Armando Alvares Garcia Júnior

Donald Trump e os presidentes da Senegal, Guiné-Bissau. Gabão e Mauritânia, durante almoço na Casa Branca cujo tema foi mineração: interesse dos EUA nas jazidas de minerais críticos na África - e no Brasil também - é cada vez mais voraz, pelo emprego estratégico destes materiais na fabricação de baterias e outras tecnologias essenciais para a transição energética. Evan Vucci / AP Photo

Disputa global por minerais críticos exige visão do Brasil para agregar valor a seus recursos naturais

Se por muitos anos a política americana para a África foi marcada por programas de ajuda e cooperação, agora a lógica se volta ao comércio e à disputa direta com a China pelo controle das cadeias produtivas do futuro
A ordem que determina a transferência das ações para garantir o pagamento da dívida da estatal do petróleo argentina, coloca em xeque a soberania argentina. A suspensão pela Câmara de Apelações não encerra o processo, que poderá ser julgado pela Suprema Corte dos EUA. AP Photo/Natacha Pisarenko

Transferência de ações da YPF para fundos credores coloca em xeque soberania argentina

O sistema jurídico dos EUA, por meio da Foreign Sovereign Immunities Act (FSIA), relativizou a imunidade da Argentina, afastando a aplicação da legislação interna para proteção dos ativos no exterior e estabelecendo precedentes controversos
Escalada tarifária unilateral representa uma mudança estrutural na política comercial dos EUA, onde sanções econômicas passam a ser instrumentos de coerção política cujo propósito é muito diferente do reequilíbrio comercial. AP Illustration / Jenni Sohn

Taxação sobre produtos brasileiros marca avanço perigoso no uso de instrumentos comerciais para desestabilizar soberanias

Do ponto de vista jurídico, a medida colide frontalmente com os parâmetros do direito internacional e da Organização Mundial do Comercio (OMC)
Trump e os líderes do Japão, Shigeru Ishiba; da Itália, Giorgia Meloni; da França, Emmanuel Macron; do Canadá, Mark Carney; da Grã-Bretanha, Keir Starmer; e da Alemanha, Friedrich Merz - além do presidente do Conselho Europeu Antonio Costa e da presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, durante a reunião do G7 em que se rediscutiu a questão das tarifas. AP Photo/Mark Schiefelbein

Acordos entre Estados Unidos e União Europeia podem ter impactos profundos para o Brasil

Em jogo estão temas como as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, além de questões que envolvem regulações ambientais e digitais
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, e o presidente do Senado, David Alcolumbre: segundo dados da Receita Federal, em 2025 os estados brasileiros deixarão de arrecadar mais de R$ 266 bilhões por conta de renúncias fiscai. Esse dinheiro poderia financiar escolas, hospitais, creches e programas sociais.

Análise: Estado brasileiro funciona como uma engrenagem de redistribuição de privilégios

Brasil vive, há décadas, sob a lógica do patrimonialismo e do fisiologismo. A máquina pública, ao invés de garantir direitos e reduzir desigualdades, tem servido como ferramenta de manutenção da desigualdade
Donald Trump e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante o encontro de cúpula que marcou a imposição dos EUA contra a manutenção dos impostos globais das multinacionais. Cada vez mais, Trump faz uso de sua posição dominante na economia mundial e de seu poder de retaliação comercial para conseguir o que quer.

Análise: Acordo do G7 é retrocesso no esforço de coibir a evasão fiscal corporativa e tem impacto para o Brasil

Brasil perde a capacidade de tributar integralmente os lucros de grandes multinacionais americanas atuantes no território nacional, privando o Estado de receitas importantes para saúde, educação e infraestrutura.
Donald Trump junto al secretario general de la OTAN, Mark Rutte, durante la cumbre del Tratado que tuvo lugar el pasado 25 de junio en La Haya. Brian Jason/Shutterstock

¿Podrá EE. UU. cumplir su amenaza de imponer aranceles a España por no subir su gasto en defensa?

La amenaza de Trump a España para que aumente su gasto en defensa como país miembro de la OTAN también sirve a EE. UU. como medida de presión en su negociación comercial con la UE.
Para muitos brasileiros, os esforços liderados pelo governo dos EUA para aumentar os gastos com defesa na OTAN podem soar distantes. Mas, em um mundo cada vez mais militarizado, o novo ciclo de gastos globais em defesa afeta diretamente questões do nosso dia a dia. Ben Stansall/Pool Photo via AP

Decisão da OTAN de aumentar gastos com defesa pode ter impactos para o Brasil

De um lado, aumentar o orçamento de defesa no Brasil implicaria deslocar recursos de áreas como saúde, educação e combate à pobreza. Por outro, ficar de fora dessa agenda pode significar isolamento em debates estratégicos e perda de relevância internacional
O Brasil se destaca na diplomacia, mas também domina a tecnologia de enriquecimento de urânio e investe na construção de quatro submarinos convencionais (como o Humaitá, na foto acima) e um nuclear, através do Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil). Foto: Divulgação / Marinha do Brasil

Nova corrida nuclear desafia papel histórico do Brasil no desarmamento

País não é uma peça marginal neste contexto geopolítico. Dimensões continentais, programa nuclear próprio, ambições de liderança regional e uma trajetória consolidada no campo da diplomacia multilateral são as provas disso
O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, fala durante uma coletiva de imprensa no Pentágono em Washington, domingo, 22 de junho de 2025, depois que os militares dos EUA atacaram três locais no Irã. O ataque dos EUA ao Irã evidencia os limites da ONU e dos principais marcos jurídicos internacionais, enfraquecendo tanto o princípio da contenção nuclear quanto o sistema de não proliferação. AP Photo/Alex Brandon

Ataque revela as contradições da política externa dos EUA e expõe fragilidades na governança global

Ao desafiar normas fundamentais — como a Carta da ONU e, provavelmente, o próprio TNP —, a ação americana no Irã evidencia a fragilidade das instituições multilaterais diante do uso unilateral da força.
Nestes últimos dias, o barril de Brent, referência internacional, subiu quase 20%. O gás natural também disparou, afetando tanto a indústria quanto o consumidor doméstico. Maria Ana Krack

O Oriente Médio em guerra e o bolso do brasileiro: por que os ataques a infraestruturas no Irã nos afetam

O aumento do petróleo eleva o preço da gasolina e do diesel. Isso encarece o transporte público, o frete e, por consequência, os produtos no supermercado. O gás de cozinha também tende a subir.
Um ativista agita bandeiras revolucionárias da Síria, celebrando a derrubada do governo de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024: a queda do regime sírio foi o primeiro sinal de esgotamento do chamado “eixo da resistência” formado por Irã, Síria e Hezbollah. AP Photo/Hussein Malla

Alianças, fronteiras e identidades estão sendo renegociadas em um Oriente Médio em transformação

Os próximos meses serão decisivos para saber se surgirá uma nova ordem ou se o vazio de poder abrirá caminho para mais conflitos
Moradores abandonam às pressas prédio bombardeado em Tel Aviv: dentre os cenários possíveis, uma escalada regional de violência no Oriente Médio é um dos mais preocupantes. AP Photo/Baz Ratner

Israel x Irã: cinco cenários possíveis e a mudança geopolítica no Oriente Médio

Seja qual for o desfecho, conflito entre Israel e Irã mostra que o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio está mudando rapidamente. E isso afeta economias, alianças políticas e decisões estratégicas em várias partes do mundo
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Rasoul Mohajer, posam para uma foto no encontro do BRICS no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, em 28 de abril de 2025. A manifestação oficial brasileira evita qualquer gesto que possa ser interpretado como escolha. Mas, diante da gravidade do ataque, a omissão de gestos concretos já constitui um posicionamento. AP Photo/Bruna Prado

Análise: Diplomacia brasileira é tímida na condenação a Israel e se distancia da liderança que pretende exercer

O governo brasileiro, mais uma vez, opta por uma retórica que preserva sua tradição de neutralidade, mas ignora o novo cenário que ele próprio ajudou a construir ao acolher o Irã no BRICS.
Bandeiras da China e dos EUA num mercado público em Pequim: pacto mantem tarifas de 55% dos EUA sobre produtos chineses e de apenas 10% por parte da China sobre bens americanos. Mas o ponto mais relevante do anúncio é o compromisso chinês de garantir o fornecimento antecipado de terras raras e ímãs industriais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, chips e equipamentos de defesa. AP Photo/Andy Wong

EUA e China chegam a acordo tarifário que pode reduzir tensões e reorganizar fornecimento de minerais críticos

Efeitos desse pacto podem reduzir competitividade das exportações agrícolas brasileiras, e aumentar incertezas quanto ao acesso do Brasil aos minerais mais importantes para o desenvolvimento de novas tecnologias
Moradores da cidade de Tomali, no país africano de Malawi aguardam para receber doses da primeira vacina contra a malária desenvolvida no mundo, em 2019: até hoje, interesses econômicos das grandes indústrias farmacêuticas europeias que detém as patentes destes medicamentos impõem preços que inviabilizam sua distribuição em larga escala.

Malária: Quando a política e os interesses comerciais falam mais alto que a saúde na OMS

Apesar da existência de medicamentos eficazes e vacinas promissoras, o acesso a esses recursos é limitado por barreiras econômicas, burocráticas e geopolíticas que a Organização Mundial da Saúde não consegue superar
Cientista brasileiro se equipa na sala na sala de secagem da Estação Antártida Comandante Ferraz, na Ilha do Rei George: o ambiente polar, antes dominado por uma cultura de cooperação científica, passou a incorporar elementos de competição e vigilância, e o Brasil ainda carece de posicionamento mais assertivo para manter sua posição frente aos interesses cada vez maiores de EUA, China e Rússia. Foto: Lalo de Almeida/Folhapress

Antártida: cooperação científica dá lugar à competição geopolítica e comercial, onde Brasil pode perder espaço

O Brasil está diante de uma escolha estratégica: investir e se manter protagonista, ou correr o risco de ser espectador em um processo de redefinição das regras globais
A parceria com a Suécia para a produção do caça Gripen (foto) é um exemplo raro de projeto bem sucedido de transferência de tecnologia de defesa para o Brasil. Foto: Divulgação

Programa de defesa: Brasil poderia fazer compras conjuntas com países vizinhos

O modelo brasileiro de aquisição de defesa ainda é marcado por descontinuidade, dependência orçamentária e ausência de coordenação regional
Uma senhora segura umretrato de Mujica, enquanto aguarda na imensa fila para um último adeus ao ex-presidente em seu funeral: crítica ao consumismo, defesa radical da liberdade como tempo de vida e estilo de vida simples tornaram-se símbolos de autenticidade num mundo saturado de lideranças tecnocráticas. AP Photo/Santiago Mazzarovich

Mujica: um articulador de esperanças no Sul Global

Mais do que um ícone do Uruguai, Mujica foi um articulador de esperanças no Sul Global e sua ausência ressoará com força em tempos de crise democrática, avanço da ultradireita e descrença na política.
Pausa na disputa entre China e EUA busca conter os danos de uma guerra comercial que vinha afetando cadeias globais de suprimento, pressionando os preços e gerando incertezas nos mercados financeiros. Para países com economias dependentes de exportações, como o Brasil, o impacto é direto, mas desta vez os sinais são mais negativos do que positivos. AP Photo/Michael Probst

Trégua na guerra tarifária entre EUA e China traz novos desafios comerciais para o Brasil

Nova fase de negociações entre os dois gigantes comerciais impacta diretamente países dependentes de exportações. Mas, ao contrário do que ocorreu em fases anteriores da disputa, desta vez os sinais são mais negativos do que positivos
O então cardeal Robert Francis Prevost ao lado do Papa Francisco, no começo de 2025: semelhanças na forma de entender o papel da Igreja na sociedade aproximaram Jorge Mario Bergoglio de seu agora sucessor Leão XIV. Foto: Vatican Media / Reuters

Roma escolheu um latino de Chicago: sinal de continuidade nas mudanças em curso na Igreja Católica

Formado em matemática, o agostiniano Robert Francis Prevost, missionário e bispo em Chiclayo, no Peru, revela um estilo próximo das comunidades e distante das disputas de poder

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