recorde histórico: desde a Constituição de 1988, o Brasil já registra mais de 20,4 mil tentativas de alterações da legislação na área da segurança.
Foto: Eduardo Anizelli / Folhapress
Desde a constituição de 1988, o país já registra mais de 20,4 mil tentativas de alterações da legislação na área da segurança
Governadores de direita se reuniram na quinta-feira 30 no Rio de Janeiro em apoio ao governador Cláudio Castro (com o microfone), para discutir a integração de estratégias de combate ao crime organizado e fortalecimento da cooperação entre os estados.
Foto Charles Sholl (Brazil Photo Press/Folhapress)
Mapeamento identificou mais de 407 mil menções às eleições presidenciais entre 2011 e o início de outubro de 2025. A antecipação do debate que acontecia apenas em anos eleitorais domina o debate público, limitando a inclusão de outros temas e influenciando os atores políticos.
Em nível global, 48% dos usuários com menos de 35 anos consomem notícias por meio de criadores, superando os 41% que recorrem à mídia tradicional. No Brasil, a descentralização da influência é ainda mais acentuada. Com 84% da população conectada à internet e 54% consumindo notícias semanalmente pelas redes sociais, os criadores de conteúdo independentes já superam as marcas jornalísticas tradicionais na atenção regular do público: 33% contra 30%.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Análise feita pela Reuters em 24 países mostra que o impacto dos criadores de conteúdo é menor em países do Norte da Europa e no Japão. Já em mercados de alto impacto, como o Brasil, eles dominam o fluxo informativo
Os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Júnior (Paraná) disputam herança de votos do bolsonarismo para disputarem a presidência em 2026, mas a equação não é tão simples.
Imagens: Montagem sobre fotos Folhapress
Muitas vezes identificada como um bloco homogêneo, em razão do posicionamento ideológico, a base bolsonarista apresenta diferenças que podem tornar o trabalho dos candidatos do campo da direita mais difícil do que aparenta
Parlamentares comemoram a aprovação unânime do projeto de isenção do IR, no plenário da Câmara dos Deputados
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
A aprovação unânime, pela Câmara dos Deputados, do projeto que isenta de imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil e amplia a alíquota do IR para os super-ricos só foi possível por uma conjuntura de pontos fora da curva na relação do governo com a oposição.
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que foi um dos entusiastas da PEC da Blindagem, hoje segue defendendo o PL da Anistia e é conhecido também por ser o autor da proposta de PL que proíbe o aborto mesmo em casos de estupro, discursa na frente do Congresso Nacional em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Boslonaro.
AP Photo/Eraldo Peres
A contradição entre a reprovação popular dos parlamentares e a reeleição é um dos temas examinados pela Ciência Política brasileira há quase 20 anos. As evidências sugerem que o voto em medidas impopulares não produz, necessariamente, derrota eleitoral.
A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tomada por manifestantes contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia: a aprovação maciça de ambas as propostas na Câmara suscitou protestos em todo o país,mas não deve se repetir no Senado. Estudo produzido pelo programa de pós-doutorado do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) esmiuçou a distribuição ideológica entre os votos e os partidos.
No campo da extrema-direita, a proporção de votos favoráveis à PEC da Blindagem foi de 100%, uma distribuição exatamente inversa entre os partidos de extrema-esquerda, com 100% dos votos contra a medida
Leitura do mapa das prefeituras conquistadas nestas eleições, contudo, não sinaliza prognóstico para a disputa Presidencial de 2026
Mapa dos resultados eleitorais municipais nas últimas três eleições indica que predominância dos partidos de direita já não é novidade, especialmente na região Norte. Crescimento este ano já não foi tão acelerado, mas ainda deve aumentar com o segundo turno.
Em 2016, cerca de 79% das prefeituras eram de prefeitos de partidos de direita, centro-direita e extrema-direita. Quatro anos depois, essa proporção subiu para 84% e, este ano, por enquanto, chegou a 86%