Alexandre Ramos Coelho

No funeral de um soldado estadunidense morto no Irã, um retrato dos custos militares e sociais que se somam aos prejuízos econômicos globais: em seis meses de guerra, dezoito combatentes morreram e 756 ficaram feridos. AP Photo/Ryan Murphy

Depois de seis meses de guerra, EUA não alcançaram vitória estratégica contra o Irã. O que acontece agora?

Transcorrido meio ano, os ataques estadunidenses e israelenses planejados para enfraquecer Teerã acabaram impondo perdas a consumidores, empresas e governos em todo o mundo, sem falar no sofrimento das famílias de militares mortos
O caso de Maria Luiza Ribeiro Viotti não é um incidente isolado. A assimetria nas relações diplomáticas entre os dois países é constante. Mudam apenas os meios pelos quais os Estados Unidos a concretizam. Foto: José Cruz / Agência Brasil

Revogação do visto de diplomata brasileira nos EUA aprofunda dilema entre cooperação e defesa da nossa autonomia

A revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos é o ponto mais visível de uma crise que combina tarifas, disputas regulatórias, segurança pública e vistos, e que expõe uma relação estruturalmente assimétrica entre os dois países
Resultado das eleições colombianas evidencia uma América do Sul mais polarizada, atravessada por redes conservadoras transnacionais e convertida em campo vital de disputa entre grandes potências. A eleição brasileira de 2026 será, portanto, também uma disputa sobre o lugar do Brasil no mundo e sobre o grau de autonomia que o país conseguirá preservar. AP Photo / Rodrigo Abd

A vitória de De la Espriella na Colômbia e o novo desafio da política externa brasileira

Resultado revela a consolidação de uma nova fase da política externa sulamericana: mais polarizada, mais permeável ao trumpismo e mais exposta à disputa entre Estados Unidos e China
O Secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, conversa com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante encontro do G7 em maio de 2026: Rubio está à frente da decisão de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas transnacionais: medida cria uma zona cinzenta que pode colocar bancos, empresas, seguradoras, investidores, plataformas financeiras e fintechs sob escrutínio, com possível influência nas próximas eleições. AP Photo/Michel Euler

Ao classificar facções criminosas brasileiras como terroristas, EUA transformam segurança pública em pressão eleitoral

A interferência externa contemporânea raramente aparece como fraude direta sobre urnas. Ela se manifesta por discursos, símbolos, redes sociais, pressão econômica, sanções, tarifas, reuniões seletivas e enquadramentos narrativos
Covas abertas às pressas num cemitério em Teerã: quando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos foram seguidos por retaliações contra bases militares americanas e também contra áreas civis e infraestrutura sensível, o ciclo de pressão transformou-se em guerra aberta. Foto: Departamento Iraniano de Mídia Estrangeira, via AP

Guerra contra o Irã: entenda a mudança nas relações internacionais que escalou o conflito no Oriente Médio

Ao tornar exigências públicas e mobilizar forças militares, os EUA elevaram o custo político de recuar. Diante da ausência de concessões nos termos esperados, a lógica da credibilidade empurrou a crise para o uso efetivo da força
Ao afirmar que os Estados Unidos “querem um pedaço de gelo para a proteção do mundo e que a Dinamarca se recusa a concedê-lo, Trump constrói uma narrativa de direito histórico e moral sobre a Groenlândia, instrumentalizando o passado como base para reivindicações presentes. AP Photo/Alex Brandon

Groenlândia expõe os limites da coerção entre aliados e uma nova gramática na política internacional

Trump não anuncia uma invasão imediata, mas reafirma uma lógica de pressão contínua sobre aliados, tratados não como parceiros estratégicos, e sim como subordinados
Crianças retiram água de um reservatório em um abrigo para famílias deslocadas pela violência das gangues em Porto Príncipe, capital do Haiti. AP Photo / Odelyn Joseph

As lições sobre a fome no Haiti que o Brasil e o mundo não podem ignorar

Caso do país caribenho revela como a violência organizada passa a regular o acesso à comida quando o Estado perde o controle efetivo do território — uma dinâmica extrema, mas instrutiva, para países como o Brasil
Interpretações políticas, regras paralelas e regimes não coordenados estão entre os efeitos já sentidos com o enfraquecimento que órgãos reguladores causado pela redução da participação norte-americana. Imagem: ONU

Retração dos EUA em organismos mundiais já compromete o futuro do multilateralismo

Processo inclui tanto retiradas formais quanto reduções drásticas de financiamento em áreas como desenvolvimento, saúde global e programas humanitários
Lula e Trump na ONU: discursos antagônicos representaram duas visões distintas do mundo que estão levando a uma nova divisão econômica e geopolítica mundial, e que tem o BRICS como bloco cada vez mais protagonista. Montagem com fotos de Angelina Katsanis e Richard Drew /AP Photo

Análise: Discursos de Lula e Trump refletiram visões opostas sobre o futuro da ordem internacional

Falas configuram duas visões antagônicas sobre comércio exterior e geopolítica. Um marcado pela defesa do multilateralismo, outro focado na construção de uma nova ordem internacional baseada na competição econômica sem limites
O julgamento de Bolsonaro ilustra a função essencial da democracia constitucional: demonstrar que até mesmo líderes eleitos devem se submeter às regras do jogo democrático. Ao barrar a corrosão “por dentro”, o Brasil mostrou que suas instituições ainda podem conter o autoritarismo. Mas a lição é dupla: a decisão representa uma vitória da legalidade, ao mesmo tempo em que revela que o risco de erosão institucional continua presente. AP Photo/Luis Nova

As implicações internacionais da condenação de Bolsonaro na defesa da democracia constitucional

Ao condenar Bolsonaro, o Brasil sinalizou que não tolera o uso das próprias instituições contra a democracia. Mas o risco continua.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs

Brasil está em posição privilegiada para superar diferenças e liderar agenda de integração latino‑americana

Ao articular uma cooperação pragmática com países como Chile, Uruguai, Bolívia, Argentina, Colômbia e Peru, o país poderia estruturar cadeias regionais de valor, fortalecer a resiliência frente à pressão das grandes potências e aumentar sua influência em temas vitais para o atual momento, como a transição energética, os semicondutores e a inteligência artificial
Manifestantes em Anchorage, capital do Alasca, horas antes do encontro marcado entre Putin e Trump: o líder russo quer reconhecimento de sua política de expansão; jáo presidente americano quer palco para valorizar a nova postura protecionista e anti-multilateralista dos EUA. AP Photo/Jae C. Hong

Entre geopolítica e realpolitik: o que estará em jogo no encontro marcado entre Putin e Trump no Alasca

Com a guerra na Ucrânia em um impasse, Rússia busca consolidar ganhos territoriais e obter o reconhecimento. Já Trump tende a usar o encontro como palco para reafirmar seu estilo de negociações diretas, sem alianças multilaterais e foco em interesses econômicos imediatos
Um sorridente Javier Milei cumprimenta Trump em viagem aos EUA. Para conseguir as tarifas mais baixas da América do Sul, Milei aliou-se econômica e ideologicamente aos EUA. Anunciou que vai conceder cidadania a grandes investidores americanos e ameaça deixar Mercosul para criar acordo de livre comércio com os EUA. Mas nada é garantido diante do caráter volátil da atual política externa americana. Foto: Embaixada dos EUA na Argenina

Quando a soberania de um país vira barganha: as pressões hemisféricas na era Trump 2.0

Preservar fronteiras já não é suficiente. Para um país manter-se soberano hoje, é preciso capacidade de reação frente a dispositivos extraterritoriais, sanções e normas aplicadas por potências dominantes.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, visita uma exposição sobre as conquistas nucleares do país, em Teerã: o atual cessar-fogo com Israel surge como uma trégua frágil em meio a um contexto de extrema volatilidade, onde ainda pesa para os iranianos um sentimento de humilhação que gera pressão interna por uma resposta futura às hostilidades recentes. Foto: Divulgação / Governo do Irã

Paz armada: até quando a ameaça de destruição mútua conseguirá manter estabilidade no volátil Oriente Médio

A tese de que o Irã nuclearizado poderia criar um equilíbrio de poder com Israel é aceita na comunidade internacional, mas carece dos elementos que garantiram sua eficácia durante a Guerra Fria
Leão XIV, primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, com formação agostiniana e experiência pastoral na América Latina, reúne atributos que ampliam a capacidade de interlocução do Vaticano no diálogo entre o Norte e o Sul global. AP Photo/Domenico Stinellis

Novo papa reúne atributos que podem ampliar influência diplomática do Vaticano na geopolítica mundial

Relevância da Santa Sé no cenário geopolítico se ancora na autoridade moral e na capacidade de mobilizar uma linguagem ética capaz de tensionar narrativas dominantes e catalisar demandas por justiça e reconciliação
O ditador Viktor Orbán, com seu slogan “Make Europe Great Again”, e o presidente dos EUA Donald Trump: governo da terra da democracia está aplicando cada vez mais os ensinamentos do manual de autocracia do presidente da Hungria que se perpetua há 15 anos no poder. Fotos de Paul White e Evan Vucci (AP Photo)

Ataques à liberdade de imprensa e erosão democrática: pontos que aproximam os Estados Unidos da… Hungria

Como a supressão da liberdade de expressão e o amordaçamento da imprensa, estratégias autoritárias de controle social típicas do ditador húngaro Viktor Orbán, estão sendo aplicadas de forma semelhante pelo governo Trump
Donald Trump, Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin: sob a lógica da segurança como ativo de negociação, busca por vantagens estratégicas superará compromissos normativos na geopolítica mundial. AP Photo/Aurelien Morissard (Trump e Zelensky, e Pavel Bednyakov (Putin)

Nova ordem internacional é marcada por fim da previsibilidade e retorno das esferas de influência

Sob Trump, os EUA reconfiguram a segurança como um ativo negociável, descartando alianças baseadas em valores comuns e adotando uma lógica transacional, baseada na imposição e na força
Trump sinalizou com a possibilidade de tarifas punitivas de até 100% para produtos de países do BRICS que adotem moedas locais ou outros sistemas de pagamentos. Saída para o Brasil é uma política externa pendular, que articule movimentos de aproximação com ambos os polos globais (EUA e China). AP Photo/Jose Luis Magana

Uma análise realista e geoeconômica da política externa de Donald Trump para a América Latina

Para o Brasil, a adoção de uma política externa pendular, que articule movimentos de aproximação com ambos os polos globais (EUA e China), pode ser uma saída para proteger seus interesses nacionais e garantir relevância no sistema internacional.
O presidente da China, Xi Jinping, à esquerda, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, posam para fotos com seus acordos bilaterais no palácio da Alvorada em Brasília, Brasil, em novembro de 2024. AP photo/Eraldo Peres

Parcerias Brasil‑China: navegando no tabuleiro geoeconômico internacional

Estratégias, desafios e oportunidades na construção de laços econômicos e diplomáticos no cenário global.
A securitização da economia internacional representa o processo em que temas como tarifas comerciais e uso de moedas alternativas ao dólar passam a ser vistos como ameaças à segurança do Estado, justificando ações emergenciais e excepcionais. É o que a futura administração de Donald Trump tenderá a fazer a partir do ano que vem. AP Photo/Heather Khalifa

Como será o impacto da política de securitização de Trump na ordem geoeconômica global

Nova ordem geoeconômica mundial, com suas novas tarifas comerciais e uso de moedas alternativas ao dólar passarão a ser vistos por países como os Estados Unidos como ameaças à segurança do Estado

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